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São Paulo vence o Boston River e garante a liderança do grupo na Sul-Americana

O São Paulo entrou em campo diante do Boston River carregando duas missões importantes além da simples classificação. A equipe já havia garantido vaga para a próxima fase da Sul-Americana, mas o confronto no Morumbi possuía peso grande para o momento vivido pelo clube. Além da necessidade de confirmar a primeira colocação do grupo, o Tricolor também tentava interromper uma sequência negativa de oito partidas sem vitória, cenário que começava a aumentar a pressão sobre o ambiente da equipe.

Um empate ainda deixava riscos para a liderança do grupo, o que obrigava o São Paulo a buscar a vitória mesmo já estando classificado. O contexto ganhava ainda mais importância pelo momento recente do time, que vinha convivendo com questionamentos sobre desempenho e resultados.

Dorival Júnior aproveitou a partida para fazer algumas alterações no time titular, mas algumas escolhas chamaram atenção principalmente pelo aspecto tático. Pablo Maia iniciou sua segunda partida consecutiva entre os titulares, algo que pode indicar uma retomada importante dentro do elenco. O volante retornou recentemente após período afastado por lesão e havia perdido espaço nas passagens anteriores de Roger Machado e Crespo. Agora, sob comando de Dorival, começa a surgir novamente como peça importante na estrutura do meio campo.

Outra mudança relevante aconteceu no setor ofensivo. Com Luciano fora por lesão, a expectativa poderia ser pela entrada de um meia para reforçar a criação, mas Dorival optou por uma solução diferente. André Silva ganhou oportunidade entre os titulares, mantendo a equipe com dois atacantes mais avançados.

A decisão também pode deixar uma indicação interessante para os próximos jogos. Mesmo sem Luciano, Dorival parece demonstrar preferência por um sistema com dois homens no ataque, algo que pode começar a se tornar uma característica mais fixa dessa nova fase da equipe.

São Paulo dominou totalmente seu adversário no primeiro tempo

André Silva
Foto: Rubens Chiri e Miguel

O São Paulo precisou de poucos minutos para transformar a superioridade inicial em vantagem no placar.

Aos 4 minutos Wendell apareceu bem pelo lado esquerdo e encontrou ótimo passe para André Silva já dentro da área. O atacante cruzou rasteiro para a entrada da área e encontrou Artur. Livre na jogada, Artur acertou um lindo chute de primeira, sem qualquer chance de defesa para o goleiro do Boston River, abrindo o placar no Morumbi.

Aos 17 minutos, o autor do gol, Artur seguiu sendo o grande destaque ofensivo do São Paulo no primeiro tempo e participou diretamente do segundo gol da equipe. Em mais uma jogada explorando velocidade e capacidade no um contra um, o atacante recebeu lançamento pela ponta esquerda e partiu para cima da marcação.

Após dominar a bola, Artur conseguiu driblar em direção à área e criou uma jogada extremamente perigosa. O atacante já preparava um passe para Calleri aparecer livre em condições praticamente ideais para marcar, mas o zagueiro Acosta tentou cortar o passe antes da finalização do argentino.

Na tentativa de evitar o gol, o defensor acabou desviando contra a própria meta e marcou gol contra, ampliando a vantagem do São Paulo no Morumbi.

Além das boas movimentações do São Paulo, outra aspecto interessante chamou atenção no Morumbis, o atacante André Silva chamou atenção pela função exercida dentro do sistema de Dorival Júnior. Conhecido principalmente como um atacante mais fixo dentro da área, esperando oportunidades para finalizar, o camisa 17 apresentou uma característica diferente que os torcedores do São Paulo ainda não haviam visto com tanta frequência.

André Silva atuou praticamente como um meia centralizado na organização ofensiva da equipe.

O atacante recuava constantemente para participar da primeira fase de construção das jogadas, aproximando o meio campo do ataque e ajudando na circulação de bola. Em diversos momentos, era ele quem fazia o papel de articulador pelo centro, enquanto Calleri permanecia mais avançado e centralizado entre os zagueiros do Boston River.

A movimentação acabou dando mais dinâmica ao ataque do São Paulo. Com André saindo da referência ofensiva para participar da criação, o time conseguia gerar espaços entre as linhas defensivas do adversário e aumentar a velocidade das trocas de passes próximas da área.

A escolha de Dorival também parece indicar uma tentativa de tornar o sistema com dois atacantes mais equilibrado, sem perder presença ofensiva mas adicionando maior participação coletiva na construção das jogadas.

O domínio do São Paulo no primeiro tempo foi amplo e o placar de 2 a 0 chegou a parecer pequeno pelo volume produzido pela equipe. Desde os primeiros minutos, o time de Dorival Júnior controlou a posse de bola, ocupou o campo ofensivo e conseguiu pressionar constantemente a defesa do Boston River.

Os números ajudam a mostrar essa superioridade.

