O ex-craque Zinedine Zidane conta os dias para voltar ao trabalho como treinador, especialmente no comando da seleção francesa. A realidade atual difere bastante daquela de 2022, quando a renovação inesperada de Didier Deschamps o surpreendeu e frustrou sua maior ambição: dirigir os Bleus. Desta vez, o cenário é outro. O técnico que levou a França a duas finais de Copa do Mundo deixará oficialmente o cargo após o Mundial de 2026, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México. Com isso, Zizou desponta como favorito absoluto para assumir o cargo, e os dirigentes da Federação Francesa de Futebol (FFF) acreditam que chegou a hora de iniciar um novo ciclo.
Segundo informações de bastidores reveladas pelo jornal L’Équipe, Zidane demonstra impaciência para voltar ao banco de reservas. Ele tem se preparado intensamente para a função, dedicando-se à análise de jogos e até buscando conselhos de Laurent Blanc, que comandou a seleção entre 2010 e 2012. A FFF, por sua vez, evita comentar abertamente sobre o futuro da equipe. O presidente Philippe Diallo declarou recentemente que o marselhês é “um monumento do futebol francês e mundial”, elogiando também “a obra grandiosa no Real Madrid”.
Desde que deixou o clube merengue em 2021, Zidane não aceitou nenhuma proposta, justamente porque esperava pelo convite da seleção com a qual brilhou como jogador, conquistando o Mundial de 1998 e o vice em 2006. Como técnico, acumula um currículo de peso: 11 títulos pelo Real Madrid, incluindo três Champions League seguidas (2015/16, 2016/17 e 2017/18) e duas La Ligas (2016/17 e 2019/20). Nem mesmo a frustração de 2022 diminuiu sua motivação. Na França, a paciência de Zizou foi vista como um gesto de respeito, e os dirigentes agora acreditam que a espera valerá a pena com a sucessão de Deschamps.
O L’Équipe também aponta que Zidane não vê necessidade de se antecipar com contatos individuais aos jogadores, já que, quando a nomeação se confirmar, muitos deles o procurarão espontaneamente. Entre esses atletas está Kylian Mbappé, que sonha em ser comandado pelo ídolo. A relação entre ambos é próxima e cordial, alimentando expectativas de uma parceria histórica. Faltando menos de um ano para o Mundial, cresce a expectativa de que a França receba em breve uma de suas maiores lendas, sucedendo Michel Platini como símbolo máximo de uma nova era no futebol europeu.
Zidane projeta retorno e mira comando dos Bleus após 2026
Zinedine Zidane, ícone eterno do futebol francês, está cada vez mais próximo de retomar a carreira de treinador. Fora de cena desde sua saída do Real Madrid, em 2021, o ex-meia vê na seleção nacional a oportunidade ideal de retorno, principalmente após a confirmação de que Deschamps encerrará seu ciclo após a Copa do Mundo de 2026.
A FFF vê no campeão mundial de 1998 o sucessor natural para conduzir o time no ciclo pós-Mundial. O próprio Zidane já declarou publicamente o desejo de assumir a seleção, chamando a possibilidade de “um sonho” e se dizendo plenamente “legítimo” para ocupar o cargo. Seu estilo de comando é marcado pela gestão humana, flexibilidade tática e pela capacidade de potencializar jogadores decisivos — qualidades que ficaram evidentes na passagem vitoriosa pelo Real Madrid, onde faturou três Champions League consecutivas. Em um elenco francês repleto de jovens promessas e craques consolidados, sua missão será equilibrar renovação e experiência para manter os Bleus no topo do futebol mundial.
A expectativa em torno da chegada de Zidane se fortalece também pelo peso simbólico. Ídolo máximo da França, campeão e finalista de Copas como jogador, ele goza de enorme respeito tanto dos atletas quanto da torcida. Se confirmado, seu desafio será dar sequência ao legado de Deschamps e preparar a seleção para os próximos compromissos de peso: a Euro 2028 e a Copa do Mundo de 2030.
O que pode mudar na França com Zidane no comando
Com a saída anunciada de Deschamps após o Mundial da América do Norte, a França se prepara para viver transformações em sua forma de jogar. E o nome mais forte para conduzir essa mudança é justamente o de Zidane. Nos últimos anos, a equipe se consolidou sob um modelo pragmático, pautado na consistência defensiva, organização tática rígida e exploração das transições rápidas. Essa fórmula, embora eficiente — coroada com o título mundial de 2018 e o vice em 2022 —, foi alvo de críticas por muitas vezes sacrificar o jogo ofensivo.
Zidane, no entanto, traz consigo outra abordagem. Seu estilo valoriza mais a posse de bola, a circulação paciente e o controle territorial. No Real Madrid, soube unir solidez defensiva à liberdade criativa dos atacantes, como Cristiano Ronaldo e Benzema. Em um elenco francês repleto de talentos ofensivos — Mbappé, Olise, Coman e outras promessas emergentes —, essa filosofia pode representar um salto qualitativo no desempenho da equipe.
Além do aspecto tático, Zidane é amplamente reconhecido por sua gestão de grupo. Ex-jogador de elite, tem autoridade natural no vestiário, algo crucial em uma seleção composta por estrelas internacionais. A expectativa é que consiga criar um ambiente equilibrado, ao mesmo tempo descontraído e competitivo, capaz de unir o elenco em torneios de curta duração.
Na prática, a França sob o comando de Zidane deve encontrar um meio-termo entre a disciplina herdada da era Deschamps e um estilo mais ofensivo e ousado. O desafio será transformar o talento abundante em resultados expressivos, diante da forte concorrência mundial.
Caso confirmado, o retorno de Zidane representará muito mais do que a chegada de um novo treinador. Será a volta de um símbolo nacional, chamado a escrever mais um capítulo de glórias na história dos Bleus.
(Foto: Getty Images)



