Matías Fernández-Pardo espanha belgica
Copa do Mundo

Conheça a promessa que queria jogar pela Espanha e agora tentará eliminá-la pela Bélgica

Matías Fernández-Pardo chegou a afirmar publicamente que seu coração estava com a Espanha. Um ano e meio depois, o atacante está em outro caminho.

O jogador do Lille escolheu defender a Bélgica, foi convocado para a Copa do Mundo e agora terá justamente a seleção espanhola como adversária na luta por uma vaga nas semifinais.

Do desejo de jogar pela Espanha ao início da desconfiança

Matías Fernández-Pardo
Foto: INSTAGRAM

A história ganhou força no fim de 2024, quando Fernández-Pardo falou abertamente sobre seu futuro internacional. Nascido na Bélgica e com ligações familiares também com Espanha e Itália, o atacante tinha diferentes caminhos disponíveis.

Naquele momento, não parecia existir qualquer dúvida.

Fernández-Pardo afirmou que queria jogar pela Espanha e lembrou que, desde pequeno, acompanhava a seleção. Chegou a citar a final de 2012 e disse que seu coração sempre esteve com o futebol espanhol. Mesmo reconhecendo a concorrência por uma vaga, garantiu que gostava de desafios e que escolheria a Espanha caso fosse chamado.

A Federação Espanhola acreditou na posição do jogador.

Em fevereiro de 2025, toda a documentação necessária foi processada em Las Rozas. O passo seguinte aconteceu apenas um mês depois, quando Santi Denia convocou Fernández-Pardo para dois amistosos da seleção sub-21.

O primeiro encontro entre jogador e seleção não aconteceu.

Uma lesão muscular impediu sua apresentação. A ausência, inicialmente, poderia ser vista como uma situação normal do futebol. O problema foi o que aconteceu logo depois. Quando o período internacional terminou, Fernández-Pardo voltou a jogar pelo Lille sem dificuldades.

A situação causou desconfiança na Espanha.

O atacante sequer teve tempo de fazer as fotografias oficiais com a seleção. Em maio, recebeu uma nova oportunidade ao aparecer na lista inicial para o Europeu Sub-21. Desta vez, acabou entre os jogadores cortados quando Santi Denia precisou reduzir a convocação para 23 nomes.

A Espanha ainda não havia desistido.

Em setembro, Paco Gallardo pretendia levar Fernández-Pardo para a Copa do Mundo Sub-20. O jogador novamente não se apresentou, e a explicação desta vez envolveu o Lille, que não teria permitido sua viagem ao Chile.

Em outubro, veio outra convocação para a seleção sub-21.

A nova ausência não foi explicada por uma lesão. Nesse momento, a Espanha já percebia que havia outro elemento importante na disputa. A Bélgica se movimentava para convencer o jogador e tinha uma oferta difícil de ignorar: a possibilidade de disputar a Copa do Mundo.

A exigência pela seleção principal mudou a relação com a Espanha

luis de la fuente espanha
Foto: IMAGO

Enquanto Fernández-Pardo crescia dentro de campo pelo Lille, sua situação com a Espanha se tornava cada vez mais distante.

A seleção espanhola sempre considerou o atacante um jogador com potencial para o futuro. A mensagem enviada ao atleta era de que existia espaço para ele, desde que as etapas naturais fossem respeitadas.

Fernández-Pardo e seu entorno passaram a adotar outra posição.

O discurso que inicialmente falava em disputar uma vaga mudou. Depois de uma troca de representantes, a nova condição passou a ser resumida em uma frase: seleção principal ou nada.

A Espanha escolheu o nada.

Em novembro, o atacante deixou de ser convocado para a equipe sub-21. David Gordo, treinador da categoria, afirmou que a situação não o preocupava e destacou um princípio importante para a seleção: os jogadores chamados precisavam estar disponíveis e demonstrar vontade de participar.

A resposta mostrava que a relação já estava praticamente encerrada.

