O torcedor do Tottenham não imaginava que viveria esse tipo de temporada, simplesmente brigando pela continuidade na Premier League, ainda mais depois de ter sido campeão da Europa League na campanha anterior. Entre trocas no comando, atuações pouco convincentes e uma briga inesperada contra a parte de baixo da tabela, o clube londrino flertou com um cenário que, historicamente, não combina com seu tamanho.
Mas o futebol tem dessas. Quando parecia que o time estava completamente perdido, surgiu um ponto de virada — e ele atende pelo nome de Roberto De Zerbi.
A chegada do italiano não só trouxe uma nova ideia de jogo, como também devolveu algo que parecia ter sumido: confiança. E isso, em uma reta final de temporada, vale muito.
De caos à esperança: o efeito De Zerbi
Antes de De Zerbi, o Tottenham era um time sem identidade. Thomas Frank teve tempo, mas nunca conseguiu fazer a equipe jogar de forma consistente, era mais comum ver os adversários amassando-os, do que ver uma troca real de forças dentro das quatro linhas. Faltava algo, intensidade, organização, talvez até convicção, dá para dizer que o fácil é dizer o que tinha, que no caso, era nada.
Na sequência, a tentativa com Igor Tudor também não funcionou. Em sete jogos, foram apenas uma vitória, um empate e cinco derrotas. Números que falam por si. A sensação era de um time à deriva.
Foi nesse cenário que De Zerbi chegou, colocando uma enorme pulga atrás da orelha de todos que gostam do Tottenham, pelo simples fato de ser um profissional que precisa de tempo para trabalhar. E, mesmo com pouco, já conseguiu mudar o clima. O Tottenham voltou a competir, voltou a parecer um time organizado e, mais importante, saiu da zona de rebaixamento.
Ainda assim, não dá para relaxar. A distância para o perigo não é confortável, e qualquer tropeço pode recolocar o clube em uma situação delicada. A permanência na Premier League ainda está longe de ser garantida.
Planejamento do Tottenham em meio ao risco
Agora vem o ponto mais curioso e, ao mesmo tempo, mais ousado dessa história. Mesmo com a corda no pescoço, o Tottenham já está se movimentando no mercado pensando na temporada 2026/27. É como se o clube estivesse dizendo: “vamos ficar e vamos melhorar”.
Só que existe um detalhe importante: todos esses movimentos dependem diretamente da permanência na Premier League. Ou seja, o planejamento existe… mas com um enorme “se”.
Entre os nomes ventilados, dois chamam atenção. O primeiro é Andy Robertson, lateral-esquerdo do Liverpool, um jogador experiente, com bagagem de alto nível e que elevaria o patamar imediato do elenco, ainda mais se tratando da posição que está “largada”. Grande parte da temporada, Djed Spence atuou improvisado no local, enquanto Destiny Udogie quando era titular, fazia as piores atuações de todos os tempos.
O segundo é Marcos Senesi, zagueiro do Bournemouth, que aparece como uma opção mais sólida para o sistema defensivo, além de ter uma experiência a mais, fugindo da rotina de mercado dos Spurs, que geralmente visava atletas mais jovens, sem tempo de vê-los ganhar casca. O atleta foi um dos destaques dos Cherries nas últimas temporadas.
Mas, reforçando: esses nomes só entram em cena se o Tottenham garantir sua vaga na elite inglesa.
Reformulação inevitável no elenco
Além das possíveis chegadas, o Tottenham também trabalha com saídas importantes. E isso pode mudar completamente a estrutura do time. A tendência é que pelo menos um dos zagueiros titulares deixe o elenco. Cristian Romero e Micky van de Ven estão no radar do mercado, e uma negociação abriria espaço para uma nova peça.
E é aí que entra Luka Vušković, jovem promessa que pertence ao Tottenham, mas está emprestado ao Hamburgo. O defensor é visto como um dos talentos mais interessantes da nova geração europeia e pode ganhar espaço no elenco principal.
No gol, a situação também deve mudar. Guglielmo Vicario está próximo de uma saída rumo à Inter de Milão, o que obriga o Tottenham a buscar reposição. Dois nomes aparecem como opções: Bart Verbruggen, do Brighton, e James Trafford, ligado ao Manchester City.
Ambos jovens, com potencial, mas ainda em processo de afirmação. Ou seja, o Tottenham pode trocar experiência por projeção, mais um sinal de que o clube ainda busca um equilíbrio no seu planejamento.
Confiança ou risco calculado?
O movimento do Tottenham é interessante porque mistura confiança com risco. Por um lado, mostra que o clube acredita na permanência e já quer dar um passo à frente na reconstrução. Por outro, expõe uma dependência clara: se a permanência não vier, todo esse planejamento precisa ser revisto.
E aí entra um ponto fundamental: o impacto psicológico.
Saber que o clube já está pensando no futuro pode ser um combustível para o elenco na reta final. Mas também pode virar pressão extra, afinal, ninguém quer ser lembrado como o grupo que “quebrou” um planejamento inteiro.
O que esperar do Tottenham?
O cenário ainda é instável, mas uma coisa é certa: o Tottenham voltou a dar sinais de vida e isso ficou claro com a dominância sobre o Aston Villa nesta última rodada. E para um time que ainda não havia vencido na Premier League em 2026, já emplacou duas vitórias consecutivas, diante do Wolves e agora, contra os Villains.
Com De Zerbi, o time parece ter encontrado um caminho. Ainda não é um futebol dominante, longe disso, mas já existe organização e competitividade,algo que não se via antes. Agora, a missão é simples na teoria e complicada na prática: garantir a permanência.
Se isso acontecer, o clube já tem um esboço de futuro pronto. Reforços encaminhados, jovens ganhando espaço e uma nova ideia de jogo sendo construída. Se não acontecer… bom, aí a história muda completamente. E, no futebol, a linha entre planejamento e frustração costuma ser bem mais fina do que parece.
Foto: Divulgação/Liverpool

