O Real Madrid colocou um ponto final em uma das maiores novelas do mercado da bola ao renovar o contrato de Vinicius Junior até 2032. Depois de quase 19 meses de negociações, o brasileiro acertou sua permanência no Santiago Bernabéu e afastou de vez os rumores sobre uma possível saída, especialmente para o Arsenal. A extensão do vínculo garante ao clube a continuidade de um dos principais jogadores do futebol mundial, mas não resolve uma deficiência que acompanha a equipe há algumas temporadas.
A diretoria merengue foi bastante ativa nesta janela de transferências. Além de manter seu camisa 7, reforçou praticamente todos os setores do elenco e entregou a José Mourinho um grupo muito mais competitivo para a temporada 2026/27. Ainda assim, o meio-campo continua sendo um ponto de interrogação, mostrando que, apesar das diversas contratações, o clube segue sem encontrar o sucessor ideal para comandar o setor mais importante da equipe.
Vinicius Junior encerra longa negociação com o Real Madrid
A renovação do atacante brasileiro era tratada como prioridade pela diretoria. O antigo contrato de Vini terminaria ao final da próxima temporada, e a demora nas conversas fez crescer a especulação sobre uma possível saída. O Arsenal apareceu como o principal interessado durante o impasse, mas nunca conseguiu transformar o interesse em uma negociação realmente próxima de acontecer.
O desfecho aconteceu após uma reunião entre representantes do jogador e do clube em Madri. O Real Madrid apresentou uma proposta financeiramente superior às anteriores, com vencimentos estimados acima de 22 milhões de euros por temporada, convencendo o atacante a permanecer por mais seis anos.
No comunicado oficial, o clube fez questão de destacar o peso que o camisa 7 conquistou desde que chegou à Espanha. A nota afirma que o brasileiro se tornou um dos jogadores mais importantes de um dos períodos mais vitoriosos da história da instituição, um reconhecimento que poucos atletas recebem vestindo a camisa merengue.
Brasileiro se consolidou como um dos símbolos da equipe
Quando desembarcou em Madri, em 2018, Vinicius Junior ainda era visto como uma promessa que precisaria de tempo para amadurecer. O início foi marcado por críticas, principalmente pela dificuldade nas finalizações, mas o atacante respondeu dentro de campo e evoluiu ano após ano até se transformar em um dos protagonistas do clube.
Ao longo de oito temporadas, o brasileiro disputou 375 partidas, marcou 128 gols e conquistou 14 títulos. Entre as principais conquistas estão duas edições da Champions League e três títulos de La Liga, além de participações decisivas em finais e clássicos importantes.
Mesmo em temporadas consideradas abaixo do seu auge técnico, Vinicius continuou sendo decisivo. Na última campanha, terminou como o segundo maior artilheiro do Real Madrid, com 22 gols, ficando atrás apenas de Kylian Mbappé, além de contribuir com dez assistências. Depois de uma Copa do Mundo de grande nível individual, a expectativa é que ele volte a apresentar o futebol dominante da temporada 2023/24.
Sua permanência também representa um enorme voto de confiança no novo projeto comandado por José Mourinho. O treinador português inicia mais uma passagem pelo clube cercado de expectativa e sabe que terá em Vinicius uma das principais referências ofensivas da equipe.
Mercado movimentado reforçou praticamente todos os setores
A renovação do camisa 7 não foi o único grande movimento do Real Madrid nesta semana. O clube também confirmou a contratação de Yan Diomande, atacante de apenas 19 anos que assinou contrato por sete temporadas e chega cercado de expectativas para ocupar o lado direito do ataque.
Além dele, a diretoria trouxe Bernardo Silva, Ibrahima Konaté, Denzel Dumfries, Marc Cucurella e Carlos Espí. As chegadas mostram uma clara tentativa de corrigir problemas que ficaram evidentes nas últimas temporadas, quando o clube passou dois anos consecutivos sem conquistar um grande título.
A defesa ganhou profundidade com Konaté, Dumfries fortalece a lateral direita, Cucurella chega para assumir o lado esquerdo e Diomande amplia as opções ofensivas. Bernardo Silva acrescenta experiência e qualidade técnica ao elenco, enquanto Carlos Espí aparece como uma alternativa para aumentar a competitividade do grupo.
O planejamento indica que Mourinho recebeu praticamente todas as peças solicitadas para iniciar uma reconstrução. Entretanto, existe um detalhe que continua chamando atenção.
Meio-campo do Real Madrid continua sendo uma incógnita
Apesar do investimento pesado, o Real Madrid ainda não atacou aquela que talvez seja sua maior necessidade desde a saída da histórica geração formada por Toni Kroos, Luka Modric e Casemiro.
O clube sonhava com a contratação de Rodri para liderar essa reconstrução no setor, mas os rumores apontam que o volante do Manchester City tem preferência por uma transferência ao Barcelona caso deixe a Inglaterra. Sem conseguir avançar na negociação, a diretoria ainda não apresentou um plano alternativo para preencher essa lacuna.
Isso significa que Mourinho deverá apostar novamente na base do Real Madrid, que é formada por Aurélien Tchouaméni, Federico Valverde, Jude Bellingham, Eduardo Camavinga e Arda Güler. Individualmente, trata-se de um dos grupos mais talentosos da Europa, mas o desempenho coletivo do setor ainda deixa dúvidas.
Valverde oferece intensidade durante os 90 minutos, Camavinga entrega versatilidade para atuar em diferentes funções, Bellingham aparece constantemente como elemento surpresa na área adversária, Tchouaméni protege bem a defesa e Güler acrescenta criatividade. O problema é que nenhum deles exerce naturalmente o papel de organizador que Kroos desempenhava durante tantos anos.
Essa ausência ficou evidente nas últimas temporadas. Em diversos momentos, o Real Madrid encontrou dificuldades para controlar o ritmo das partidas, construir jogadas com paciência e encontrar soluções quando enfrentava equipes bem fechadas. O talento individual frequentemente resolveu jogos importantes, mas o funcionamento coletivo do meio-campo continuou oscilando.
Renovação é excelente, mas não elimina a principal preocupação
Garantir Vinicius Junior até 2032 representa uma vitória gigantesca para o Real Madrid. O brasileiro continua sendo um dos pilares do projeto esportivo do clube e forma, ao lado de Mbappé, uma dupla capaz de decidir qualquer partida. Somando a chegada de jovens promessas e reforços experientes, o elenco certamente entra na temporada entre os mais fortes do continente.
Mesmo assim, a impressão é de que a diretoria resolveu quase todos os problemas, menos o mais importante. O ataque está recheado de talento, a defesa ganhou reforços importantes e o elenco possui mais profundidade para enfrentar um calendário desgastante. No entanto, enquanto o meio-campo não encontrar um jogador capaz de organizar a equipe e controlar o ritmo dos jogos, o Real Madrid continuará convivendo com a mesma dúvida que acompanha o clube desde a saída de Kroos.
Agora, caberá a José Mourinho encontrar soluções dentro do próprio elenco. Caso consiga fazer esse setor funcionar de maneira consistente, o Real Madrid voltará naturalmente à disputa por todos os títulos. Se isso não acontecer, nem mesmo a renovação de um dos melhores jogadores do mundo será suficiente para esconder a principal fragilidade dos merengues.
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