Ronaldo El Clásico
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“Traidores” do El Clásico: relembre 5 craques que atuaram pelos dois gigantes da Espanha!

O “El Clásico” é considerado por muitos o maior duelo entre rivais da história do futebol, desbancando momentos gigantes como Flamengo x Vasco, Boca Juniors x River Plate, Bayern de Munique x Borussia Dortmund e tantos outros. Por conta dessa rivalidade histórica, é meio surreal imaginar que já rolaram algumas situações de “traição” nesse contexto. Porque, vamos combinar: ver um jogador atuar como um culé e depois vestir a camisa dos merengues não é exatamente o que se espera de um clássico com tanto peso.

Dito isso, bora refrescar sua memória e relembrar alguns nomes que ousaram viver os dois lados da moeda. Sim, simplesmente jogaram um “El Clásico” pelo Real Madrid, foram amados pela torcida da capital, e em outra fase da carreira, apareceram do lado catalão, ou vice-versa, sendo ovacionados pelo Barcelona. E olha, não tem como dizer que isso foi “só mais uma mudança de clube”.

5 “traidores” do El Clásico

1. Ronaldo Fenômeno

Ronaldo El Clásico
Foto: Reprodução

 

Sim, vamos começar com o pé na porta trazendo Ronaldo Fenômeno, um dos maiores nomes da história do Brasil e do futebol mundial. O nome dele aparece aqui de forma bem peculiar, porque o atacante conseguiu ser muito querido pelos dois lados da Espanha. No caso, o brasileiro ficou apenas uma temporada pelo Barça, enquanto defendeu os merengues por cinco anos.

Quando jogava pelo Barcelona, Ronaldo era apenas um jovem de 20 anos, cheio de ambição e com sede de fazer história no futebol. E ele chamava atenção de cara: físico invejável, explosão absurda, velocidade impressionante e uma impulsão que dava medo em qualquer goleiro. Era uma máquina. Capaz de decidir jogos com uma arrancada e uma finalização precisa.

No Real Madrid, já era um jogador mais maduro. Ainda letal, ainda veloz, mas com sinais claros das lesões que o acompanharam ao longo da carreira. Mesmo assim, dava aquela sensação de que se resguardava para os grandes momentos. E nos clássicos, ele aparecia.

Ao analisar as passagens pelos dois clubes, dá pra dizer que Ronaldo nunca escondeu sua preferência pelos merengues. E os números também ajudam nessa conclusão: enquanto no Barça foram 46 partidas e 40 gols, no Real Madrid ele atuou em 177 jogos e marcou 104 vezes. Um absurdo dos dois lados, mas com um carinho declarado por Madrid. Neste caso, o “El Clásico” tem um lado vitorioso pra ele.

2. Figo

Figo El Clásico
Imagem: Getty Images

 

Agora a gente entra numa das maiores polêmicas da história do futebol. Luís Figo protagonizou uma das transferências mais controversas já vistas, e talvez a mais odiada pelos torcedores catalães.

A cena de Figo indo bater escanteio no “El Clásico” e sendo recebido com objetos voando, incluindo uma cabeça de porco, virou símbolo da rivalidade. O português chegou ao Barcelona em 1995, a pedido do lendário Johan Cruyff, e logo se destacou como um dos grandes da Europa.

Foram cinco anos com a camisa blaugrana, 249 partidas e 45 gols. Nesse período, conquistou dois Campeonatos Espanhóis, duas Copas do Rei, uma Supercopa da Espanha, uma Recopa da Europa e uma Supercopa da Europa. Faltou só a Champions para fechar o álbum.

E aí veio Florentino Pérez, com promessas ousadas em sua campanha pela presidência do Real Madrid. Ele garantiu que, se eleito, traria Figo do Barcelona. E cumpriu. No dia 17 de julho de 2000, assumiu o cargo e semanas depois apresentou Figo como reforço.

O “El Clásico” pegou fogo de vez. A torcida do Barça sentiu-se traída, e o ódio pelo jogador cresceu de forma absurda. Por outro lado, os merengues o abraçaram. Com a camisa branca, Figo jogou 245 partidas, marcou 57 gols e levantou taças de peso: dois campeonatos nacionais, duas Supercopas da Espanha, uma Champions League e um Mundial de Clubes. Ah, e em 2001 foi eleito o melhor jogador do mundo.

