O vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, foi julgado na última quinta-feira pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e penalizado com uma suspensão de 15 dias de suas atividades. Com isso, o dirigente terá uma despedida adiantada das funções e perderá a reta final do Campeonato Brasileiro, onde o Rubro-Negro cumpre tabela em mais três partidas até o dia 8 de dezembro, cinco dias antes de seu retorno. Diante de uma nova eleição no clube, Braz já anunciou publicamente não estará no Fla no próximo ano.
O julgamento de Marcos Braz no STJD foi baseado no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prescreve “assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código”. A pena para quem comete tal infração prevê uma suspensão de 15 a 180 dias de suas funções. Sendo assim, o dirigente rubro-negro recebeu um “gancho” mínimo, entretanto, não poderá ter um jogo de despedida, ao contrário de Gabigol.
O ato em questão se refere ao jogo de ida da semifinais da Copa do Brasil, disputado entre Flamengo e Corinthians no Estádio do Maracanã, no início de outubro. Na ocasião, após o apito final da partida vencida pelo Rubro-Negro por 1 a 0, Braz proferiu uma série de críticas à arbitragem, liderada pelo juiz Wilton Pereira Sampaio, e acabou se exaltando na zona mista. De acordo com a súmula, o árbitro relatou ter sido ofendido e desrespeitado pelo dirigente, como afirma o trecho a seguir:
– Relato que após o término da partida, quando a equipe de arbitragem se dirigia para o vestiário, na zona mista, o senhor Marcos Teixeira Braz, vice presidente do Clube de Regatas do Flamengo, proferiu aos gritos as seguintes palavras, repetidamente, em direção a equipe de arbitragem: “Vocês vão f… com o futebol brasileiro, vai tomar no c…, o VAR vai acabar com o futebol brasileiro” –, afirmou, Wilton.
A audiência de Marcos Braz
A sessão do STJD que enquadrou Marcos Braz no código de leis do tribunal foi iniciada no dia 11 de novembro. Porém, o Flamengo conseguiu um efeito suspensivo, adiando o veredito final que manteve uma penalidade ao dirigente. Os representantes da defensoria rubro-negra tiveram a oportunidade de converter a suspensão em uma multa de 40 mil, mas optaram por não exercer essa opção. Desse modo, os advogados do Fla confiavam na absolvição de Braz no caso, contudo, isso não aconteceu.
O advogado do Flamengo, Michel Assef Filho, solicitou a compreensão de todo júri e argumentou que Marcos estaria de saída do cargo e mereceria, pelo menos, uma despedida da torcida. Veja o apelo da defensoria do clube da Gávea:
O Marcos Braz vai deixar o futebol agora, já anunciou, ele não será mais dirigente do Flamengo e tem mais uma ou duas semanas para continuar sendo dirigente. Serviu durante todo esse tempo ao futebol e ao Flamengo sem ser remunerado, e ele está correndo risco de simplesmente não poder mais ir ao estádio. Então é uma situação que eu peço, aliás, uma atenção carinhosa de todos, como se fosse quase uma anistia a esse tema. Porque me parece injusto ele não poder se despedir por todo esse tempo que fez sem causar qualquer transtorno ao futebol, sem ter uma denúncia contra ele – iniciou.
– A única questão que ele teve foi uma advertência, e ele foi absolvido na comissão disciplinar, mas vossas excelências entenderam por condená-lo na pena mínima e aplicar a advertência, e por isso que ele não pode ser mais divertido. E agora, com esta condenação, ele simplesmente não pode voltar ao estádio para se despedir de todo esse tempo que teve. Foi oferecida uma proposta de transação penal de R$ 40 mil para que a pena fosse substituída por essa multa, e o Flamengo achou muito alto. Ou seja, numa despedida, ainda ter que pagar R$ 40 mil para um dirigente, então o Flamengo não aceitou a transação. –, encerrou o advogado.
O veredito final
Apesar do apelo liderado por Assef no julgamento, a requisição flamenguista não foi acatada pelos auditores do colegiado e a decisão final foi unânime pela suspensão de Braz, com sete votos a zero. Desse modo, o vice de futebol terá de ficar ausente de suas funções e não poderá representar o clube, como descreve o código 172 da Justiça Desportiva. Confira o que prevê a diretriz:
A suspensão por prazo priva o punido de participar de quaisquer competições promovidas pelas entidades de administração na respectiva modalidade desportiva, de ter acesso a recintos reservados de praças de desportos durante a realização das partidas, provas ou equivalentes, de praticar atos oficiais referentes à respectiva modalidade desportiva e de exercer qualquer cargo ou função em poderes de entidades de administração do desporto da modalidade e na Justiça Desportiva.”
Por fim, durante os próximos 15 dias, Marcos Braz não poderá sequer estar presente nos compromissos do Flamengo no Brasileirão. A equipe treinada por Filipe Luís terá mais três jogos nessa reta final de torneio, contra o Internacional (casa), Criciúma (fora) e Vitória (casa). Pela 36ª rodada da competição, o Mengão vai encarar a equipe colorada, no Maracanã, no próximo domingo (01), às 16h (pelo horário de Brasília).