A efetividade definitivamente não foi o ponto forte do Vasco no empate contra o Paysandu, em São Januário, pela Copa do Brasil. Apesar da classificação garantida às oitavas de final, o time comandado por Renato Gaúcho voltou a demonstrar fragilidades ofensivas e defensivas que podem custar caro diante de adversários mais qualificados ao longo da temporada.
Precisão nas finalizações

Ao analisar a partida como um todo, fica evidente que o Vasco teve volume ofensivo suficiente para construir uma vitória confortável. Foram oito grandes chances criadas, 22 finalizações totais e seis defesas realizadas por Gabriel Mesquita, goleiro do Paysandu. Mesmo assim, o placar terminou empatado em 2 a 2.
Os números ajudam a explicar a sensação de desperdício em São Januário. Das 22 conclusões vascaínas, apenas oito acertaram a meta — um aproveitamento de aproximadamente 36%. Além disso, 16 dessas finalizações aconteceram dentro da área adversária, reforçando a dificuldade do time em transformar volume ofensivo em eficiência.
O Vasco encontrava espaços com facilidade, principalmente pelos lados do campo. Pela esquerda, Brenner alternava movimentações com David e conseguia atacar constantemente o corredor. Pela direita, Marino Hinestroza foi um dos destaques da equipe, criando desequilíbrios mesmo sem participar diretamente dos gols.
O cenário deixa claro que o time consegue produzir ofensivamente, mas ainda sofre para converter suas oportunidades em tranquilidade no placar.
Transformar um jogo fácil em difícil
Se ofensivamente faltou precisão, defensivamente o Vasco voltou a apresentar problemas já conhecidos.
Depois de vencer por 2 a 0 no Mangueirão, o Cruzmaltino entrou em campo com vantagem confortável para administrar a classificação. E, durante boa parte do primeiro tempo, parecia ter o confronto totalmente sob controle. Só que o roteiro mudou rapidamente.
Até os 42 minutos da etapa inicial, o Vasco repetia o placar da ida e praticamente não corria riscos. Porém, o gol marcado por Thayllon recolocou o Paysandu no jogo e expôs novamente as dificuldades defensivas da equipe carioca.
Na jogada, o time paraense trabalhou bem a bola na entrada da área, explorando a falta de coordenação entre Lucas Piton e Freitas pelo lado esquerdo da defesa. Caio Mello teve liberdade para construir a jogada individualmente antes de servir Thayllon.
O problema não foi isolado. Antes mesmo do primeiro gol, o Paysandu já havia encontrado espaços para finalizar de média distância em duas oportunidades, obrigando Léo Jardim a trabalhar.
O alerta estava dado, mas o Vasco voltou a sofrer pelos lados do campo no lance do empate.
Após cruzamento pela esquerda, Puma Rodríguez — que entrou no segundo tempo após lesão de Paulo Henrique — não conseguiu acompanhar a jogada. Na sequência, Alan Saldivia desviou contra a própria meta e decretou o empate em São Januário.
Mais uma vez, o Vasco transformou um jogo aparentemente controlado em um cenário de tensão desnecessária.
Vasco na temporada 2026
São ajustes que certamente serão cobrados por Renato Gaúcho na rotina de treinamentos. Porque, embora a classificação tenha vindo, erros como os apresentados diante do Paysandu tendem a ser punidos de maneira muito mais severa contra equipes de maior nível técnico.
O Vasco volta a campo no sábado (16), às 18h30, quando enfrenta o Internacional, no Beira-Rio, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Clube de Regatas Vasco da Gama