O São Paulo terminou a primeira etapa com 63% de posse de bola e nove finalizações, controlando praticamente todas as ações ofensivas do jogo. A equipe conseguiu circular bem a bola pelos lados do campo e encontrou muitos espaços.

Além de Artur, André Silva também foi um dos grandes destaques do primeiro tempo, principalmente pela função diferente exercida dentro do sistema ofensivo.

Atuando muito mais como articulador do que como atacante de área, André participou constantemente da construção das jogadas e apresentou números importantes na criação ofensiva. O camisa 17 acertou 12 dos 14 passes tentados e ainda distribuiu dois passes decisivos que geraram chances claras de gol para o São Paulo.

São Paulo sofre mas garante o resultado

Dorival
Foto: Rubens Chiri e Miguel

O cenário da partida mudou no início do segundo tempo. Depois de um primeiro tempo praticamente controlado pelo São Paulo, o Boston River voltou mais agressivo e passou a conseguir incomodar a defesa tricolor com maior frequência.

A equipe uruguaia aumentou a intensidade na pressão, passou a ocupar mais o campo ofensivo e conseguiu criar situações de perigo principalmente em jogadas rápidas pelos lados do campo.

A mudança de postura também apareceu nos números.

Até os 70 minutos da segunda etapa, o Boston River já havia finalizado nove vezes, um contraste enorme em relação ao primeiro tempo, quando conseguiu apenas um chute durante toda a etapa inicial.

Mesmo sem dominar completamente a posse de bola, o time uruguaio começou a encontrar espaços que não existiam antes. O São Paulo diminuiu a intensidade da pressão sem bola, passou a oferecer mais liberdade no meio campo e viu o adversário crescer dentro da partida.

O comportamento do jogo também reforçou uma característica que tem acompanhado o São Paulo recentemente. Mesmo quando consegue controlar bem determinados momentos das partidas, a equipe ainda demonstra dificuldades para manter o mesmo nível de intensidade durante os 90 minutos

O São Paulo só voltou a recuperar maior controle da partida por volta dos 70 minutos, muito por conta das alterações feitas por Dorival Júnior. A entrada dos jovens Lucca e Pedro Ferreira trouxe novamente intensidade e movimentação para o setor ofensivo, algo que havia diminuído bastante durante boa parte do segundo tempo.

Os garotos da base aumentaram a velocidade das jogadas, deram mais profundidade ao ataque e ajudaram o São Paulo a voltar a ocupar o campo ofensivo com mais frequência.

A melhora acabou gerando um dos lances mais importantes da etapa final.

Após cruzamento para dentro da área, Calleri foi agarrado pela marcação e a arbitragem marcou pênalti para o São Paulo. O lance parecia a chance perfeita para o Tricolor praticamente matar o confronto e ampliar ainda mais a vantagem no placar.

No entanto, após alguns minutos de revisão, o VAR identificou que Calleri estava em posição de impedimento na origem da jogada.

Com isso, a penalidade foi anulada e o jogo seguiu sem alteração no marcador.

Após o pênalti anulado, o São Paulo conseguiu voltar a controlar a partida e praticamente não sofreu mais grandes perigos até o apito final. A equipe diminuiu o ritmo, valorizou mais a posse de bola e administrou a vantagem construída ainda no primeiro tempo sem grandes sustos diante do Boston River.

O cenário da partida acabou resumindo muito do que tem sido o momento recente do time de Dorival Júnior. O São Paulo apresentou um primeiro tempo forte, dominante e com boa organização ofensiva, criando chances, controlando a posse e conseguindo envolver o adversário principalmente pela movimentação do setor de ataque.

Por outro lado, novamente o rendimento caiu bastante no segundo tempo. O time perdeu intensidade, ofereceu mais espaços e permitiu que o Boston River crescesse dentro da partida, algo que já vinha acontecendo em jogos recentes da equipe.

Mesmo assim, a vitória foi suficiente para garantir um objetivo importante da temporada.

O São Paulo confirmou a classificação na primeira colocação do grupo da Sul-Americana e evitou os playoffs contra equipes eliminadas da Libertadores, cenário que poderia tornar o caminho muito mais complicado no mata mata da competição.

Agora, o Tricolor aguarda o sorteio das oitavas de final da Sul-Americana, marcado para sexta-feira, 29 de maio, às 12h, na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai.

Antes da pausa para a Copa do Mundo, a equipe ainda terá um compromisso importante fora de casa contra o Remo. O duelo ganha peso principalmente pelo momento vivido no Brasileirão, já que o São Paulo caiu bastante na tabela nas últimas rodadas e hoje ocupa apenas a sétima colocação em um campeonato extremamente equilibrado.

Por isso, além de celebrar a liderança do grupo continental, o time sabe que precisará voltar a vencer também no Brasileirão caso queira permanecer na disputa por uma vaga direta na próxima Libertadores.

(Foto de capa: Rubens Chiri e Miguel)

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Kaique