A Red Bull espera começar a utilizar seu tão aguardado novo túnel de vento durante a temporada 2027 da Fórmula 1. A instalação representa um passo importante para a equipe, que atualmente trabalha com a estrutura mais antiga do grid e busca ampliar sua capacidade de desenvolvimento aerodinâmico para os próximos anos.
Apesar de ter conseguido reverter de maneira impressionante o cenário de sua temporada 2026, a equipe técnica liderada por Pierre Waché ainda enfrenta limitações nos bastidores. Uma das principais está justamente no túnel de vento utilizado pela escuderia, localizado próximo a Bedford, na Inglaterra, e com aproximadamente 70 anos de funcionamento.
O antigo chefe da equipe, Christian Horner, chegou a classificar a instalação como uma relíquia da Guerra Fria. Em outras ocasiões, o britânico comparou o trabalho com o equipamento à tentativa de consultar dois relógios diferentes, em referência às dificuldades de correlação entre os resultados obtidos nas simulações e o comportamento real dos carros na pista.
Mesmo com essas limitações, a Red Bull conseguiu avançar no desenvolvimento de seu carro de 2026. No entanto, Laurent Mekies, atual chefe da equipe, reconhece que a chegada de uma estrutura moderna poderá oferecer uma vantagem competitiva importante.
Red Bull espera ganhar vantagem com nova estrutura
Em entrevista ao Motorsport.com, Mekies concordou que o atual túnel de vento representa uma limitação para a equipe, apesar dos resultados alcançados nos últimos anos. “Por mais que o túnel de vento que estamos utilizando tenha produzido resultados extraordinários nos últimos anos, acredito que sua avaliação está correta: provavelmente é o mais antigo do grid”, afirmou o dirigente. “Como consequência, quando você passa a utilizar uma instalação de última geração, naturalmente espera obter uma vantagem competitiva”, acrescentou.
O investimento em túneis de vento modernos se tornou uma prioridade para diversas equipes da Fórmula 1. A McLaren, por exemplo, utilizou a estrutura da Toyota em Colônia, na Alemanha, a partir de 2010, antes de começar a trabalhar com seu próprio equipamento no verão europeu de 2023.
A nova instalação foi um dos elementos que acompanharam a evolução da equipe nos últimos anos, embora o desempenho de um carro dependa de diversos fatores técnicos e operacionais.
A Aston Martin também construiu um túnel de vento de última geração em seu complexo de Silverstone. Adrian Newey, que passou a integrar o projeto da equipe, já descreveu a instalação como a melhor do setor. Mesmo assim, os resultados obtidos na pista ainda não refletiram todo o potencial do investimento. Esses exemplos mostram que uma estrutura moderna não garante ganhos imediatos. Além de colocar o equipamento em funcionamento, as equipes precisam compreender suas características, calibrar os sistemas e aprender a explorar plenamente suas capacidades.
Quando o novo túnel de vento começará a funcionar?
Mekies deixou claro que a Red Bull ainda não está pronta para utilizar sua nova instalação. O dirigente explicou que o cronograma depende tanto da conclusão dos trabalhos quanto do tempo necessário para realizar os procedimentos de calibração. “Em relação ao cronograma, ainda não está pronto. É algo que entrará em funcionamento em algum momento da próxima temporada”, explicou.
Questionado sobre a possibilidade de a estrutura começar a operar no primeiro, segundo ou terceiro trimestre de 2027, o francês afirmou que a equipe ainda não pode estabelecer uma data definitiva. “Vamos ver. Isso dependerá de quanto tempo precisaremos para colocá-lo em funcionamento e, depois, concluir o trabalho de calibração”, acrescentou. A expectativa é que o equipamento comece a ser utilizado em algum momento de 2027, mas o benefício não deverá aparecer imediatamente em todas as etapas do desenvolvimento do carro.
Carro de 2028 pode ser o principal beneficiado
O cronograma também ajuda a explicar por que o novo túnel de vento não deverá ter influência significativa no desenvolvimento inicial do carro da Red Bull para 2027. Max Verstappen já havia citado a futura instalação como um dos fatores menos evidentes que aumentam sua confiança para a temporada seguinte. O piloto, porém, reconheceu que a estrutura não estará disponível a tempo de contribuir com as primeiras etapas do projeto do RB23, que já está em andamento.
A expectativa é que o equipamento possa ser utilizado para aprimorar o carro de 2027 ao longo da temporada, contribuindo com atualizações e novas soluções aerodinâmicas. O impacto mais amplo, contudo, deverá ser sentido no desenvolvimento do modelo de 2028, que poderá aproveitar a nova estrutura durante uma parcela maior de seu ciclo de evolução. “Provavelmente será para a segunda parte do desenvolvimento do carro de 2027 e, esperamos, para a maior parte do carro de 2028”, concluiu Mekies.
A Red Bull segue trabalhando com a perspectiva de que o investimento fortaleça sua capacidade técnica no médio prazo. Embora a equipe tenha conseguido bons resultados mesmo com um túnel de vento ultrapassado, a instalação moderna poderá oferecer mais recursos aos engenheiros e ampliar as possibilidades de desenvolvimento aerodinâmico nos próximos anos.
Foto: (Reprodução/Motor Sport Images)



