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Automobilismo Fórmula 1

Mercedes tem a pole, mas Ferrari e McLaren mostram que a disputa está aberta

A Mercedes começou o fim de semana do GP da Holanda com a vantagem que qualquer equipe gostaria de ter: uma pole position. George Russell foi o mais rápido na classificação para a corrid Sprint e garantiu a primeira posição para a prova curta de sábado. Mas, olhando além do resultado, o cenário em Zandvoort é muito mais equilibrado do que a classificação sugere.

A diferença entre os quatro primeiros foi inferior a um décimo de segundo, com Mercedes, Ferrari e McLaren dividindo as primeiras posições. Russell fez a diferença justamente quando mais precisava, enquanto Lewis Hamilton colocou a Ferrari em terceiro e Oscar Piastri terminou em quarto. Kimi Antonelli, líder do campeonato, ficou em quinto depois de comprometer sua sessão ao sair da pista e danificar o assoalho.

O resultado deixa uma pergunta importante para o restante do fim de semana: a Mercedes realmente tem o carro mais rápido ou apenas conseguiu extrair mais do pacote em uma volta?

Russell aparece no momento certo

A pole de Russell não surgiu do nada. O piloto da Mercedes já havia mostrado bom ritmo durante o treino livre, quando terminou em terceiro, pouco mais de um décimo atrás de Antonelli. A diferença apareceu na hora decisiva. Nas duas primeiras partes da classificação, Russell ficou próximo dos rivais utilizando os pneus médios. Quando todos partiram para os macios, porém, o britânico conseguiu juntar os setores necessários para produzir uma volta praticamente perfeita.

É um detalhe importante porque Zandvoort é um dos circuitos em que a posição de pista tem enorme peso. A pista é estreita, possui poucas oportunidades claras de ultrapassagem e exige bastante precisão nas curvas. Russell já sabe, inclusive, o que significa transformar uma pole de Sprint em vitória. Ele largou na frente nas provas curtas da China e do Canadá e venceu ambas.

O problema é que o próprio piloto reconheceu uma possível fraqueza da Mercedes que é o ritmo de corrida. Segundo Russell, a Ferrari aparentou ser até três ou quatro décimos mais rápida no ritmo de prova durante o treino. Se essa diferença aparecer novamente no sábado, a pole pode não significar necessariamente vantagem no momento mais importante.

McLaren confirma que a vitória na Hungria não foi acaso

Se existe uma equipe que saiu de Zandvoort ainda mais confiante, é a McLaren. Depois de uma primeira metade de temporada marcada por dificuldades, problemas de confiabilidade e falta de consistência, a equipe chegou à Holanda carregando o impulso da vitória de Lando Norris na Hungria.

E os primeiros sinais são positivos. A McLaren levou para Zandvoort novas peças aerodinâmicas, incluindo uma nova asa traseira e alterações nos dutos de freio traseiros, completando parte do pacote iniciado no Hungaroring e o resultado apareceu imediatamente.

Norris terminou a classificação a menos de um décimo de Russell, enquanto Piastri ficou em quarto. Mais importante do que as posições foi a velocidade apresentada pelos dois carros desde o início do fim de semana. Norris, inclusive, afirmou que o MCL40 continuou apresentando características positivas vistas na Hungria.

Isso é fundamental para a McLaren. A grande dúvida após a vitória de Norris era se o desempenho havia sido específico para as características do Hungaroring ou se as atualizações realmente haviam elevado o nível do carro. Zandvoort começa a oferecer uma resposta.

Se a McLaren continuar próxima de Mercedes e Ferrari ao longo do fim de semana, a vitória na Hungria deixará de parecer um episódio isolado e passará a ser encarada como o primeiro grande sinal de recuperação da equipe em 2026.

Ferrari também entra na briga

A Ferrari chegou à Holanda com novidades próprias, principalmente na região do assoalho, além de alterações no difusor e na beam wing. Ainda é cedo para medir exatamente o tamanho do ganho, já que as equipes tiveram apenas uma sessão de treino para avaliar os componentes. Mas o resultado da classificacão mostrou que a Scuderia está definitivamente no jogo.

