A Premier League teve uma semana de gala nas competições da UEFA. Na quarta-feira, o Arsenal bateu ninguém menos que o Real Madrid e garantiu vaga na semifinal da Champions League. Já na quinta (17), foi a vez de Chelsea e Tottenham fazerem a lição de casa: os Blues avançaram na Conference League, enquanto os Spurs chegaram com moral à semifinal da Europa League.
Com representantes vivos nas três copas europeias, a Premier League sonha com um domínio completo na temporada 2024/25. Imagina só: três títulos, três clubes diferentes, três festas em Londres (ok, os torcedores rivais talvez não curtam tanto essa ideia).
Só que, apesar do brilho continental, cada um desses times vive uma realidade bem particular dentro de casa. O Chelsea tenta encontrar estabilidade, o Tottenham parece viver dois mundos diferentes, tendo dificuldade para conciliá-los, e o Arsenal segue embalado em alto nível. No fim das contas, a situação é tão maluca quanto fascinante, e perfeita pra quem curte drama, reviravolta e futebol em alto nível.
Premier League e seus times londrinos
Arsenal nas semis da Champions League

Assim como ocupa a prateleira mais alta das competições da UEFA, o Arsenal também se firma como o principal representante da Premier League no cenário internacional. Depois de despachar o Real Madrid com autoridade, vencendo tanto no Emirates quanto no Santiago Bernabéu, os Gunners seguem vivos na Champions League e ainda brigam pela liderança da Premier League. Sim, a vida não está nada mal pro time de Arteta.
Mesmo com alguns desfalques importantes ao longo da temporada, Mikel Arteta soube encontrar equilíbrio usando bem suas novas peças. O problema (ou desafio, dependendo do ponto de vista) segue no comando de ataque: o Arsenal não trouxe um centroavante de ofício e, por isso, tem improvisado. Mikel Merino, que normalmente joga no meio, tem quebrado o galho ali na frente. E, surpreendentemente, tem funcionado… pelo menos por enquanto.
Na tabela da Premier League, os Gunners estão na cola do Liverpool, com a disputa pelo título pegando fogo. Mas, com a Champions entrando na reta final e o moral nas alturas após eliminar o maior campeão da Europa, não seria absurdo imaginar o Arsenal priorizando a glória continental. A sensação é que, neste momento, o time de Arteta é o elenco a ser batido. E eles sabem disso.
Tottenham e a Europa League

Logo um andar abaixo na hierarquia da UEFA, o Tottenham encarou uma pedreira na Europa League: o surpreendente Eintracht Frankfurt. Sem Marmoush, que resolveu seguir o caminho do Manchester City, o time alemão viu Hugo Ekitiké crescer absurdamente no comando do ataque. O francês até fez barulho em Londres… mas quando os Spurs pisaram em solo alemão, a história foi outra.
As Águias chegaram com certo favoritismo, e não foi por acaso. A realidade do time de Ange Postecoglou é, no mínimo, confusa. O Tottenham tem sobrevivido aos trancos e barrancos na Europa League, mas na Premier League o desempenho é de dar dor de cabeça: atualmente ocupa a 15ª colocação da tabela. Sim, você leu certo. Décimo quinto.
A ameaça de rebaixamento ainda é distante, em parte graças ao drama vivido por clubes como o Ipswich, que somou apenas 21 pontos até aqui. Mas o problema vai além da tabela. Com os reforços que chegaram nas últimas janelas e o elenco disponível, o futebol apresentado pelos Spurs está bem abaixo do aceitável. Nesse cenário, a permanência de Postecoglou no cargo parece depender exclusivamente do que o time fizer na competição europeia.
Enquanto isso, o Tottenham tropeça na Premier League e brilha fora de casa na Europa League, contra adversários teoricamente mais fortes. Difícil explicar, mas talvez seja essa a graça do futebol. Tem coisa que só ele consegue justificar.
Chelsea e Conference League

Pra não ficar atrás dos rivais londrinos, o Chelsea também garantiu sua vaga nas semifinais de uma competição europeia, no caso, a Conference League. Um degrau abaixo da Europa League, a copa costuma reunir clubes fora do radar internacional, mas volta e meia conta com camisas de peso, como os próprios Blues, a Fiorentina ou o Real Betis, como acontece nesta edição.
A classificação veio com uma boa dose de suor. O adversário nas quartas foi o Légia Varsóvia, que não é exatamente um figurante. Mesmo depois de ter sofrido um 3 a 0 na Polônia, os poloneses vieram com tudo no jogo de volta, tentando virar o confronto. Mas a equipe de Enzo Maresca segurou bem o tranco e garantiu a vaga com competência, e uma pitada de drama, como manda o figurino europeu.
A boa notícia vem num momento crucial. O Chelsea ainda sonha com uma vaga na próxima Champions League via Premier League, mas a missão não é nada fácil. Principalmente depois do tropeço recente diante do lanterna Ipswich, um daqueles resultados que acendem todos os alertas em Stamford Bridge.
Agora, com a moral elevada pela campanha continental, resta saber se os Blues vão conseguir transformar essa energia em consistência na reta final da temporada. Porque se quiserem um lugar entre os quatro primeiros da Premier League, não dá mais pra vacilar.
Foto: Reuters