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Premier League: as contratações mais caras tem tido sucesso? Confira

Há dois meses, os vultosos investimentos do Liverpool na janela de verão da Premier League faziam parecer que a disputa pelo título nacional seria apenas uma formalidade. A equipe de Arne Slot abriu cinco pontos de vantagem na liderança após somente cinco rodadas, embalada por reforços que somavam 415 milhões de libras em valor de mercado. Porém, no último sábado (22), os Reds entraram em colapso na temporada: uma derrota por 3 a 0 para o Nottingham Forest, em pleno Anfield, ampliou o distanciamento dos primeiros colocados.

Entre os reforços mais comentados da Premier League está o meia-atacante Florian Wirtz, contratado junto ao Bayer Leverkusen por 100 milhões de libras, quantia que pode atingir 116 milhões com bônus. Contudo, o alemão ainda não correspondeu às expectativas em Liverpool. Situação semelhante vive Alexander Isak, adquirido no último dia da janela por um novo recorde de 125 milhões de libras, podendo chegar a 130 milhões — o sueco também não conseguiu se encaixar no time.

As duas contratações enfrentam dificuldades e o desempenho coletivo despencou sob o comando de Slot, deixando o clube apenas na 12ª posição da liga. Wirtz ainda não registrou gols nem assistências em 11 jogos, enquanto Isak segue sem balançar as redes e soma apenas uma assistência. É cedo para rotular duas das aquisições mais caras da história da Premier League como fracassos, mas ambos buscam reagir no duelo contra o PSV pela fase de liga da UEFA Champions League, nesta quarta-feira (26), em Anfield.

Casos como o do atacante Thierry Henry mostram que uma adaptação lenta não é sentença definitiva. O francês marcou apenas dois gols nas suas primeiras 17 partidas após chegar da Juventus, mas terminou aquela temporada com 17 gols na Premier League e 26 no total, tornando-se um dos maiores ídolos da história do Arsenal de todos os tempos. Curiosamente, ao observar a lista das maiores contratações do futebol inglês, poucos nomes representam sucessos “gigantescos”.

Como avaliar tudo isso? A seguir, analisamos cada contratação e seu veredito com base no impacto individual e coletivo dentro da Premier League. Os valores citados não incluem bônus. Naturalmente, trata-se de tema subjetivo — você pode concordar ou discordar nos comentários. Entre os exemplos estão Romelu Lukaku, Paul Pogba e Antony, que renderam abaixo do esperado no Manchester United, enquanto Enzo Fernández e Moisés Caicedo começam a mostrar evolução no Chelsea.

Foto: Getty Images

Premier League: as contratações mais caras têm entregado o que custam?

A escalada dos valores no mercado inglês resultou em algumas das transações mais caras da história do futebol. No entanto, ao observar o desempenho dentro de campo, fica claro que grandes cifras nem sempre se convertem em retorno esportivo imediato — ou sequer contínuo.

O Chelsea domina o topo dessa lista. Enzo Fernández, adquirido por 106,8 milhões de libras, e Moisés Caicedo, por 100 milhões, ainda lutam para justificar valores tão altos. Embora ambos tenham potencial e exibam lampejos de qualidade, o impacto coletivo está distante do esperado, reflexo também da instabilidade da equipe. O caso de Lukaku, contratado por 97,5 milhões em sua segunda passagem pelos Blues, é emblemático: custo elevado, rendimento curto e saída precoce.

No Manchester City, o cenário é distinto. Jack Grealish, comprado por 100 milhões de libras, demorou a se encaixar no estilo de Pep Guardiola, mas terminou como peça importante no triplete de 2022/23. Já Josko Gvardiol, contratado por 77 milhões de euros, teve início mais animador: regular, versátil e com potencial para se firmar entre os grandes defensores da liga.

O Arsenal fez de Declan Rice um pilar central do projeto de Mikel Arteta ao investir 100 milhões de euros. O volante rapidamente assumiu protagonismo e se tornou um dos jogadores mais influentes do elenco — um raro exemplo de contratação caríssima com impacto imediato.

Nem todos tiveram essa sorte. O Manchester United reúne algumas das contratações mais caras e controversas da Premier League. Paul Pogba (89 milhões) alternou jogos brilhantes com longos períodos de instabilidade antes de sair de graça para a Juventus. Antony (82 milhões de euros) ainda não se afirmou e sofre forte pressão. Harry Maguire, adquirido por 80 milhões de euros, viveu altos e baixos: começou como referência, perdeu espaço e virou símbolo da má gestão esportiva. Lukaku, contratado por 75 milhões na primeira passagem, também ficou abaixo das expectativas apesar de números razoáveis no início.

Entre os casos de maior sucesso está Virgil van Dijk, comprado pelo Liverpool por 75 milhões de euros. O valor parecia exagerado à época, mas o zagueiro elevou imediatamente o patamar defensivo dos Reds, sendo peça essencial em títulos da Champions League e da Premier League — exemplo raro de investimento altíssimo com retorno igualmente extraordinário.

No geral, as contratações mais caras se dividem entre apostas de longo prazo e gastos arriscados, com poucos jogadores correspondendo plenamente ao investimento. Embora o inflacionado mercado inglês permita valores tão altos, também reforça uma velha verdade: cifras recordes não garantem sucesso esportivo.

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Wirtz e Isak tentam evitar o rótulo de decepção na Premier League após chegarem cercados de expectativa no Liverpool

Contratados para elevar o nível ofensivo do Liverpool na Premier League, Wirtz e Isak iniciam sua passagem em Anfield sob enorme pressão proporcional ao investimento feito para tirá-los de Bayer Leverkusen e Newcastle. Ambos figuram entre as maiores contratações da história dos Reds — e sabem que cada atuação será analisada como vitrine do novo ciclo pós-Klopp.

Wirtz, considerado um dos talentos mais promissores da Europa, chega com a missão de oferecer criatividade, controle de ritmo e aceleração entre as linhas — atributos que o clube perdeu em momentos-chave recentes. O desafio é acelerar sua adaptação ao ritmo físico e à intensidade tática da Premier League, liga na qual meias ofensivos vindos da Bundesliga geralmente precisam de tempo para ajuste de tomada de decisão e força no contato. O Liverpool enxerga o alemão como motor criativo do futuro, mas espera impacto desde já, o que exige consistência imediata.

Isak, por sua vez, carrega responsabilidade distinta: assumir o comando do ataque tendo experiência prévia na Premier League. O sueco, destaque no Newcastle pela movimentação inteligente e finalização precisa, foi contratado para dar profundidade e versatilidade a um setor que perdeu eficiência. O desafio é transformar sua fluidez de jogo em produtividade constante, fundamental para um Liverpool que tenta retomar protagonismo doméstico e europeu. A pressão por gols será inevitável, especialmente após as saídas de nomes importantes e comparações com atacantes históricos dos Reds.

Ambos trabalham para fugir do destino comum de grandes contratações que fracassam sob expectativas irreais. A comissão técnica aposta na complementaridade entre eles: Wirtz como articulador e acelerador; Isak como finalizador decisivo. O êxito da dupla pode definir o rumo do novo projeto do clube.

Mais do que justificar o investimento, Wirtz e Isak precisam provar que podem ser pilares de uma equipe em reconstrução. O peso financeiro já é grande — o desafio esportivo é ainda maior.

(Foto: Getty Images)