3. Luis Enrique

Luis Enrique El Clásico
Foto: IG/AFP

 

Vamos inverter o roteiro agora: de Madrid para Barcelona. E com um nome que atualmente brilha à beira do gramado: Luis Enrique, técnico do PSG e finalista da atual Champions League. Mas antes de se tornar treinador, ele viveu o El Clásico dentro das quatro linhas.

Revelado pelo Sporting Gijón, foi contratado pelo Real Madrid, onde jogou por cinco temporadas. Lá, não chegou a ser um goleador, mas teve presença constante: 213 jogos e 19 gols. Participou de 15 “El Clásico”, com cinco vitórias, cinco empates e cinco derrotas, tudo igualzinho.

Mas o barulho veio depois da temporada 1995/96, quando ele resolveu trocar os merengues pelo Barcelona. A ousadia por si só já fez com que a torcida blaugrana o abraçasse. E ele retribuiu: logo no primeiro ano, marcou 18 gols e mostrou que estava ali pra fazer história.

Ficou oito temporadas no Barça, com 300 jogos e 108 gols. No clássico, o desempenho foi superior ao que teve em Madrid: oito vitórias, sete empates e apenas quatro derrotas, com cinco gols marcados. Dá pra dizer com tranquilidade que, se tivesse que escolher, Luis Enrique é 100% Barcelona.

4. Michael Laudrup

Laudrup El Clásico
Foto: IMAGO

 

Esse aqui é daqueles que queriam viver os dois lados da moeda pra poder dar opinião com propriedade. E fez isso com estilo. Michael Laudrup, ídolo dinamarquês, foi um dos grandes nomes a atravessar a linha do El Clásico.

Chegou ao Barcelona pelas mãos de Cruyff, que montava o lendário Dream Team. O dinamarquês foi a camisa 10 do time e viveu cinco anos mágicos. Passes precisos, visão de jogo absurda e um controle de bola que encantava. Romário, inclusive, já disse: “Laudrup foi o melhor companheiro que tive. Jogar ao lado dele era uma bênção”.

Ganhou quatro títulos espanhóis, uma Champions League e ainda participou da goleada histórica de 5 a 0 sobre o Real Madrid em um El Clásico memorável. Quase levou outra Champions, mas ficou no banco na final perdida para o Milan.

Só que, ao ser deixado de lado por Cruyff, resolveu mudar de ares, e de camisa. Foi para o Real Madrid e, na temporada seguinte, protagonizou outra goleada por 5 a 0. Só que agora pelos merengues. A vingança estava feita. Ainda foi campeão espanhol com os blancos e fechou sua jornada na Espanha com chave de ouro.

5. Samuel Eto’o

Eto'o El Clásico
Foto: Reprodução/X

 

Esse talvez seja o menos polêmico da lista, mas não dá pra deixar passar. Samuel Eto’o teve uma passagem bem discreta pelo Real Madrid, mas sim, ele vestiu as duas camisas do El Clásico.

Chegou jovem ao Real, atuou pela equipe B, foi emprestado pra vários clubes e, no total, jogou só seis partidas pelo time principal, sem marcar gols. Acabou vendido ao Mallorca, onde se destacou de verdade.

Mas foi no Barcelona que virou lenda. Chegou em 2004 e fez história: em cinco temporadas, marcou 130 gols em 199 partidas e se tornou o maior artilheiro africano da história da La Liga.

Ganhou duas Champions League (2006 e 2009), quatro títulos espanhóis e chegou a ser eleito o terceiro melhor jogador do mundo em 2005, atrás de Lampard e Ronaldinho. Mesmo que sua história com o Real tenha sido apagada, Eto’o carimbou sua presença em El Clásico com autoridade, mas o coração, esse, ficou em Barcelona.

Se no amor dizem que traição não se perdoa, no futebol isso vale em dobro, especialmente num El Clásico. Mas a verdade é que esses “desertores” marcaram época. Uns com vaias eternas, outros com aplausos nos dois lados. No fim das contas, é disso que o futebol vive: emoção, drama e histórias inesquecíveis.

Foto: Reprodução