Está mais claro do que nunca que o Houston Texans é um time focado na defesa. E a franquia faz muito bem sua parte ao segurar seus principais talentos por muitos anos. O nome da vez é Will Anderson Jr.
Um dos melhores jogadores de sua posição desde que chegou à NFL há alguns anos, Will Anderson teve seu contrato renovado nos últimos dias. O defensor estendeu seu vínculo com o time por mais três temporadas no valor de US$150 milhões.
O contrato é o maior da história da NFL para um jogador que não seja quarterback em termos de valor anual, e os US$134 milhões garantidos a Anderson representam outro recorde.
Ou seja, o Houston Texans passa a mensagem para toda a liga que pretende vencer baseado no talento defensivo. Isso significa comprometer boa parte do teto salarial com o jogador desse lado da bola.

Foco defensivo
A renovação contratual de Will Anderson já era esperada. Com apenas 24 anos, ele já tem extenso currículo na NFL. Ao longo de três temporadas, ele acumulou 30 sacks, duas participações no Pro Bowl, o prêmio de Calouro Defensivo do Ano de 2023 e uma indicação para o primeiro time All-Pro no ano passado, além de terminar em segundo lugar na votação de Jogador Defensivo do Ano, atrás de Myles Garrett.
Além da atuação em campo de Anderson, o defensor é mais um a renovar seu contrato no Houston Texans nos últimos anos. Em cerca de um ano, os Texans pagaram salários altíssimos a três estrelas da defesa, incluindo o edge rusher Danielle Hunter (US$40,1 milhões em 2026) e o cornerback Derek Stingley Jr. (US$90 milhões em três anos, em um novo contrato). Os US$89 milhões garantidos a Stingley representavam um recorde para a posição até que os Rams ofereceram US$100 milhões a Trent McDuffie em março, após adquiri-lo em uma troca com os Chiefs.
Fica claro que o Houston Texans tem o foco de manter o seu núcleo defensivo, sem medo de gastar muito dinheiro com renovações e contratações para a defesa. Isso também não é novidade alguma na NFL, mas esse caminho pode não resultar em nada.

Houston Texans está fazendo o certo?
Vimos na temporada passada que a talentosa defesa do Houston Texans tem capacidade suficiente para levar o time até os playoffs. Mas o ataque acabou com todas as chances do time na última pós-temporada. E esse não é o principal problema.
CJ Stroud está elegível para renovar seu contrato, e o quarterback vai querer receber sua extensão o mais rápido possível. Contudo, a atuação inconstante dele nos últimos anos não passa confiança alguma. Vale lembrar que ele teve sete turnovers em dois jogos de playoffs na temporada passada.
Além de Stroud, o Houston Texans também precisa se preocupar com o contrato de Nico Collins, principal recebedor do elenco. Ele tem três temporadas consecutivas para mais de 1.000 jardas, porém ocupa apenas a 19ª posição em valor geral e a 14ª em dinheiro garantido em sua posição. São duas negociações importantes para um time que parece focado em sua defesa. E o principal problema dos Texans, sua linha ofensiva, segue sem investimentos (apenas US$18,8 milhões em contrato).
Em termos gerais, o Houston Texans foca em sua defesa enquanto tenta descobrir algo no ataque. Isso levou o time até a rodada divisional da AFC nas últimas três temporadas. Contudo, os Texans perderam todas as partidas, com as duas últimas derrotas vindo para os eventuais campeões da AFC, os Chiefs e os Patriots.
Nesses três jogos fora de casa, o Houston enfrentou quarterbacks com potencial para MVP, como Lamar Jackson, Patrick Mahomes e Drake Maye. E, apesar da defesa ter forçado três turnovers contra o New England e limitado Mahomes a 23 pontos, os Texans perderam por uma média de 15 pontos por jogo.
A derrota do ano passado em Foxborough foi especialmente frustrante. Apesar de ter a segunda melhor defesa da liga em pontos sofridos, com a melhor dupla de edge rushers da liga, Anderson e Hunter, os Texans perderam por 28 a 16 devido a cinco turnovers, incluindo quatro interceptações de Stroud.
Esse é o problema que o Houston Texans precisa encarar nos próximos anos. A franquia tem que achar algum tipo de equilíbrio entre ataque e defesa. Vimos outros casos parecidos na história da NBA, como o Chicago Bears de 85, o Baltimore Ravens de 2000 e o Denver Broncos de 2015. As defesas carregaram seus times bem longe nos playoffs, mas isso não resultou em títulos.
Na NFL, a fórmula para o sucesso é diferente para cada franquia. Mas ter um quarterback em contrato de calouro e um elenco de suporte ofensivo bem construído é o caminho mais usado na liga. Os Texans mantém seus talentos defensivos enquanto eviste em seu ataque via Draft. Até o momento isso tem dado certo, mas ainda falta alguma coisa para o Houston Texans conquistar o título.
(Foto principal: Reed Hoffmann/AP)