Charles Leclerc terminou em terceiro, apenas alguns centésimos atrás de Russell, e conquistou seu melhor resultado em uma classificação nesta temporada. O desempenho reforça uma característica que a Ferrari vem mostrando ao longo de 2026: um carro particularmente competitivo nas curvas. E Zandvoort pode ser um circuito interessante para essa característica aparecer.

Leclerc já havia apontado que as características dos novos carros poderiam alterar a ordem tradicional das equipes. O que funcionava mal com os carros das gerações anteriores não necessariamente se repete agora. Por isso, a Ferrari pode ter encontrado em Zandvoort uma oportunidade para mostrar que está mais próxima da Mercedes do que alguns resultados anteriores poderiam indicar.

Hamilton enfrenta um problema diferente

Do outro lado da garagem, Hamilton viveu uma sexta-feira mais complicada. O britânico havia gostado do comportamento da Ferrari durante o treino, mas pequenas mudanças feitas antes da classificação alteraram completamente sua percepção do carro. Segundo Hamilton, a sensação passou a ser de um carro completamente diferente.

Ainda assim, o terceiro lugar de Leclerc e a proximidade da Ferrari com Russell indicam que o potencial existe. O desafio de Hamilton será encontrar novamente o equilíbrio que o companheiro conseguiu explorar. É justamente aí que a comparação entre os dois pilotos ganha importância.

Leclerc conseguiu extrair desempenho máximo em uma volta extremamente apertada. Hamilton, por outro lado, terá de recuperar confiança no acerto antes da classificação principal. E, em um campeonato no qual as diferenças entre as equipes estão tão pequenas, algumas centésimas podem significar uma diferença enorme no resultado final.

A situação da Red Bull não é uma das melhores

A situação da Red Bull continua sendo uma incógnita. Max Verstappen terminou apenas em sexto, três décimos atrás da pole e longe da briga direta pelas primeiras posições. O holandês reconheceu que o carro havia melhorado em relação ao treino, mas ainda enfrentava dificuldades para encontrar aderência e equilíbrio.

Em um circuito onde Verstappen costuma ser uma das referências, o resultado chama atenção. A equipe também teve Liam Lawson de volta ao carro principal, substituindo temporariamente Isack Hadjar, e o neozelandês conseguiu o 11º lugar.

Lawson considerou que tinha ritmo para chegar ao SQ3, mas não conseguiu repetir no pneu macio o desempenho que esperava. Do outro lado, Yuki Tsunoda, que voltou à Racing Bulls para substituir Lawson, terminou apenas 0s009 atrás do neozelandês. Considerando que ele sequer havia guiado um carro de 2026 anteriormente, foi uma estreia bastante competitiva.

O que esperar do restante do fim de semana?

A classificação deixou uma mensagem clara: a Mercedes tem a pole, mas não tem uma vantagem confortável. Russell foi perfeito no momento decisivo, mas Ferrari e McLaren estão suficientemente próximas para transformar qualquer erro em perda de posição.

A Ferrari parece ter ritmo de corrida competitivo. A McLaren continua mostrando os efeitos positivos de seu pacote de atualizações. E a Mercedes ainda precisa provar que consegue transformar sua velocidade de uma volta em desempenho consistente durante uma corrida.

Antonelli, por sua vez, terá de recuperar terreno depois do dano no assoalho. O italiano perdeu cerca de 25 pontos de downforce, mas ainda largará em quinto na Sprint e terá a classificação para o GP no sábado. No fim das contas, Zandvoort pode ser menos sobre quem encontrou o carro mais rápido e mais sobre quem conseguiu extrair os últimos detalhes de um regulamento que deixou as equipes extremamente próximas.

E, se a sexta-feira for uma prévia do que está por vir, a segunda metade da temporada de 2026 pode começar exatamente como terminou a primeira: com Mercedes, Ferrari e McLaren separadas por margens mínimas e qualquer detalhe podendo decidir quem estará no topo.

Foto: (Reprodução/ Globo Esporte)