Internacional empata com Remo
Futebol Brasileirão

Por que o Internacional tem dificuldades para vencer no Beira-Rio no Brasileirão de 2026?

O gol de falta de Vitor Bueno aos 49 minutos do segundo tempo escancarou um velho problema do Internacional no Beira-Rio pelo Campeonato Brasileiro de 2026: a dificuldade de vencer no Estádio Beira-Rio. O empate em 1 a 1 contra o Remo, nessa segunda-feira (17), deixou mais um sentimento frustrante para os 29 mil torcedores presentes, porém, não se trata de surpresa em relação aos números do Internacional na casa colorada.

Ao todo, o clube gaúcho já disputou 12 partidas do Brasileirão no Estádio Beira-Rio: empatou quatro, perdeu cinco e venceu apenas três. Isto simboliza um aproveitamento inferior a 30%, e a situação piora quando a última vitória do Internacional em casa pela competição ocorreu no dia 16 de maio, quando o colorado goleou o Vasco da Gama por 4 a 1.

A dificuldade em propor o jogo dentro de casa

O Inter do técnico uruguaio Paulo Pezzolano prioriza um estilo de jogo reativo e pragmático, chegando a escalar uma linha de cinco jogadores no sistema defensivo. Esta tática foi efetiva fora de casa, fazendo com que o clube conquistasse bons resultados fora de casa, como os empates contra o Flamengo e o Palmeiras e as vitórias sobre Santos e Corinthians.

No entanto, a trajetória é alterada quando o Internacional joga no Beira-Rio. Atuando como mandante, o Colorado enfrenta adversários que jogam com posturas mais defensivas, fechando os espaços e explorando os contra-ataques.

Por conta disso, o Colorado necessita de uma mudança em seu estilo, precisando de maior volume de jogo e, consequentemente, maior posse de bola. Contudo, neste caso encontra a principal dificuldade do Internacional em casa.

A equipe demonstra lentidão na transição ofensiva e falta de criatividade no meio-campo, comandada por Alan Patrick, que, aos 34 anos, não possui a mesma agilidade de outros tempos e costuma errar passes na região central do gramado. Ciente da fragilidade do camisa 10, Paulo Pezzolano colocou o jogador no banco de reservas nas partidas contra o Vasco e Fluminense, curiosamente, dois confrontos que o Inter ganhou.

Alan Patrick conduzindo a bola contra o Remo
Foto: Ricardo Duarte/Sport Club Internacional

Sem conseguir furar o bloqueio dos adversários com passes verticais ou lances individuais, o Internacional facilita o trabalho de desarmes das defesas visitantes. Esta dificuldade em conduzir o jogo resulta em uma escassez de oportunidades criadas. A incapacidade de transformar o perigo em gols cria uma vulnerabilidade, mesmo quando está em vantagem no placar, como na partida de ontem.

Com isso, o Colorado cede espaços para que os adversários possam fazer contra-ataques letais, em velocidade e com criatividade. O gol de empate do Remo saiu em uma jogada em que os jogadores do clube paraense aproveitaram o espaço cedido pela defesa do Internacional. O atacante Alerrandro cometeu a falta que gerou o gol de Vitor Bueno.

A pressão psicológica do Inter no Beira-Rio

Desde o último Campeonato Brasileiro, o Beira-Rio tem sido palco de jogos frustrantes para o Internacional. Devido ao insucesso em partidas de suma importância, os jogadores entram pressionados em muitos confrontos decisivos. Esta pressão psicológica gera erros de finalização, como o gol perdido por Carbonero na saída do goleiro e a falta cometida por Alerrandro, perto do meio-campo, que resultou no gol de empate.

O ápice da fragilidade mental aconteceu principalmente nos minutos finais dos jogos, quando o time não consegue administrar a vantagem ou marcar mais um gol para selar a vitória. A ansiedade faz com que o Internacional perca a organização tática e tente resolver o jogo de maneira inqualificável, como chutes previsíveis ou cruzamentos realizados para fora da goleira. O medo de resolver o jogo custa caro para o Colorado, que, pelo segundo ano seguido, luta para não ser rebaixado no Brasileirão.

Créditos da foto da capa: Fabiano do Amaral/Correio do Povo