Copa do Mundo - Bellingham decide contra a Noruega
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Jude Bellingham transformou dúvidas em protagonismo na Inglaterra durante a Copa do Mundo

A Inglaterra entrou na Copa do Mundo cercada por uma expectativa bastante clara. Harry Kane chegava após uma temporada impressionante, acumulando 72 gols e aparecendo como o grande candidato a liderar a seleção na busca pelo título. Poucas semanas depois, porém, o torneio ganhou um protagonista diferente. Jude Bellingham passou a ocupar um espaço que vai além do desempenho dentro de campo e se transformou no jogador que melhor representa o momento vivido pelos ingleses.

O impacto do meio-campista não pode ser explicado apenas pelos gols marcados ou pelas jogadas decisivas. Ao longo da competição, Bellingham conseguiu reunir características que dificilmente aparecem em um único atleta. Intensidade, personalidade e capacidade para assumir responsabilidades fizeram com que a Inglaterra encontrasse justamente nele o ponto de equilíbrio de uma equipe que, em alguns momentos, precisou mais de um líder do que de um artilheiro.

Curiosamente, essa realidade parecia improvável antes do início da Copa. O camisa 22 chegou ao torneio convivendo com dúvidas sobre sua posição entre os titulares e precisou responder dentro de campo a questionamentos que acompanharam boa parte da preparação inglesa.

Bellingham passou a influenciar todos os momentos do jogo inglês

Os primeiros jogos mostraram rapidamente que a Inglaterra havia encontrado um jogador capaz de mudar o ritmo das partidas. Contra a Croácia, Bellingham marcou um dos gols da vitória e participou dos melhores momentos da equipe. Depois voltou a balançar as redes diante do Panamá e, nas quartas de final, decidiu o confronto contra a Noruega ao marcar duas vezes.

Os números chamam atenção, mas ajudam apenas parcialmente a entender sua importância. Em muitos momentos, a Inglaterra não conseguiu controlar os jogos da maneira esperada. Ainda assim, quando a equipe precisava acelerar uma transição, recuperar a posse ou encontrar alguém disposto a assumir a responsabilidade, Bellingham normalmente aparecia.

Esse talvez seja o principal diferencial do jogador. Mesmo atuando em uma função ofensiva no meio-campo, ele participa constantemente das ações defensivas, ajuda na construção das jogadas e ainda consegue chegar ao ataque com frequência suficiente para decidir partidas importantes.

As estatísticas divulgadas pela FIFA reforçam essa impressão. O inglês lidera a competição em número de sprints entre os jogadores que continuam na disputa pelo título, além de aparecer na primeira colocação em um levantamento que mede as vezes em que um atleta se apresenta para receber a bola em regiões pressionadas do campo.

Além dessas categorias, Bellingham também figura entre os destaques em indicadores relacionados à distância percorrida, pressão sobre os adversários, recuperações de posse, movimentação sem a bola, criação de oportunidades e presença ofensiva. O conjunto desses dados mostra um jogador que interfere praticamente em todas as fases do jogo.

Inclusive, essa característica acompanha sua carreira desde muito cedo. Ainda nas categorias de base do Birmingham City, um treinador costumava dizer que Bellingham desempenhava funções normalmente associadas a diferentes posições do meio-campo ao mesmo tempo. A versatilidade virou uma das principais marcas de sua trajetória e continua sendo determinante também na seleção inglesa.

A resposta de Bellingham veio depois de meses de questionamentos

O protagonismo construído durante a Copa ganha ainda mais relevância quando se observa o cenário vivido antes do torneio. Após passar por uma cirurgia no ombro, Bellingham perdeu espaço temporariamente na seleção justamente no período em que Morgan Rogers aproveitou as oportunidades oferecidas por Thomas Tuchel.

Durante esse intervalo, a Inglaterra fez uma de suas melhores apresentações ao vencer a Sérvia por 5 a 0, enquanto Rogers recebeu muitos elogios. Naturalmente, a disputa pela posição ganhou força, e a presença de Bellingham entre os titulares deixou de parecer uma certeza.

O meio-campista também enfrentou outro momento delicado quando Tuchel utilizou uma expressão bastante dura para comentar seu comportamento em campo. O treinador mais tarde explicou que havia cometido um erro de comunicação e apresentou um pedido público de desculpas, mas o episódio aumentou ainda mais a pressão sobre o jogador.

As dúvidas não ficaram restritas à comissão técnica. Parte da imprensa inglesa chegou a defender que Bellingham não deveria disputar a Copa do Mundo, argumentando que sua personalidade poderia causar problemas ao ambiente da seleção.

Porém, a verdade é que nada disso resistiu ao desempenho apresentado no Mundial.

Depois da vitória sobre a Croácia, o jogador afirmou que queria deixar todo o barulho para trás e mostrar o quanto estava comprometido em ajudar a Inglaterra. A declaração acabou refletindo exatamente o que passou a acontecer nas partidas seguintes. Neste cenário, sua influência cresceu rodada após rodada e ultrapassou o aspecto técnico. O camisa 22 passou a ser visto como uma figura capaz de transmitir confiança aos companheiros e de assumir responsabilidades nos momentos de maior pressão.

O reconhecimento rapidamente chegou também às arquibancadas. Uma estação ferroviária chamada Bellingham recebeu temporariamente o nome de Jude Bellingham. A empresa West Midlands Railway anunciou viagens gratuitas para pessoas chamadas Jude, enquanto a música “Hey Jude”, dos Beatles, passou a embalar as comemorações da torcida inglesa após as vitórias da seleção.

Depois da classificação sobre a Noruega, milhares de torcedores permaneceram cantando enquanto o meio-campista ainda estava no gramado. O jogador observou a homenagem por alguns instantes, claramente emocionado, em uma imagem que resumiu o tamanho da identificação criada durante o torneio.

Neste cenário, enquanto Harry Kane continua sendo um dos maiores atacantes do futebol mundial, a Copa acabou apresentando um novo símbolo para a seleção inglesa. Bellingham iniciou a competição tentando recuperar espaço e terminou transformado na principal referência de um país que sonha voltar a conquistar o mundo.

Créditos da foto de capa: Richard Pelham/Getty Images.