A derrota do Tottenham para o Sunderland, no último domingo (12), acendeu o alerta vermelho em Londres, tanto para a torcida quanto para Roberto De Zerbi, que estreava no comando da equipe. Mas o problema foi além do resultado: dentro de campo, os Spurs também perderam Cristian Romero, que deixou o gramado lesionado e deve ser desfalque nesta reta final de Premier League.
A primeira impressão do trabalho do italiano, substituto de Igor Tudor, esteve longe de animar. Apático, desorganizado e sem poder de reação, o Tottenham foi superado com justiça — um cenário que aprofunda a crise e aumenta a pressão em um momento decisivo da temporada.
Tottenham em crise e cena de Romero em prantos

A derrota amplia uma sequência alarmante: o Tottenham já soma 14 jogos sem vencer na Premier League. A velha máxima de que o time seria “bom demais para cair” ficou para trás.
Agora, a pergunta é outra — e bem mais incômoda: será que é ruim demais para se salvar?
Pelo que se viu em campo, o risco é real. E uma cena que retrata bem a tragédia é o choro de Cristian Romero. A saída de ‘Cucho’, com suspeita de lesão no joelho após choque com Brian Brobbey, representa mais do que uma baixa técnica — é um abalo emocional.
Um dos poucos líderes do elenco, o zagueiro deixou o campo visivelmente abalado e que gerou repercurssão. O ex-goleiro Ben Foster, por exemplo, questionou se a reação transmitia a mensagem adequada em um momento tão delicado da partida.
Mais do que tática: De Zerbi terá que reconstruir o Tottenham
Conhecido por suas ideias ofensivas no Brighton e no Marseille, De Zerbi agora encara um cenário completamente diferente. Mais do que implementar um modelo de jogo, o italiano precisa reconstruir a confiança de um elenco fragilizado:
A fala em entrevista que citava que seu trabalho é mais mental do que tático contradiz completamente a situação vista no Stadium of Light. Um time sem resposta e que dentro de campo pouco mudou.
Mesmo com um ataque formado por Dominic Solanke, Richarlison e Randal Kolo Muani, o Tottenham criou pouco e praticamente não ameaçou. A equipe teve dificuldade para construir jogadas, não reagiu após sofrer o gol e seguiu previsível. Nem as subidas de Pedro Porro e Destiny Udogie conseguiram dar profundidade ao time.
Do outro lado, o Sunderland controlou o jogo com maturidade. Destaque para Granit Xhaka, que ditou o ritmo e organizou o meio-campo com autoridade.
Cenário de alerta máximo
Com apenas seis jogos restantes, com 30 pontos, na 18ª colocação, e 2 pontos abaixo da zona de segurança, o Tottenham entra de vez em modo de alerta. A pressão também aumenta fora de campo, recaindo sobre a diretoria, representada por Vinai Venkatesham e Johan Lange.
O tempo está se esgotando e, neste momento, o que mais falta ao Tottenham não é talento, e sim reação. O próximo desafio é contra o Brighton em casa, no sábado (18). Por ironia do destino, De Zerbi reencontrará sua ex-equipe e precisará de uma vitória contra ela para recuperar a confiança dos comandados.
Créditos da foto de capa: George Wood/Getty Images.