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Por que Salah se tornou um “pequeno problema” para o Liverpool?

Mohamed Salah ainda é o nome mais pesado do elenco do Liverpool e, por anos, foi também o mais decisivo. Mas nesta temporada 2025/26, o atacante egípcio vem chamando atenção por um motivo diferente: sua fase não é boa, e isso tem exposto uma série de desequilíbrios no time de Arne Slot. A crítica não é só ao rendimento individual, mas ao efeito dominó que Salah provoca quando não está resolvendo lá na frente.

E sim, ele não está resolvendo como antes.

Na campanha passada, Salah foi simplesmente brilhante. Sob o comando de Slot, brilhou na ponta direita com liberdade total. Foi um dos pilares ofensivos do time campeão da Premier League, sempre se destacando com gols, movimentação e tomada de decisão. Mas em 2025/26, o impacto caiu. As finalizações ainda aparecem, mas são menos certeiras; as decisões em momentos-chave (passar ou chutar, acelerar ou esperar) têm sido erradas com mais frequência. Quando a fase técnica já não é a mesma, o que antes era perdoado, como sua pouca participação defensiva, vira munição para a crítica.

Salah e o espaço que virou buraco

E aí entra o aspecto tático. Salah continua tendo um papel praticamente imune a obrigações defensivas. Slot mantém o egípcio plantado na ponta, guardando energias para puxar contra-ataques e ser opção no último terço. Quando o time tem controle do jogo e posse de bola, isso funciona. Mas quando enfrenta times grandes, que pressionam e dominam trechos da partida, o espaço que Salah deixa nas costas vira um problema, literalmente.

Contra o Chelsea, por exemplo, isso ficou escancarado. O time londrino entendeu rápido o caminho das pedras: trabalhar a bola pelo meio e inverter para a esquerda, onde Cuccurella (com apoio de Garnacho ou Gittens) sempre encontrava espaço. Salah não descia para ajudar, e Frimpong, improvisado como lateral, não dava conta de segurar o 2 contra 1.

Slot até tentou corrigir no segundo tempo ao colocar Conor Bradley, um lateral mais marcador. Mas a essa altura, o dano já estava feito. O Liverpool sofreu pressão, perdeu o controle e deixou pontos no caminho, pontos que custaram a liderança e colocaram o Arsenal à frente na tabela.

O problema não é só Salah, mas o que está atrás dele

A crítica a Salah vem porque ele é o rosto do time, mas a verdade é que o problema é coletivo. O sistema ao redor dele deixou de funcionar. O meio-campo, por exemplo, perdeu solidez. Slot vem utilizando combinações com dois segundos-volantes, como Ryan Gravenberch, Alexis Mac Allister, Szoboszlai ou até Curtis Jones, mas nenhum deles é um marcador de ofício. O único com esse perfil é o japonês Endo, que não tem nível para ser titular deste time estrelado.

O resultado? Se os volantes não fecham bem os “bolsos” na frente da zaga, e o ponta não volta para ajudar, o time fica vulnerável em zonas cruciais do campo. Isso tem sido explorado com facilidade por adversários de alto nível, e em jogos grandes, essa conta chega.

Um Liverpool sem o mesmo controle

E talvez essa seja a diferença mais gritante entre o Liverpool atual e o campeão de 2024/25: a perda de controle dos jogos. No início da era Slot, o que mais chamou atenção foi justamente a forma como o time gerenciava as partidas. Com mais posse, circulação e cadência, os Reds pareciam ter deixado pra trás a correria caótica dos últimos anos sob Klopp.

Mas agora, tudo voltou a parecer mais instável. Nos últimos jogos, incluindo três derrotas consecutivas somando Premier League e Champions, o Liverpool tem oscilado não só em resultado, mas em desempenho. A meia hora final contra o Chelsea foi quase um retrato disso: intensidade, correria, chances perdidas e muita desorganização.

É claro que existem atenuantes. A temporada teve mudanças importantes no elenco, lesões e jogadores que perderam a pré-temporada. Mas isso não apaga o fato de que o Liverpool, hoje, parece mais frágil coletivamente, e quando o coletivo falha, os desequilíbrios individuais, como os de Salah, ficam escancarados.

Salah não virou um jogador ruim da noite para o dia. Ele continua sendo um dos mais inteligentes do elenco, ainda atrai marcação e oferece perigo com pouco espaço. Mas sem a bola entrando, sem números expressivos e sem o suporte tático que o cercava antes, ele parece desconectado do todo. E nesse momento da temporada, isso faz dele um “pequeno problema” para um Liverpool que quer seguir brigando por tudo.

Foto (Capa): Carl Recine/Getty Images