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Ancelotti saiu satisfeito com atuação do Brasil, mas a mídia não; confira o porquê

Carlo Ancelotti deixou o amistoso contra o Egito com motivos para sorrir. Parte da imprensa, porém, parece ter assistido a um jogo diferente. Enquanto muitas análises se concentraram no placar magro de 2 a 1, em alguns momentos de pressão exercidos pelos egípcios e na falta de eficiência nas finalizações, o treinador italiano enxergou algo muito mais importante para o estágio atual da Seleção Brasileira: evolução coletiva.

E, olhando para o panorama geral da partida, é difícil dizer que ele esteja errado.

O futebol costuma ser analisado de maneira imediatista. Se o resultado não convence ou se o adversário consegue criar momentos de desconforto, rapidamente surgem críticas sobre desempenho, organização e até mesmo sobre o trabalho da comissão técnica. O problema é que nem sempre uma partida deve ser avaliada apenas pelo placar ou pelos momentos isolados que mais chamam atenção durante os 90 minutos.

No caso do Brasil diante do Egito, Ancelotti parece ter feito justamente o contrário. Em vez de focar apenas nos problemas, observou o conjunto da obra. E o conjunto apresentou diversos sinais positivos.

Logo no início da partida, a Seleção de Ancelotti perdeu Wesley, um dos jogadores que vinha desempenhando papel importante dentro da estrutura da equipe. Uma mudança tão cedo normalmente gera impacto no plano de jogo, principalmente em uma seleção que ainda está assimilando as ideias de um novo treinador.

Mesmo assim, o Brasil conseguiu se reorganizar.

A Amarelinha não perdeu completamente sua identidade, continuou criando oportunidades e manteve uma proposta ofensiva durante boa parte do confronto. Esse talvez seja um dos aspectos mais relevantes do jogo e um dos menos discutidos nas análises mais superficiais.

Ancelotti busca uma equipe coletiva antes de buscar uma equipe perfeita

Existe uma diferença importante entre o que a torcida deseja ver e o que um treinador procura nos primeiros meses de trabalho. A torcida quer vitórias convincentes, atuações dominantes e resultados imediatos. O treinador, por outro lado, costuma olhar para processos.

Ancelotti sabe que a Copa do Mundo já está diante de seus olhos. O objetivo neste momento não é apresentar um Brasil perfeito. É construir uma equipe capaz de funcionar coletivamente independentemente das peças utilizadas. Contra o Egito, isso aconteceu em vários momentos.

O treinador promoveu mudanças constantes na equipe. Ainda mais depois de perder seu único lateral-direito de origem, precisou fazer algumas mudanças para adaptar as táticas, na intenção de sair com o resultado positivo desde último amistoso.

Essa questão é consequência de conceitos bem assimilados, movimentações coordenadas e entendimento coletivo. Quando atletas diferentes conseguem ocupar espaços corretos e encontrar soluções parecidas dentro de campo, normalmente existe um trabalho tático sólido por trás.

Foi exatamente isso que Ancelotti viu.

O Brasil criou diversas oportunidades claras de gol. Faltou eficiência na conclusão das jogadas, algo que realmente merece atenção, mas que também passa muito mais pela execução individual do que por um problema estrutural da equipe.

A diferença é enorme. Um time que não cria chances preocupa. Um time que cria e desperdiça chances costuma estar mais próximo da solução.

O Egito também merece crédito pela atuação

Outro ponto que parece ter sido ignorado por parte da cobertura é a qualidade do adversário. Muitas análises trataram o Egito como se fosse uma equipe sem capacidade competitiva. Isso está longe da realidade.

O time egípcio é extremamente organizado, possui jogadores fisicamente fortes e apresenta uma estrutura defensiva bastante consistente. Não por acaso, conseguiu dificultar a vida do Brasil de Ancelotti em determinados momentos.

Ainda assim, quando se observa a produção ofensiva das duas equipes, a diferença é significativa.

O Egito teve alguns períodos de pressão e conseguiu gerar desconforto pontual. Porém, em termos de criação efetiva, produziu muito pouco com a bola nos pés. A Seleção Brasileira, por outro lado, acumulou chegadas perigosas, construiu jogadas trabalhadas e encontrou espaços contra uma defesa bem montada.

Talvez o dado mais importante seja justamente esse.

Apesar da sensação de equilíbrio que alguns momentos do jogo transmitiram, o Brasil permitiu pouquíssimas oportunidades realmente perigosas ao adversário, o único problema veio a partir de um erro entre Casemiro e Marquinhos. Enquanto isso, criou chances suficientes para construir um resultado mais confortável.

Essa é justamente a diferença entre analisar um jogo pelas sensações e analisá-lo pelo contexto completo.

Os momentos de pressão do Egito ficaram na memória de quem assistiu à partida. As diversas oportunidades criadas pelo Brasil, muitas delas desperdiçadas por erros técnicos individuais, acabam recebendo menos destaque.

Ancelotti não ignorou os problemas. Seria ingenuidade acreditar nisso.

A falta de pontaria, algumas decisões equivocadas no último terço e determinados erros de execução certamente estão sendo discutidos internamente. Mas o treinador também entende que esses são problemas mais simples de corrigir do que falhas estruturais profundas.

O sistema funcionou. A movimentação coletiva apareceu. As conexões entre os jogadores existiram. A equipe se adaptou à perda de um titular logo no início da partida. O adversário criou pouco e o Brasil produziu o suficiente para vencer.

Por isso, enquanto parte da mídia saiu do amistoso discutindo apenas o resultado e os sustos ocasionais causados pelo Egito, Carlo Ancelotti enxergou algo maior.

Foto: Kirk Irwin/Getty Images