O Grêmio voltou a jogar um futebol paupérrimo. E a falta de futebol assusta bem mais o torcedor do que a própria derrota por 1 a 0 para o Red Bull Bragantino. Levar o gol nos acréscimos, depois de passar quase o jogo todo levando sufoco no interior paulista, é um golpe duro. Só que a crise do time de Luís Castro não começou aos 50 minutos da etapa final, quando Gustavo Marques subiu sem marcação para fazer de cabeça. O buraco tático e a passividade do time já estavam expostos há muito tempo.
Logo após a eliminação dolorosa para o Bolívar na Copa Sul-Americana, o Grêmio até deu uma resposta. Passou pelo Mirassol na Copa do Brasil e bateu o São Paulo pelo Brasileirão. Parecia que o time havia conseguido juntar os cacos e recuperar um pouco da confiança.
Só que a reação durou pouco. Nas duas partidas seguintes fora de Porto Alegre, o Grêmio voltou a perder. Levou 3 a 0 do Atlético-MG e, agora, caiu diante do Bragantino. Mais do que os resultados, as atuações trouxeram velhos problemas de volta: um time incapaz de ditar o ritmo, com dificuldades na saída de bola e pouca produção ofensiva quando não encontra espaço para atacar.
O clássico chega no momento mais tenso do ano
Grêmio e Internacional disputam uma vaga nas semifinais da Copa do Brasil, com o primeiro jogo no Beira-Rio e a volta na Arena do Grêmio.
O mata-mata chega em um momento delicado. Eliminar o maior rival não resolveria todos os problemas do time, mas poderia mudar completamente o ambiente. Para um elenco pressionado, avançar em um Gre-Nal seria uma injeção de confiança importante.
O contrário também pesa. Uma eliminação para o Inter, principalmente depois das derrotas para Atlético-MG e Bragantino, aumentaria bastante a pressão sobre Luís Castro e sobre o próprio planejamento do clube para a temporada.
Diretoria ainda banca Luís Castro, mas o discurso mudou
Luís Castro segue respaldado pela diretoria. O português tem 47,2% de aproveitamento no comando do Grêmio e continua contando com a confiança do clube. Mas Paulo Pelaipe deixou um recado importante após a derrota para o Bragantino. Questionado sobre o futuro do treinador, o diretor executivo de futebol afirmou que “tudo na vida tem limite”. Ao mesmo tempo, ressaltou que o clube continua dando condições de trabalho ao técnico e espera resultados depois das mudanças realizadas no elenco.
Não é uma demissão anunciada, mas também está longe de ser um cheque em branco. O Grêmio fez mudanças no elenco e espera que elas apareçam dentro de campo. Até agora, isso aconteceu de maneira muito irregular.
O Grêmio não consegue controlar as partidas
Contra o Bragantino, o problema ficou evidente. O adversário terminou com 27 finalizações contra 14 do Grêmio, teve 54% de posse de bola e cruzou 37 vezes, mais que o dobro das 18 tentativas gremistas.
Nem todos os cruzamentos foram perigosos, mas a insistência funcionou. O Bragantino conseguiu manter o Grêmio recuado durante boa parte do jogo e explorou constantemente a bola aérea.
O Tricolor melhorou no segundo tempo, teve mais espaço para atacar e encontrou algumas escapadas. Noriega, por exemplo, obrigou Tiago Volpi a fazer uma grande defesa em cabeceio. Jovane Cabral teve chance de uma arrancada, mas cometeu grave erro técnico.
Mas foram lampejos. O Grêmio terminou a partida com apenas uma finalização no alvo. A dificuldade para sair da pressão e construir jogadas pelo chão voltou a aparecer, assim como os erros nas decisões no último terço.
O problema não é apenas Luís Castro
Colocar tudo nas costas do treinador seria cômodo demais. Luís Castro tem responsabilidade, claro. É ele quem precisa encontrar soluções para fazer o time jogar. Mas os jogadores também precisam responder. O Grêmio tem errado passes, tomado decisões ruins perto da área adversária e demonstrado pouca capacidade para transformar posse em chances claras.
O time parece mais confortável quando encontra espaços para acelerar. Quando precisa tomar a iniciativa e construir o jogo contra uma defesa organizada, as ideias ficam menos claras.
Isso não apareceu apenas em Bragança Paulista. Contra o Atlético-MG, o cenário também foi ruim. E, antes disso, o Grêmio já vinha alternando momentos de reação com atuações abaixo do esperado.
É justamente essa falta de sequência que preocupa.
Brasileirão já acende outro alerta
A situação na tabela também exige cuidado. O Grêmio está em 15º lugar, com 25 pontos. O Internacional tem a mesma pontuação e aparece em 16º, enquanto o Mirassol abre a zona de rebaixamento com 24.
A margem é mínima e por isso, o Grêmio não pode tratar o Brasileirão como algo secundário enquanto concentra todas as forças na Copa do Brasil. Uma eliminação para o Inter já seria ruim. Se vier acompanhada de novos tropeços no campeonato, a situação pode se complicar rapidamente.
Grêmio precisa transformar o Gre-Nal em ponto de virada
O Grêmio já mostrou que consegue reagir depois de momentos ruins. Passou pelo Mirassol, venceu o São Paulo e parecia ter recuperado um pouco de tranquilidade após a eliminação para o Bolívar.
Depois, perdeu para Atlético-MG e Bragantino. Agora vem o Internacional.
Um Gre-Nal de Copa do Brasil não permite acomodação. A cobrança é diferente, a intensidade é maior e esconder problemas fica muito mais difícil. Por isso, o clássico pode ser a oportunidade mais importante que Luís Castro terá no curto prazo para mudar a percepção sobre seu trabalho.
Uma classificação não apagaria os defeitos do Grêmio, mas daria ao elenco algo que hoje parece escasso: confiança. Uma nova frustração, por outro lado, pode fazer o debate deixar de ser sobre evolução e passar a ser sobre mudanças.
O Grêmio precisa reagir agora. Não necessariamente porque o Gre-Nal seja a última chance de Luís Castro, mas porque é a maior oportunidade para o time mostrar que ainda consegue competir, responder à pressão e, principalmente, sustentar uma reação.
O Grêmio já mostrou que consegue dar uma resposta. Agora precisa provar que consegue mantê-la.
Foto: Fernando Roberto/GRÊMIO FBPA/Divulgação



