A temporada de 2025 da Red Bull Racing (RBR) foi marcada por uma reviravolta impressionante na Fórmula 1. Apesar de ter ficado distante da liderança do Mundial de Pilotos no meio do ano — a diferença chegou a 104 pontos após o GP da Holanda — a equipe reagiu e quase arrancou o quinto título consecutivo para Max Verstappen, que caiu por apenas dois pontos no fim da disputa.
Essa retomada de desempenho trouxe ânimo à escuderia, e o próprio piloto holandês afirmou que a recuperação em si foi mais significativa do que o resultado. No entanto, o otimismo aparente não significa que tudo permanecerá igual em 2026 — pelo contrário: a RBR parece à beira de uma mudança profunda.
As recentes declarações do conselheiro veterano Helmut Marko levantam dúvidas sobre sua continuidade. Aos 82 anos, ele declarou que “vai pensar” se permanece no time no próximo ano, mesmo com contrato vigente até 2026. A hesitação de Marko é sintomática da reorganização em curso na estrutura da equipe — uma reestruturação que parece buscar um modelo mais sustentável e adaptado à nova fase da categoria e da própria Red Bull.
O peso da transição e o papel de confiança
Marko é, para muitos, o arquiteto da trajetória vitoriosa de Verstappen na Fórmula 1. Foi ele quem defendeu o holandês para entrar no grid em 2015, mesmo com outras opções em vista. Ao longo dos anos, sua influência foi decisiva nas escolhas de pilotos, promoções e na filosofia da equipe — especialmente no departamento de jovens talentos.
Além disso, Marko sempre foi um ponto de apoio para Verstappen. Em 2024, quando surgiu a crise interna envolvendo o então chefe de equipe Christian Horner, o piloto declarou publicamente que sua lealdade a Marko era um dos fatores determinantes para seu futuro na RBR.
A possível saída de Marko, portanto, não é apenas a perda de um conselheiro — pode representar o fim de uma era de confiança, intimidade e decisões tomadas com base numa relação pessoal profunda.
Esse contexto ressalta o peso simbólico e funcional da mudança em curso. Não se trata apenas de troca de nomes ou de cargos: é uma reavaliação da cultura interna da RBR, em um momento em que a equipe precisa se adaptar a novas regras técnicas e a um cenário diferente na Fórmula 1.
Lambiasse também vai sair da Red Bull?
Outro nome importante que pode deixar a Red Bull é o do engenheiro-chefe Gianpiero Lambiase. O ítalo-britânico, que chegou a perder os GPs da Áustria e da Bélgica, foi visto chorando bastante ao término do GP de Abu Dhabi. A imprensa especula uma possível saída por problemas pessoais.
Em entrevista após a prova do último final de semana, Verstappen apenas valorizou o trabalho de Lambiase, sem dar qualquer tipo de pista.
“Então, estou ansioso para ir embora daqui e conversar com ele, porque não tem sido fácil para ele em alguns momentos. Estou muito orgulhoso de poder trabalhar com alguém tão bom”, disse o piloto.
Se sair, qual será o impacto em Verstappen?
As saídas poderiam mexer com os alicerces que sustentam a relação de Verstappen com a equipe. Há quem acredite que, sem essas figuras, o piloto poderia repensar seu futuro – o holandês, vale lembrar, tem contrato até 2028.
Ao mesmo tempo, para a matriz austríaca que comanda a Red Bull global, a reestruturação é vista como inevitável. A morte de Dietrich Mateschitz em 2022 deixou um vácuo de poder e visão, e desde então a empresa tenta se adaptar a uma nova dinâmica de decisão. Uma saída de Marko está inserida neste contexto.
Futuro incerto
A discussão atual na Red Bull transcende simples alterações de cargos. É uma reavaliação de legado, lealdades e do que significa, hoje, ser uma equipe vencedora na Fórmula 1. A possível saída de Helmut Marko — e de colaboradores próximos — traz desafios importantes para a equipe.
Para Verstappen, em especial, o momento é delicado. Sua permanência e motivação podem depender menos de desempenho e mais de confiança. Com isso, a temporada 2026, mais do que técnica, promete ser de definições humanas e estruturais para a RBR.
Foto: Reprodução/Red Bull Racing