Tudo indicava que o Corinthians teria dificuldades novamente depois que André foi expulso ainda no primeiro tempo, mas o Vasco foi incapaz de furar o sistema defensivo do Timão em mais de 50 minutos de futebol e acabou mostrando a fragilidade do trabalho de Renato Gaúcho após o impacto inicial. A derrota por 1 a 0 na Neo Química Arena, pela 13ª rodada do Brasileirão, afeta a confiança do cruzmaltino, que precisará refletir muito enquanto divide suas atenções com um jogo decisivo pela Sul-Americana diante do Olimpia, e pelo fato de jogar em casa, certamente haverá pressão da torcida pela vitória.
Vasco teve sua pior atuação tática com Renato Gaúcho
Nos minutos iniciais, o Corinthians apresentou traços característicos do modelo de Diniz: saída curta, aproximações por dentro e tentativa de atrair a pressão vascaína para explorar espaços entre linhas. A equipe conseguia circular a bola com relativa fluidez, principalmente com Rodrigo Garro articulando pelo corredor central. Foi justamente dessa dinâmica que nasceu o gol: uma jogada trabalhada, com passe criativo de letra do meia, encontrou Matheus Bidu infiltrando pelo lado esquerdo para finalizar e abrir o placar ainda na primeira etapa.
A partir desse momento, porém, o jogo sofreu sua ruptura tática mais importante. A expulsão de André (em um lance desnecessário no ataque) ainda no primeiro tempo redesenhou completamente o confronto. Com um a menos, o Corinthians abandonou a ideia de protagonismo com a bola e passou a priorizar a proteção de espaços, adotando linhas mais baixas e compactas.
No segundo tempo, o Vasco, com superioridade numérica, avançou suas linhas e passou a ocupar o campo ofensivo, tentando pressionar a saída e aumentar o volume de finalizações. No entanto, encontrou dificuldades para transformar posse em chances claras. Isso se deve, sobretudo, à organização defensiva do Corinthians: os volantes recuavam para fechar o funil central, enquanto a linha de defesa mantinha bom controle de profundidade, evitando infiltrações e forçando o adversário a chutes de média e longa distância, muitos deles sem grande perigo.
Individualmente, a atuação defensiva foi determinante, pois jogadores de meio-campo tiveram papel crucial nos duelos e coberturas, anulando as principais tentativas do Vasco pelos lados e por dentro, com destaques para as atuações de Gustavo Henrique e Raniele. O Timão também se destacou na proteção da área e no controle das segundas bolas, elementos essenciais para sustentar o resultado em inferioridade numérica.
Do lado vascaíno, faltou maior repertório ofensivo, pois a pesar do domínio territorial, o time carioca mostrou dificuldades para acelerar a circulação e encontrar espaços entre linhas. Houve excesso de jogadas previsíveis, com pouca variação de movimentos e escassez de infiltrações coordenadas. Assim, mesmo com um jogador a mais durante toda a etapa final, o Vasco não conseguiu desmontar o bloco defensivo adversário.
Os piores destaques individuais na derrota do Vasco
Diante dos destaques negativos, o pior de todos acabou sendo Brenner, atacante que passou todo o primeiro tempo discreto e não buscou mais contribuir com as ações ofensivas no restante do tempo, dando a sensação de que o Vasco estava com um a menos. Defensivamente, o zagueiro Saldivia merece o destaque negativo, perdendo vários duelos contra os jogadores do Timão, além de ter permitido a finalização de Bidu no gol sofrido.
Imagem: AGIF



