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Ryan Gravenberch: De decepção na Alemanha ao renascimento em Anfield

Ryan Gravenberch já foi apontado como o próximo grande meio-campista da Holanda, um daqueles nomes que saem da base do Ajax cercados de expectativas. Ainda muito novo, ganhou a fama de “novo Frank Rijkaard”, um peso enorme para qualquer jogador carregar. Rijkaard foi um monstro no Ajax e no Milan, empilhando títulos e jogando em altíssimo nível por anos. Gravenberch, com sua estatura e estilo de jogo, parecia destinado ao mesmo caminho.

Mas o sonho começou a desandar quando ele trocou Amsterdã pelo Bayern de Munique em 2022. Foi uma temporada cheia de frustração: pouco espaço, apenas três partidas como titular em 24 jogos de Bundesliga e uma sensação de que talvez aquela joia estivesse perdendo o brilho. Muita gente na Holanda achava que ele tinha saído cedo demais.

Liverpool entra em cena e muda tudo para Gravenberch

A virada começou quando o Liverpool entrou em cena em setembro de 2023. Pagou 34 milhões de libras e levou o holandês para Anfield. No início, Jurgen Klopp ainda o utilizava pouco, apenas 12 partidas como titular na Premier League, e o meia alternava bons momentos com outros mais discretos. Mas tudo mudou quando Arne Slot assumiu o comando no lugar de Klopp.

Slot conhecia Gravenberch do futebol holandês e apostou nele como o “camisa 6” do time após o fracasso de uma negociação com Martin Zubimendi. Foi uma decisão ousada. E deu muito certo: o holandês virou peça central do esquema do novo técnico e, mais do que isso, voltou a jogar com confiança, mostrando o talento que muita gente achava perdido.

De volante marcador a motor do time

Na primeira temporada sob Slot, Gravenberch brilhou na função mais recuada, dando equilíbrio ao meio-campo. Mas nesta nova temporada ele subiu ainda mais de nível. Continua sendo oficialmente o “número 6”, mas agora tem liberdade para chegar mais ao ataque. O resultado? Dois gols em quatro jogos de Premier League, depois de ter passado em branco nas 37 partidas do campeonato anterior.

Os números mostram como ele está mais participativo: em uma vitória por 1 a 0 sobre o Burnley, por exemplo, deu quatro finalizações e criou quatro chances. Na temporada passada houve 11 jogos em que ele nem chutou nem criou nada; neste ano, já fez isso em todos. E ainda mantém praticamente iguais os números defensivos de desarmes e recuperações.

Um jogador raro no futebol atual

Ex-jogador do Liverpool e comentarista da BBC, Danny Murphy não poupou elogios: “Ele é o melhor e mais importante jogador do Liverpool nesta temporada. Quando ficou fora do jogo contra o Bournemouth, o time ficou exposto. Quando voltou, tudo mudou. Ele tem atributos que poucos têm: percepção espacial, capacidade de carregar a bola pelos espaços, além de um passe refinado”.

Murphy destacou que a maioria dos meio-campistas é especialista em passar a bola entre as linhas. Gravenberch consegue fazer isso e ainda conduzir a bola com elegância, algo cada vez mais raro. Essa combinação de visão, técnica e força física é o que o faz parecer um jogador “feito para a Premier League”.

O toque de Slot e a confiança

Para muitos torcedores, a decisão de não contratar outro volante depois da frustração com Zubimendi parecia arriscada. Mas Slot mostrou conhecer bem seu compatriota. O técnico confiou no jogador e isso fez toda a diferença. “Quando um treinador fala de um atleta de forma tão positiva, você percebe o quanto ele o valoriza”, disse Murphy. “A confiança do treinador dá a plataforma para o jogador crescer”.

Essa relação lembra histórias de outros jogadores que encontraram seu auge com determinados técnicos. Com Slot, Gravenberch parece ter encontrado o ambiente perfeito. O jornalista holandês Marcel van der Kraan, do De Telegraaf, reforça: “Liverpool veio ao resgate depois do Bayern. Slot colocou a peça final no quebra-cabeça de Gravenberch”.

De promessa frustrada a nome de elite

A mudança é impressionante. Quando estava no Bayern, até o pai do jogador admitia dúvidas sobre se ele conseguiria sair do “buraco” em que se encontrava. Agora, ele não apenas se recuperou mentalmente como se tornou referência do Liverpool e peça-chave nos planos da seleção holandesa para o Mundial.

Até aquela comparação de Rafael van der Vaart, que no auge da crise disse que Gravenberch era “melhor que Bellingham” e foi ridicularizado, voltou à tona. Hoje, com o holandês jogando em altíssimo nível, muita gente já não acha a ideia tão absurda assim.

Um meio-campo dos sonhos e um futuro promissor

Com Frenkie de Jong e Tijjani Reijnders, Gravenberch deve formar um meio-campo poderoso na seleção de Ronald Koeman. No Liverpool, ele é visto como um playmaker moderno: um volante que marca, organiza e chega à frente. Para Danny Murphy, ao lado de Vitinha do PSG, ele já é um dos dois melhores “número 6” da Europa.

Poucos ainda duvidam de que Ryan Gravenberch esteja vivendo o início do auge. O “novo Rijkaard” passou por uma queda, mas se reergueu com a camisa do Liverpool. E agora parece pronto para confirmar, de vez, todo o potencial que o mundo enxergou nele ainda adolescente no Ajax.