Após a polêmica demissão de Hernán Crespo do comando técnico do São Paulo, a equipe paulista caiu de rendimento bruscamente. A chegada de Roger Machado muda o estilo de jogo São Paulino e não convence os torcedores. Com duas vitórias e duas derrotas em quatro jogos, Roger vê pela frente um desafio extremamente difícil: se provar novamente capaz de gerir um clube grande no Brasil.
Os números de Crespo que mostram a queda brusca do time
Hernán Crespo deixou o São Paulo com números sólidos que contrastam fortemente com o início de Roger Machado. No total, o argentino comandou 99 jogos: 45 vitórias, 26 empates e 28 derrotas, aproveitamento de 45,45%.
Na segunda passagem (2025-2026), foram 46 jogos com 21 vitórias, 7 empates e 18 derrotas, aproveitamento de 45,65%. Ele ainda conquistou o Campeonato Paulista de 2021 e levou o time à semifinal do Paulistão 2026, onde caiu por 2 a 1 para o Palmeiras.
Esses dados revelam estabilidade. Crespo mantinha o time competitivo mesmo em momentos difíceis, com média de 1,07 pontos por jogo na segunda passagem. A demissão ocorreu logo após a semifinal, em decisão controversa que muitos torcedores e analistas consideraram precipitada.
Desde a saída dele, o São Paulo perdeu consistência: em apenas quatro jogos sob Roger, o aproveitamento está parecido: 50% (duas vitórias e duas derrotas), mas com desempenho ofensivo e defensivo visivelmente inferior.
O time sob o comando de Crespo tinha equilíbrio, pressão alta e transições rápidas. Agora, o estilo de Roger Machado prioriza marcação reativa e posse controlada, o que gerou jogos mais lentos e previsíveis.
Os dois resultados negativos recentes expuseram falhas claras na recomposição e na criação de chances, algo que não era comum na era Crespo. A queda de rendimento é imediata e estatística: de uma média de 1,5 gols marcados por jogo na segunda passagem de Crespo para uma de 1 gol nos quatro jogos de Roger Machado (marcando apenas contra adversários inferiores; Chapecoense e RB Bragantino).
Por que o estilo de Roger Machado não encaixa e o risco de novo fracasso
Roger Machado chega com currículo respeitável em clubes menores, mas histórico problemático em grandes. No Grêmio e no Internacional, ele teve momentos bons, mas sempre sofreu com instabilidade em times de pressão constante. No São Paulo, a mudança tática já aparece nos números: o time concede mais finalizações adversárias e perde posse em zonas perigosas.
Nas duas derrotas, o Tricolor foi dominado em transições e sofreu gols bobos, algo que Crespo evitava com frequência (média de apenas 1,1 gol sofrido por jogo na segunda passagem).
A torcida não se convenceu. Nas redes sociais e nas arquibancadas, o coro de “time sem alma” se repete. O estilo mais conservador de Roger contrasta com a tradição ofensiva do São Paulo e com o elenco montado para jogar para frente. Sem títulos desde 2021 (Paulista com Crespo), o clube vive momento de transição, mas trocar um treinador que entregava 45% de aproveitamento por um que ainda não mostrou evolução é arriscado.
Com apenas quatro jogos, Roger Machado tem aproveitamento numérico similar ao de Crespo, mas o olho clínico mostra regressão: menos intensidade, menos gols e mais fragilidade defensiva.
O desafio agora é enorme. Roger Machado precisa provar que consegue liderar um gigante como o São Paulo, onde a cobrança é diária e o tempo é curto. Se o time não reagir nas próximas rodadas do Brasileirão e na Copa do Brasil, a pressão vai aumentar e a demissão precoce de Crespo pode ser vista como o início de um ciclo vicioso.
A diretoria apostou em mudança para “renovar ares”, mas os dados iniciais não sustentam a decisão. Crespo saía com números respeitáveis e uma semifinal recente. Roger chega com dois empates e duas derrotas em quatro jogos, estilo que não empolga e deixa a torcida desconfiada.
O São Paulo vive momento delicado: ou Roger Machado adapta rápido o elenco ao seu modelo ou o clube vai repetir o erro de trocar treinador sem plano claro. Os números de Crespo servem como alerta. Mudar por mudar nem sempre traz resultado. No Morumbi, o impacto imediato da troca já é negativo e o tempo para corrigir é curto.
Foto: Gilson Lobo



