O Vasco engatou uma grande sequência de bons resultados durante o segundo turno e chegou a ser o time que mais fez pontos durante a segunda parte do Brasileirão, com uma arrasadora campanha que superou inclusive os líderes Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e Mirassol. A derrota para o São Paulo em São Januário foi vista como acidental devido ao bom desempenho demonstrado mesmo com placar adverso, mas a goleada sofrida por um “mutilado” Botafogo no Nilton Santos na 32ª rodada do Brasileirão chama atenção negativamente, justamente pelo amplo domínio construído pelos mandantes do início ao fim.
Vasco foi dominado pelo Botafogo durante os 90 minutos
Foram diversas as dificuldades que o Vasco encontrou nas tentativas de sair construindo as jogadas com muitos passes desde o goleiro devido à postura agressiva do Botafogo, que estava bastante concentrado e firme nas tomadas de decisão em relação à intensidade do jogo. Quando tentava fazer o mesmo e subia suas linhas para impedir a saída adversária, o time de Davide Ancelotti estava, com lançamentos curtos e passes precisos, encontrando espaços em um meio-campo completamente fora de encaixe e chegava no terço final com bastante liberdade. Parte considerável disso ocorreu por conta de um Vegetti que não consegue mais ser firme nas transições e um Coutinho que teve uma péssima noite com baixa intensidade na marcação, chegando inclusive à discutir com seu técnico.
Outro nome que prejudicou muito o Vasco consistiu em Tchê Tchê, que errou praticamente tudo o que tentou contra sua ex-equipe no Nilton Santos, permitindo um cenário no qual Marlon Freitas teve uma liberdade absoluta do início ao fim em campo, e o meia do Botafogo aproveitou, circulando pela esquerda e acionando muito Vitinho e Santi Rodríguez pelo lado direito, onde Robert Renan e Lucas Piton também estiveram abaixo e permitiam a circulação adversária.
Ainda assim o Vasco estava conseguindo evitar uma derrota parcial no primeiro tempo, até que Carlos Cuesta cometeu um pênalti claríssimo na última jogada antes do intervalo, permitindo que Alex Telles abrisse o placar a favor do Botafogo. Para o segundo tempo, Diniz apostou na entrada de Matheus França para atuar improvisado como um segundo meio-campista buscando tornar o Gigante da Colina mais ofensivo, só que a estratégia acabou deixando o time ainda mais exposto e França acabou cometendo muitos erros invidiais nas tentativas de construir jogadas. Essas insistências de Fernando Diniz permitiram que o Botafogo aumentasse sua vantagem com mais dois gols no segundo tempo, transformando a vitória em goleada. O placar só não foi maior ainda porque outras duas bolas foram na trave.
O que fica para o Vasco após a goleada sofrida?

O Vasco não conseguiu aproveitar o embalo e sofreu duas derrotas em dois confrontos direitos por vaga na Libertadores, ficando estacionado com 42 pontos e podendo ficar oito atrás do G-7 caso o Fluminense supere o Mirassol nesta quinta-feira. Pior ainda foi o Gigante da Colina expor algumas de de suas principais fragilidades contra o Botafogo e abrir um caminho para que o Tricolor das Laranjeiras possa explorar essas situações no confronto decisivo das semifinais da Copa do Brasil.
Imagem: AGIF