Ancelotti Brasil Seleção
Futebol Seleção Brasileira

Brasil mostra evolução tática, mas ainda esbarra na falta de criatividade no meio-campo

O Brasil entrou em campo nesta última quinta-feira (5) para colocar um ponto final nas dúvidas sobre como seria a estreia de Carlo Ancelotti no comando. O adversário foi o forte Equador, em Guayaquil, onde o cenário apontava para um jogo daqueles, duro de assistir até pra quem ama futebol. Mesmo sem a parte boa da bola rolando, deu pra notar uma Seleção pentacampeã mais organizada taticamente. Só que, como quase sempre, alguns probleminhas pularam na tela.

Com várias especulações sobre o time que Ancelotti usaria pra colocar o Brasil pra funcionar, o italiano decidiu escalar três volantes numa espécie de 3-3-4 com a bola e um 4-1-4-1 sem ela. Uma das novidades foi Estêvão, substituindo o suspenso Raphinha. O garoto acabou improvisado como um pseudo camisa 10 em alguns momentos, e… digamos que a engrenagem travou um pouco.

Na parte defensiva, a Seleção foi muito bem. O novo quarteto com Vanderson, Alexsandro, Marquinhos e Alex Sandro passou segurança quando o Brasil estava sem a bola. Mas aí vinha o problema: quando a bola caía nos pés brasileiros, a dificuldade era clara pra conectar o meio com o ataque.

Brasil de Ancelotti: primeiros passos

Ancelotti Brasil
Foto: Rodrigo BUENDIA / AFP

 

Mesmo sem começar as Eliminatórias com um show de bola, o Brasil de Carlo Ancelotti mostrou sinais positivos nessa primeira amostra. Vale lembrar que o italiano teve só três treinos com o grupo, e em dois deles com o elenco completo. Ou seja, calma lá com as cornetas.

A expectativa do torcedor brasileiro sempre vai ser ver a Seleção atropelando todo mundo na América do Sul. Todo mundo, menos a Argentina, com quem a gente “deveria” sofrer, mas vencer no fim. E olhando o momento do Equador, dá pra dizer que eles estão alguns passos à frente do Brasil em termos de projeto e continuidade de trabalho.

Ainda assim, os equatorianos não conseguiram empurrar o Brasil para o buraco. Todo esse contexto ajuda a baixar um pouco a empolgação de quem esperava um espetáculo imediato sob comando de um estrangeiro pela primeira vez na Seleção. E não é qualquer estrangeiro: é simplesmente um dos técnicos mais vitoriosos da história. Fica difícil não sonhar alto.

Brasil evolui defensivamente

Alexsandro Brasil
(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

 

Com Fernando Diniz e Dorival Júnior, o Brasil sofreu bastante na defesa. Agora, de repente, a Amarelinha aparece mais sólida e segura, com bons nomes se destacando já na primeira Data FIFA. O retorno de Casemiro ao grupo foi importante, mas quem brilhou mesmo foi Alexsandro.

Depois de fazer Ancelotti sofrer na Champions, quando jogava pelo Lille contra o Real Madrid, o defensor ganhou sua primeira chance na Seleção e, como forma de gratidão (ou vingança poética?), jogou demais. Quase não errou. Mostrou agilidade, boa leitura de jogo e passou confiança em cada jogada.

Além de reforçar o porquê de estar entre os principais zagueiros brasileiros no momento, Alexsandro mostrou que pode sim brigar por titularidade, mesmo com Gabriel Magalhães voltando à forma. O setor defensivo passou tranquilidade. Mas o velho problema da era Dorival Júnior ainda assombra: falta conexão entre o meio-campo e o ataque.

Simplesmente não dava pra ligar uma coisa à outra com qualidade.

Brasil sofre com a bola

Richarlison Brasil
Foto: Franklin Jacome/Getty Images

 

Mesmo com um meio-campo congestionado de volantes, o Brasil teve dificuldade pra tratar a bola com o carinho que ela merece. Dá pra colocar na conta o gramado ruim? Claro. Mas não só. Os erros técnicos apareceram em série: passe, domínio, finalização… tudo meio travado.

O 3-3-4 foi perceptível com Alex Sandro mais recuado, permitindo que Vanderson tivesse liberdade pra subir, algo que faz sentido pelas características dos dois. A ideia era abrir o campo, buscar triangulações e atrair a marcação para liberar espaços. Bonito no papel. Mas na prática, o Equador não mordeu a isca.

O Brasil não conseguiu prender os donos da casa na defesa, muito menos empurrá-los para trás. As principais chances brasileiras vieram em contra-ataques, após roubadas de bola. O único chute no gol no primeiro tempo saiu assim. E outras oportunidades só apareceram em lances isolados, tipo mano a mano com o camisa 10.

Claro que vale lembrar: o Brasil não estava com todas as peças criativas disponíveis. Rodrygo, lidando com desgaste físico, e Raphinha, suspenso, foram ausências sentidas. E nem precisamos falar de Neymar, né? Peça-chave pensando em 2026, ele seria justamente o cara pra fazer os atacantes funcionarem melhor.