Inter de Limeira - Roberto Carlos e Ronado Fenômeno
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Ronaldo e Roberto Carlos na Inter de Limeira: o histórico de gestão do Fenômeno deve animar o torcedor?

A possível chegada de Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos como investidores da Inter de Limeira não movimentou somente o interior paulista, visto que o assunto ganhou proporções nacionais. A união de dois pentacampeões da Copa do Mundo, figuras globais do esporte, em um projeto na Inter de Limeira, um dos clubes mais tradicionais do interior de São Paulo, carrega um grande peso midiático.

Porém, quando a compra for concretizada, ao passar os primeiros meses de trabalho, o histórico executivo de Ronaldo na gestão de clubes justifica a euforia do torcedor da Inter de Limeira e dos analistas de mercado?

Para responder a essa pergunta, é preciso separar a idolatria e história construída nos gramados da frieza exigida nas planilhas e análises da gestão de clubes. Nos negócios do futebol moderno, a chegada de Ronaldo significa a implementação de uma filosofia de gestão extremamente específica, tendo a austeridade como pilar de seu modelo de gestão.

O modelo de negócios do Ronaldo

Ao analisar as passagens do Ronaldo como acionista no Cruzeiro e no Real Valladolid, da Espanha, fica claro que seu perfil de investidor não é o do “mecenas” que injeta dinheiro infinito para contratações de impacto. Ronaldo atua adquirindo ativos subvalorizados ou em crise financeira, aplica cortes drásticos de custos, reestrutura a dívida e utiliza o peso de sua imagem global para alavancar novas receitas comerciais.

No Cruzeiro, Ronaldo assumiu uma instituição com uma grave crise financeira e disputando a Série B do Campeonato Brasileiro. Na Raposa, ele renegociou dívidas que estavam entre as maiores do Brasil; enxugou a folha salarial e conquistou o acesso à Série A logo no primeiro ano de sua gestão. Do ponto de vista dos negócios e reestruturação financeira, o projeto foi um sucesso, culminando na venda rentável de sua participação para o empresário Pedro Lourenço, que ainda está no clube.

Contudo, do ponto de vista do torcedor, a relação sofreu forte desgaste. A recusa em romper o teto de gastos para montar times supercompetitivos na elite gerou protestos intensos, além de romper com jogadores históricos do clube, como ocorreu com o goleiro Fábio, que acabou saindo para o Fluminense.

No Valladolid, o cenário é semelhante ao do Cruzeiro. As finanças do clube espanhol foram saneadas, mas a equipe vive um sobe e desce, alternando entre rebaixamentos e acessos, o que gera a raiva da torcida local.

O fator Roberto Carlos

A adição de Roberto Carlos ao projeto na Inter de Limeira traz uma dinâmica interessante. Embora não tenha o perfil de um CEO focado em finanças, o ex-lateral esquerdo atua como um embaixador de marca. No mercado, a rede de contatos, também conhecida como networking, é um ativo de alto valor.

A presença de Roberto Carlos facilita o trânsito da Inter de Limeira no mercado europeu, abre portas para parcerias de intercâmbio de jogadores com gigantes da Europa e atrai a atenção de jovens talentos que não teriam tanto interesse em atuar no interior paulista. Ele funciona como o relações-públicas de luxo que complementa a visão calculista e executiva de Ronaldo, agregando valor à marca da Inter de Limeira.

O que o torcedor da Inter de Limeira deve esperar?

Para o torcedor da Inter de Limeira, a empolgação deve vir acompanhada de um alinhamento de expectativas realista. O clube não se transformará em uma potência compradora da noite para o dia, contratando grandes estrelas para disputar o Campeonato Paulista ou o Campeonato Brasileiro.

Se o modelo de gestão de Ronaldo for replicado no Limeirão, ele deve profissionalizar todos os departamentos do clube, além de seguir à risca o teto de gastos estabelecido. A Inter de Limeira também deve acabar priorizando a contratação de jogadores novos, baratos e com potencial de revenda, com a ajuda da análise de dados e departamento de scouting do clube.

A gestão Ronaldo deve trazer segurança institucional ao Inter de Limeira, além de um projeto a longo prazo. Ronaldo e Roberto Carlos não irão ser os únicos investidores do clube, visto que outros dois sócios também chegariam ao Leão, sendo um deles o príncipe saudita Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud.

O torcedor deve ficar animado com a venda da SAF para eles. Mas a empolgação não deve ser pelo sonho de uma chuva de investimentos exorbitantes para formar grandes elencos, e sim pela perspectiva real de ver a Inter de Limeira gerida com seriedade e de maneira sustentável, capaz de escalar as divisões do futebol nacional.

Hoje, com o clube na liderança da Série C do Campeonato Brasileiro, os torcedores da Inter de Limeira sonham em retornar para a segunda divisão nacional, competição conquistada pelo clube em 1988 ou mesmo retornar para a elite do futebol brasileiro, algo que o clube não disputa desde 1990, quando foi rebaixado na lanterna do campeonato. Apesar de toda a euforia e da expectativa criadas, os torcedores precisam estar cientes de que será um projeto focado em planilhas saudáveis primeiro, para que os títulos sejam uma consequência depois.

Créditos da foto de capa: Sergio Perez/Reuters