O placar e a atuação na estreia da Premier League levantou novamente o debate sobre a necessidade do Liverpool em contratar um volante. No empate diante do Newcastle, por 2 a 2, as falhas na marcação custaram caro e, por sorte, juntamente ao pênalti convertido por Szoboszlai, no fim, os Reds não saíram derrotados de St. James Park no último domingo (23).
A equipe está sob uma nova comissão técnica, a de Andoni Iraola, contratado do Bournemouth. Mas, mesmo com a troca, e a chegada de reforços, não há alguém que traga a sustentação e segurança no meio campo, uma função que facilmente seria cumprida por Fabinho tempos atrás — só que o brasileiro deu adeus ao clube há três anos e, ao que parece, nenhum substituto que veio esteve à altura.
Que falta faz Fabinho?
Atualmente no Trabzonspor, Fabinho era conhecido como “O Farol de Anfield” e defendeu as cores do Liverpool de 2018 a 2023. Na trajetória pelo Reds, o brasileiro conquistou a Champions League, a Premier League e foi fundamental em ambas as campanhas — sem contar naquelas que, mesmo sem título, o time somou mais de 90 pontos.
O antigo camisa 3 cumpria o papel de dar combates e ser o homem mais recuado, algo que faltou justamente à equipe no empate contra o Newcastle. A história do certame seria diferente se tivesse alguém pelo corredor central para evitar as investidas de Anthony Elanga, no primeiro gol, e de Joe Willock, no segundo — originado de um contragolpe pela mesma faixa do campo.
Certamente, as jogadas não são por um acaso. O Newcastle identificou uma fragilidade no meio campo do Liverpool, que era composto por jogadores originalmente ofensivos. Dominik Szoboszlai, Ryan Gravenberch e Florian Wirtz não tem o mesmo comprometimento do ataque na defesa.
Desses citados, o holandês jogou mais recuado e tem um atributo mais qualificado da saída de bola. Mas, no jogo em Tyneside, região onde fica St. James Park, foi nos erros dele que o time da casa aproveitou para atacar rapidamente. Em duas perdas de bola no campo ofensivo, geraram momentos tensão para a defesa dos Reds.
Na última temporada, seis equipes sofreram mais gols em contra-ataques rápidos do que o Liverpool (cinco) na Premier League. Paralelamente a isso, seis times — incluindo Manchester City (46) e o Bournemouth de Iraola (36) — permitiram mais finalizações em contra-ataques rápidos do que a equipe de Slot (34).
Esse é o preço que se paga por atacar demais, desprezando quase que totalmente a defesa. Ou seja, não há equilíbrio que faça o time pagar por um erro em momentos de posse. Essa é a diferença de Fabinho. Em momentos como esse, ele seria o resgate que o Liverpool teria.
Gravenberch é uma solução pra isso?

De fato, Ryan Gravenberch teve seu bom momento atuando como um volante mais recuado. Sob a batuta de Arne Slot, ele compôs uma ótima dupla com Alexis Mac Allister e terminou a temporada eleito como o “Jovem do Ano da Premier League”, além, claro, da conquista do torneio.
O holandês fez 60 interceptações no Campeonato Inglês naquela temporada, pelo menos 11 a mais do que qualquer outro meio-campista, enquanto apenas sete jogadores da posição recuperaram a posse de bola mais vezes do que ele (193).
O novo papel não comprometeu sua função com a bola. O ex-Bayern apenas adaptou-se a uma função que jamais antes havia executado. Em 2024/2025, apenas Bernardo Silva (130), teve mais progressões longas (ações em que o jogador conduz a bola por pelo menos dez metros) que Gravenberch (118), segundo os dados fornecidos pela Opta Analyst.
Na temporada seguinte, com a chegada de Wirtz e as inclusões de novas ideias de Slot, tudo pareceu turvo para os jogadores. O alemão teve dificuldades se adaptar e ocupou a vaga de Szoboszlai, sem nem mesmo estar acostumado com o ritmo da Premier League.
A estrutura toda foi abalada, desde Alexis Mac Allister, passando por Gravenberch e até chegar a Wirtz. Ainda o holandês, teve estatísticas interessantes e registrou 48 interceptações — a quarta maior marca entre os meias.
Mesmo assim, não seria algo para amparar-se completamente. Ryan é um atleta que tem atributos mais ofensivos do que defensivos e que teve dificuldades para manter-se constante na última temporada, seja por questões individuais ou por algo da estrutura do time dentro de campo.
Preocupante…

Com ou sem Fabinho, o Liverpool ainda tentou a repor a perda com Wataru Endo, duramente criticado quando desembarcou em Anfield. O japonês é, sem sombra de dúvidas, um profissional exemplar. Entretanto, no fim das contas, é um jogador de 33 anos que, em nenhum momento de suas três temporadas no clube, pareceu próximo de se firmar como titular regular.
Aliás, esta não é uma comprovação de que o Liverpool precise um volante imediatamente. É apenas uma constatação de que precisam arranjar uma solução que dê ao time uma sustentação e proteção para que situações, como a do jogo contra o Newcastle, não ocorram.
De qualquer forma, é algo que Iraola precisará solucionar. É razoável, porém, dar muito mais tempo para que ele encontre a resposta, considerando que estamos apenas uma partida dentro da temporada.
Créditos da foto de capa: Reprodução/UEFA via Getty Images



