A França derrotou Senegal na última terça-feira (16) por 3 a 1, em New Jersey, em uma partida complicada diante da forte equipe africana. Em sua estreia na Copa do Mundo, porém, a França precisou mais uma vez recorrer ao talento de seu estrelado elenco para resolver o jogo. Ficou a sensação de que o time de Didier Deschamps joga menos do que pode, dependendo das individualidades de craques como Kylian Mbappé e Michael Olise para salvar os Bleus em momentos complicados.
O confronto mostrou que, apesar da enorme quantidade de talentos, a equipe carece de uma estrutura coletiva capaz de potencializar essas peças. Quando o time mais precisa, a qualidade técnica resolve a situação e garante a vitória, mas a pergunta que fica é: até quando a França terá seus problemas mascarados por suas grandes estrelas?
Mesmo com um elenco estrelado, a França pode jogar mais
O primeiro tempo em New Jersey expôs essa dificuldade. O time de Deschamps encontrou barreiras para furar a sólida defesa senegalesa, que tirava os espaços dos franceses e saía em velocidade nos contra-ataques. Tanto que as duas melhores chances da etapa inicial foram de Senegal: uma bola na trave de Nicolas Jackson e, já nos acréscimos, um chute no travessão de Ismaïla Sarr, que apareceu livre de marcação. Apesar de ter mais posse de bola, a França criou pouco perigo antes do intervalo.
Na segunda etapa, os franceses cresceram na partida. Mais agressiva, a equipe teve em Michael Olise o seu principal articulador, encontrando passes precisos e acionando Mbappé em velocidade. Foi justamente em uma assistência do meia do Bayern de Munique, rasgando a defesa senegalesa, que o camisa 10 abriu o placar.
Mesmo após o 1 a 0, o jogo continuou perigoso. Nicolas Jackson chegou a empatar, mas o lance foi anulado por impedimento. O segundo gol francês veio em mais uma jogada de qualidade individual. Rabiot aproveitou o enorme espaço no meio-campo para encontrar Barcola, que ampliou a vantagem.
Senegal ainda ameaçou reagir com um golaço de Mbaye, mas Mbappé respondeu rapidamente, marcando mais um belo gol e dando números finais à partida.
Foi uma vitória que justificou o favoritismo francês ao título, mas que também deixou claro que essa geração pode render coletivamente muito mais.
As individualidades podem não ser suficientes para a França conquistar o Mundial
No papel, a França provavelmente possui o elenco mais talentoso da Copa do Mundo. Contra Senegal, inclusive, quando o setor ofensivo encontrou dificuldades, o zagueiro Dayot Upamecano fez uma atuação impecável na defesa. Com nomes como Mbappé, Olise, Dembélé, Doué, Cherki, Saliba e Barcola, saindo do banco, o potencial para decidir jogos em lances isolados é enorme.
Porém, o favoritismo baseado apenas em talentos individuais pode ruir diante de seleções mais organizadas. Na Eurocopa de 2024, por exemplo, a França chegou como uma das favoritas, mas acabou eliminada pela Espanha, uma equipe menos brilhante individualmente, mas muito superior coletivamente.
Nesta Copa do Mundo, outras seleções já demonstraram modelos de jogo mais consolidados. A Alemanha mostrou uma forma clara de atuar, com aproximação entre os jogadores, circulação rápida da bola e construção por dentro. Outra equipe que chamou atenção foi a Inglaterra. O time comandado por Thomas Tuchel venceu a Croácia por 4 a 2, exibindo uma pressão intensa e uma marcação sufocante.
O que essas seleções têm em comum? Talvez sejam menos vistosas que a França no quesito talento individual, mas coletivamente parecem mais preparadas. O brilho de Mbappé, Olise e Dembélé pode levar os franceses longe, mas a ausência de uma engrenagem coletiva mais forte tende a cobrar seu preço nas fases decisivas da competição.
A França volta a campo na próxima segunda-feira (22), contra o Iraque, na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo I. Em caso de vitória, os franceses garantem antecipadamente a classificação para a fase de mata-mata.
Créditos da foto: AFP.


