piastri
Automobilismo Fórmula 1

De candidato a rival de Verstappen a coadjuvante: o que aconteceu com Oscar Piastri?

Oscar Piastri chegou a ser apontado como um dos grandes nomes da nova geração da Fórmula 1 e, por alguns momentos, parecia destinado a desafiar Max Verstappen pelo topo. Hoje, porém, o australiano vive uma fase completamente diferente.

Enquanto Lando Norris embalou duas vitórias consecutivas e voltou a se colocar como protagonista na disputa pelo campeonato, Piastri desapareceu da briga. O piloto da McLaren atravessa uma sequência de resultados abaixo das expectativas e parece ter perdido terreno justamente no momento em que seu companheiro de equipe mais cresce. Mas o que aconteceu com Piastri?

Um talento que parecia destinado ao topo

As expectativas sobre Piastri já eram enormes antes mesmo de sua estreia na Fórmula 1. O australiano conquistou os títulos da Fórmula 3 e da Fórmula 2 logo em suas temporadas de estreia, algo que ajudou a colocá-lo como uma das maiores promessas do automobilismo mundial.

A falta de uma vaga na Alpine, sua então equipe de formação, fez Piastri passar 2022 longe do grid. A situação acabou desencadeando uma das maiores disputas contratuais recentes da F1 e terminou com o australiano escolhendo a McLaren. Em retrospecto, foi uma decisão certeira.

Enquanto a Alpine permaneceu lutando no meio do pelotão, a McLaren se transformou em uma das principais forças da categoria. E Piastri não demorou para mostrar por que era tão valorizado.

Desde sua primeira temporada, o australiano conseguiu acompanhar de perto Norris. O britânico ainda levou vantagem no ritmo geral, mas a diferença entre os dois nunca foi tão grande quanto muitos esperavam.

Piastri chegou a parecer o futuro campeão da McLaren

Em 2023, Piastri conquistou a primeira vitória da McLaren na temporada ao vencer a corrida sprint do Catar. Norris, mais experiente, só conseguiu sua primeira vitória em um Grande Prêmio no ano seguinte, em Miami. A expectativa era de que Piastri continuasse evoluindo e transformasse a disputa interna em uma verdadeira batalha pelo protagonismo da equipe.

Mas foi Norris quem acabou assumindo esse papel. Em 2024, o britânico foi o principal rival de Verstappen na luta pelo campeonato. Piastri mostrou velocidade, mas ainda não conseguiu se colocar no mesmo nível durante uma temporada inteira.

A situação mudou em 2025. Com a McLaren apresentando o melhor carro do grid, Norris e Piastri protagonizaram uma disputa interna pelo título. Durante boa parte do campeonato, inclusive, o australiano parecia estar no caminho certo para conquistar seu primeiro Mundial.

A vitória em Zandvoort, combinada ao abandono de Norris, fez parecer que Piastri havia dado o golpe definitivo na disputa. Só que aconteceu justamente o contrário.

O campeonato escapou das mãos de Piastri

Depois daquele momento, Piastri simplesmente parou de vencer. Enquanto Norris ganhou força na reta final, o australiano perdeu desempenho, cometeu erros e viu a vantagem desaparecer. No fim, ainda terminou atrás de Norris e Verstappen no campeonato.

É verdade que Piastri chegou a liderar boa parte da temporada, mas os números indicavam uma disputa mais equilibrada do que a tabela sugeria. Norris era, em média, mais rápido nas classificações e também apresentava um ritmo de corrida superior. Piastri conseguiu construir sua vantagem principalmente porque o companheiro de equipe desperdiçou oportunidades importantes.

Quando Norris finalmente encontrou consistência, a balança virou. E a McLaren também teve participação nisso.

Piastri ficou para trás dentro da própria McLaren?

Um dos pontos mais delicados foi a evolução técnica do carro. A McLaren introduziu uma nova suspensão dianteira que ajudou Norris a encontrar mais confiança no comportamento do MCL. Piastri, por sua vez, optou por não utilizar a atualização naquele momento.

O resultado foi uma diferença cada vez maior entre os dois. Além disso, algumas decisões da equipe também deixaram Piastri desconfortável. Houve ordens para que ele cedesse posição em Monza, o contato com Norris em outras corridas e ainda um erro estratégico no Catar que acabou prejudicando diretamente suas chances.

O relacionamento entre Piastri e a McLaren passou a ser observado com muito mais atenção, especialmente porque seu empresário é ninguém menos que Mark Webber. E Webber conhece bem a sensação de perder espaço dentro da própria equipe.

O fantasma de Mark Webber

A comparação com o próprio empresário de Piastri é inevitável. Webber também esteve muito perto de conquistar um título mundial. Em 2010, chegou à última corrida com chances reais de ser campeão, mas acabou perdendo o campeonato para seu companheiro de Red Bull, Sebastian Vettel.

Depois disso, nunca mais conseguiu voltar ao mesmo nível. Aos poucos, Vettel se consolidou como o principal nome da equipe, enquanto Webber assumiu cada vez mais o papel de segundo piloto.

Piastri corre o risco de seguir um caminho parecido. A diferença é que, desta vez, a transformação aconteceu muito mais rápido.

Norris deu o próximo passo

O momento atual da McLaren deixa a situação ainda mais preocupante para Oscar. Norris venceu as duas últimas corridas e parece ter encontrado um nível de confiança diferente ao volante. O britânico não é apenas o campeão mundial em título: agora também recebeu um novo contrato de longo prazo com a McLaren, válido até 2030.

A mensagem é clara. Norris se tornou o principal ativo da equipe. Enquanto isso, Piastri atravessa uma sequência de resultados abaixo do que se esperava de alguém que, há pouco tempo, era visto como um potencial sucessor de Verstappen no topo da F1.

Ainda é cedo para dizer que o australiano perdeu seu potencial. Ele continua sendo um dos pilotos mais talentosos do grid e tem tempo de sobra para reagir. Mas a Fórmula 1 muda rapidamente. Se Norris continuar evoluindo enquanto Oscar permanecer estagnado, o australiano poderá deixar de ser visto como o futuro campeão da McLaren para assumir justamente o papel que parecia destinado a evitar: o de segundo piloto de uma equipe construída em torno de seu companheiro.