A Seleção Brasileira se prepara para ganhar uma nova identidade com Carlo Ancelotti no comando. Diferente das últimas experiências com Fernando Diniz e Dorival Júnior, a Amarelinha quer recuperar parte do que viveu com Tite: uma postura dominante, especialmente dentro da América do Sul, mirando voos mais altos e retomando aquele ar de “quem manda aqui somos nós”.
Dá pra dizer que a saída do técnico gaúcho acabou desfigurando a Seleção. O projeto de Tite foi por água abaixo diante da Croácia no Catar, e isso ainda pesa na cabeça dos torcedores. O Brasil entrou numa fase de transição esquisita, com mudanças, caras novas e agora, um novo treinador.
Pra acelerar esse processo, a CBF fez o impensável (e histórico): contratou, pela primeira vez, um técnico estrangeiro. E não é qualquer nome. É Carlo Ancelotti, um dos mais vitoriosos da história do futebol. A missão dele? Preparar um grupo competitivo rumo à Copa do Mundo de 2026.
A chegada de Ancelotti já era um sonho antigo, mas as idas e vindas com o Real Madrid, os boatos que nunca viravam realidade e as negociações emperradas atrasaram a história. Agora, com tudo oficializado, ele está à frente da Seleção, já lançou sua primeira convocação com algumas surpresas, e começa a trilhar o caminho nas Eliminatórias com a missão de colocar o Brasil no topo novamente, de olho no hexa.
Os desafios de Ancelotti na Seleção

A saída de Tite deixou um buraco. Muita gente criticava o trabalho, mas é inegável que a Seleção era sólida com ele. Depois da Copa, ficou claro que os sul-americanos cresceram e o Brasil, que antes passeava nas Eliminatórias, passou a tropeçar onde não tropeçava.
Com Diniz, que chegou a pedido de muitos jogadores, a ideia era dar liberdade criativa. Mas a verdade é que ele nunca conseguiu implementar seu estilo 100%, já que dividia a função com o Fluminense. A Seleção virou um laboratório, sem muita consistência, e as trocas de passe desde o goleiro, por exemplo, pareciam mais um ritual do que uma estratégia.
Depois veio Dorival Júnior, campeão da Copa do Brasil com o São Paulo, e tentou reorganizar a casa. Só que a eliminação na Copa América para o Uruguai, com direito a prorrogação sem chute no gol dos caras, deixou um gosto amargo. O time até mostrava lampejos, mas faltava sequência, identidade, confiança. Rolou até um leve pânico sobre a possibilidade de ficar fora da próxima Copa.
Diante disso, a busca por um nome de peso foi inevitável. Chegaram a cogitar Carlo Ancelotti, Renato Gaúcho, Abel Ferreira, Jorge Jesus… mas no fim, a experiência e o currículo do italiano pesaram. E o grande desafio dele agora é reconstruir uma identidade vencedora, colocar os jogadores no trilho certo o mais rápido possível, o tempo até 2026 voa.
Vale lembrar que Ancelotti não se despediu em alta do Real Madrid. A temporada foi frustrante: nenhum título, desempenho abaixo do esperado e o Barcelona nadando de braçada. Isso mesmo com Mbappé, Vini Jr., Rodrygo, Courtois, Valverde, Bellingham e companhia. Ou seja, o italiano chega com muito a provar também.
A expectativa com Ancelotti na Seleção

A primeira convocação de Carlo Ancelotti trouxe algumas surpresas, mas também mostrou sinais claros do que ele quer. A volta de Casemiro é um recado direto: o técnico quer experiência, liderança e alguém que conheça o peso da camisa amarela. O volante, que andava apagado no Manchester United, voltou a jogar bem e pode ser peça-chave como primeiro nome intocável do elenco.
Apesar da idade, Casemiro ainda tem lenha pra queimar. Pode atuar como primeiro homem ou até segundo volante, dependendo de quem o acompanhar. Nessa função, Ederson (Atalanta) e Andrey Santos (Strasbourg) aparecem como boas opções. São jogadores com força física e técnica, que podem dar suporte ao camisa 5 e manter o equilíbrio do meio.
Além disso, a mentalidade vencedora também é algo que Casemiro pode (e deve) transmitir aos mais jovens. E aqui entra outro diferencial de Ancelotti: enquanto Dorival parecia mais preocupado em chamar jogadores de confiança momentânea, o italiano mostra que está pensando no agora, no médio e no longo prazo.
Outro desafio será recuperar o brilho dos astros que arrebentam na Europa, mas somem na Seleção. Vinicius Jr., por exemplo, foi simplesmente absurdo em 2023/24 com a camisa do Real Madrid, mas quando vestia o amarelo, o futebol parecia ter ficado na Espanha. Golzinhos aqui, uma assistência ali… mas aquele Vini de Champions League não dava as caras na Data FIFA.
O mesmo vale para Rodrygo e até Raphinha. Nenhum deles joga na Seleção como joga por seus clubes. E é nesse ponto que Ancelotti vai precisar ser um verdadeiro “mestre cuca”: saber cozinhar o elenco, entender os temperos e fazer com que o prato principal, os craques, brilhem de verdade.
Foto: Divulgação/CBF