A Espanha não pretendia mudar seu processo para garantir a escolha de um jogador que tinha outras seleções como opção. Em Las Rozas, a postura era clara. Fernández-Pardo poderia ter espaço, mas não receberia uma vaga direta na seleção principal como condição para rejeitar a Bélgica.

O caso de Cristhian Mosquera foi utilizado como comparação.

Segundo pessoas ligadas à seleção espanhola, Mosquera respeitou o caminho estabelecido e chegou ao grupo principal com Luis de la Fuente. A mensagem era de que Fernández-Pardo também poderia alcançar o mesmo destino, mas precisaria seguir as etapas.

Existe até a possibilidade de que o atacante estivesse atualmente na Copa do Mundo com a Espanha.

Os problemas ofensivos enfrentados pela seleção durante a competição poderiam ter aumentado suas chances de convocação. Seu crescimento na Ligue 1 também mostrava que o jogador estava se aproximando do nível necessário para receber uma oportunidade.

A escolha por pressionar por uma vaga imediata, segundo a versão espanhola, acabou retirando seu nome dos planos.

Meses depois, Fernández-Pardo apareceu na convocação de Rudi Garcia para defender a Bélgica na Copa do Mundo. Foi então que surgiu uma declaração que aumentou ainda mais a polêmica.

“Nunca disse que queria jogar pela Espanha”, afirmou.

A frase causou surpresa porque suas declarações anteriores haviam sido completamente diferentes. No fim de 2024, o jogador havia dito de forma direta que queria defender a Espanha, que seu coração estava com a seleção e que não teria dúvidas caso fosse escolhido.

Em Las Rozas, a mudança de discurso não provocou a mesma surpresa.

Para a Espanha, a situação já estava resolvida havia meses.

A escolha pela Bélgica termina com um reencontro contra a Espanha

Matías Fernández-Pardo
Foto: LAPRESSE

O destino criou um cenário especial para a história de Fernández-Pardo.

Na sexta-feira, em Los Angeles, Bélgica e Espanha se enfrentam por uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo. O atacante estará do outro lado justamente contra a seleção que um dia afirmou querer representar.

Sua participação no torneio, até agora, foi pequena.

Fernández-Pardo disputou apenas 41 minutos em toda a Copa. O dado ganha ainda mais importância quando analisado ao lado do principal argumento que teria pesado em sua escolha.

A Bélgica oferecia a possibilidade de estar no Mundial, enquanto a Espanha não estava disposta a garantir uma vaga direta na seleção principal.

O atacante conseguiu chegar à competição, mas ainda não conquistou espaço importante dentro do time de Rudi Garcia. Fernández-Pardo não entrou em campo em nenhum dos dois jogos de mata mata disputados pela Bélgica.

Mesmo assim, sua seleção avançou e o colocou diante de um reencontro carregado de significado.

A Espanha seguiu seu caminho sem ele. Fernández-Pardo escolheu a Bélgica. Agora, as duas trajetórias se cruzam em uma das partidas mais importantes da Copa.

Aos olhos espanhóis, o caso serve como exemplo de uma política que a seleção não pretende abandonar. Um jogador pode ter qualidade, potencial e até ser desejado para o futuro, mas isso não significa que receberá garantias para acelerar sua chegada ao time principal.

Fernández-Pardo fez sua escolha.

Primeiro, afirmou que queria jogar pela Espanha. Depois, faltou a diferentes oportunidades de se apresentar às categorias de base. A relação se desgastou, a Bélgica entrou definitivamente na disputa e o atacante mudou seu caminho internacional.

Agora, ele está onde queria.

A frase utilizada para encerrar a história ganha ainda mais força antes das quartas de final. Fernández-Pardo está na Copa do Mundo, veste a camisa da Bélgica e terá a Espanha como adversária.

Resta saber se, depois de apenas 41 minutos no torneio e nenhuma participação nos dois jogos eliminatórios, ele também terá a oportunidade de entrar em campo contra a seleção que um dia afirmou carregar no coração.

(Foto de capa: LOSC Lille)

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Kaique