Carlo Ancelotti está oficialmente no comando da Seleção Brasileira, e agora é pra valer. Com os próximos jogos já marcados contra Equador e Paraguai pelas Eliminatórias da Copa de 2026, o técnico italiano vai, enfim, experimentar o gostinho de viver 100% da realidade da Amarelinha. E como se já não bastasse a expectativa em cima da convocação, Ancelotti encara mais um baita desafio: montar o ataque ideal com o material humano que tem à disposição.
Com uma carreira simplesmente absurda no futebol europeu, Ancelotti agora lida com aquela famosa “dor de cabeça boa”. Desde que assumiu o cargo, já teve o prazer de trabalhar com nomes pesados, e a realidade atual não é diferente. Só craque. Tudo escolhido a dedo por um dos técnicos mais respeitados do planeta.
Diante de um leque de jogadores versáteis, o trabalho de montar um setor ofensivo letal não será simples. Então bora dar uma olhada nos caminhos que o professor Ancelotti pode seguir nessa sua primeira experiência “full time“ com a Seleção.
Ancelotti e seus caminhos no ataque da Seleção
Durante sua carreira, Carlo Ancelotti já mostrou que sabe se adaptar. O homem viveu todas as eras do futebol moderno. Lá no comecinho, no Milan, mandava ver no famoso 4-3-2-1, a clássica “Árvore de Natal”. Três volantes, dois meias ofensivos e um centroavante no capricho. O foco era dominar o meio-campo com inteligência e classe.
Mas olhando pra Seleção atual, é difícil imaginar um ataque com só um homem lá na frente. A tendência é que Ancelotti traga mais das ideias que aplicou no Real Madrid do que aquelas dos tempos de San Siro. Afinal, ele tem um elenco mais ofensivo e móvel em mãos. E com Vinicius Jr e companhia no elenco, vai ser difícil segurar esse time com uma formação tão conservadora.
A variação que pode vir no embalo do “efeito Mbappé”

Nos últimos anos, a Seleção se amarrou no 4-3-3. Foi assim com Tite, que teve o melhor desempenho recente, e também com Diniz e Dorival Júnior, com resultados bem mais discretos, diga-se. Esse esquema ainda pode continuar, mas também abre espaço para algo novo. E aí entra a variação que Ancelotti usou recentemente no Real Madrid, especialmente depois da chegada de Kylian Mbappé: o 4-4-2, com dois atacantes e sem pontas clássicos.
Aliás, nos treinos desta terça-feira (3), o italiano já começou a desenhar esse possível cenário sem pontas, o que ganha força com a ausência de Raphinha, suspenso para o jogo contra o Equador. Essa brecha pode abrir espaço para Vinicius Jr atuar mais por dentro, ao lado de Richarlison, o nosso centroavante de ofício. Ao contrário da experiência no Real Madrid, aqui a dupla pode funcionar melhor, já que o Pombo entende bem essa função de referência.
Na Itália, é comum ver um atacante mais forte dividindo espaço com outro mais rápido e inteligente taticamente. Esse perfil encaixa com o que Vinicius pode oferecer jogando mais solto, longe da ponta esquerda, onde tem penado um pouco ultimamente. Ver o ex-Flamengo jogando bem com a Amarelinha é o que todo torcedor quer, e Ancelotti pode ser o cara pra destravar isso.
Ancelotti pode manter o 4-3-3 e não chocar ninguém

Por outro lado, não seria nenhum absurdo ver Ancelotti mantendo o tradicional 4-3-3. A convocação atual praticamente empurra ele pra isso. Richarlison é o único camisa 9 puro da lista, Matheus Cunha até chegou a ser citado, mas depois da temporada no Wolverhampton, virou praticamente um camisa 10. Esquece a ideia de referência no ataque: o cara se reinventou.
Num cenário ideal, daria pra imaginar Vini Jr na ponta esquerda, Richarlison centralizado e, pela direita, uma briga boa entre Estêvão e Antony. Dois jogadores com características diferentes, mas que podem entregar bastante. O ponta do Real Bétis é mais agudo, enquanto o menino do Palmeiras tem visão de jogo e qualidade na criação. Vale lembrar: estamos falando de um setor ofensivo que pode rodar bastante durante a partida, nada de posições engessadas.
No meio, Matheus Cunha pode ser o armador que joga entre linhas, alternando com Estêvão. Essa troca pode confundir qualquer defesa. E quando Raphinha voltar, a briga diminui: o camisa 11 do Barça tem vaga quase cativa na ponta direita, é difícil tirá-lo dali.
E se Ancelotti quiser inventar? Imagina um 4-2-4?

Calma, respira. Não é tão louco assim. Embora seja uma formação pouco usada e bastante ousada, o 4-2-4 pode ser uma peça do quebra-cabeça ofensivo de Ancelotti. Já vimos o Filipe Luís tentar algo parecido no Flamengo, e por que não imaginar isso na Seleção?
Claro, exige uma dose cavalar de equilíbrio no meio-campo. Mas com Casemiro e Ederson, sim, o da Atalanta, segurando as pontas, pode dar jogo. São dois monstros na marcação e com boa capacidade de saída. E aí na frente, o ataque teria Vini Jr na esquerda, Matheus Cunha um pouco mais recuado, Richarlison centralizado e Raphinha pela direita.
Não seria um ataque parado, com os quatro coladinhos na linha de frente. Cunha teria liberdade pra flutuar entre o meio e o ataque, sem a bola, dava pra imaginar um retorno do profissional para compor um meio de campo com os volantes, mas sem se tornar um meio-campista. Um movimento que poderia surpreender os adversários e enlouquecer os comentaristas táticos.
Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
