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Automobilismo Fórmula 1

O que mudou na McLaren entre o início difícil de 2026 e a vitória na Hungria?

A McLaren começou 2026 longe da posição que ocupava no fim da temporada anterior. Enquanto Mercedes rapidamente assumiu o protagonismo na nova era técnica, a equipe precisou passar boa parte da primeira metade do campeonato tentando entender por que seu MCL40 não entregava na pista o desempenho esperado.

A resposta começou a aparecer com a sequência de atualizações introduzidas ao longo do campeonato. Miami, Montreal e, principalmente, Hungria marcaram etapas diferentes de um processo de recuperação que culminou na primeira vitória de Lando Norris em 2026.

O resultado no Hungaroring não foi apenas uma vitória isolada. Para a própria McLaren, o desempenho do fim de semana serviu como confirmação de que a direção de desenvolvimento escolhida finalmente estava funcionando.

O problema inicial: uma McLaren que começou 2026 atrás do próprio potencial

A dificuldade da McLaren precisa ser entendida dentro do contexto da mudança radical de regulamento. Os carros de 2026 são menores, mais leves e utilizam uma arquitetura aerodinâmica completamente diferente, enquanto as novas unidades de potência passaram a depender muito mais da parte elétrica. O equilíbrio entre motor de combustão e energia elétrica também mudou profundamente.

A McLaren entrou nesse novo cenário ainda dividindo sua atenção entre o desenvolvimento do carro de 2025 e o projeto de 2026. A consequência foi começar o campeonato em desvantagem diante de equipes que conseguiram interpretar melhor algumas das novas oportunidades técnicas.

O problema, portanto, não era simplesmente falta de velocidade. Era uma questão de entender qual caminho de desenvolvimento oferecia mais desempenho.

Miami e Montreal: a McLaren começou a encontrar o caminho

A primeira grande mudança veio com o pacote introduzido em Miami. A atualização não ficou restrita a uma única peça: ela passou a servir como base para uma série de mudanças posteriores. Em Montreal, a equipe levou uma nova asa dianteira, descrita pela própria McLaren como o principal elemento do pacote, além de uma série de componentes revisados no assoalho, chassi, asa traseira, carroceria e outras áreas do carro.

O mais importante, porém, não foi simplesmente a quantidade de peças. A McLaren começou a usar essas atualizações para entender melhor o comportamento do conceito de 2026.

Em uma temporada marcada por uma guerra de desenvolvimento particularmente intensa, isso se tornou fundamental. Ferrari e Red Bull também aceleraram a produção de atualizações, obrigando a McLaren a aumentar o ritmo de desenvolvimento para não ficar para trás. A diferença em relação ao começo do campeonato começou a aparecer justamente quando a equipe conseguiu transformar seus dados de pista em mudanças que realmente acrescentavam desempenho.

A atualização na Hungria foi o ponto de virada

Se Miami e Montreal ajudaram a construir a recuperação, a Hungria foi o momento em que a McLaren finalmente conseguiu mostrar o resultado completo desse processo. O MCL40 chegou ao Hungaroring fortemente atualizado e, pela primeira vez em 2026, apareceu claramente capaz de disputar a vitória.

Norris conquistou a pole e, apesar de ter perdido a liderança para Oscar Piastri na primeira volta, recuperou a posição durante a corrida e terminou na frente de Max Verstappen e Kimi Antonelli.

A própria McLaren foi ainda mais direta na avaliação do pacote. Para Andrea Stella, o salto de desempenho observado no fim de semana podia ser atribuído inteiramente às atualizações, que também serviram para validar a direção conceitual escolhida pela equipe.

Isso é talvez a informação mais importante para entender a transformação. A vitória não foi interpretada internamente como um golpe de sorte ou simplesmente como consequência das características do Hungaroring. Ela representou uma confirmação de que o caminho técnico escolhido pela McLaren estava começando a produzir o resultado esperado.

Norris sentiu a diferença no volante

O próprio Norris reforçou essa percepção depois da vitória. O britânico descreveu o carro como muito agradável de conduzir e afirmou que teve um dos melhores ritmos de sua carreira durante a corrida na Hungria. Isso ajuda a explicar por que a diferença entre a McLaren do início do ano e a equipe que apareceu em Budapeste foi tão grande.

Não se tratava apenas de encontrar alguns décimos em uma determinada parte da pista. O carro passou a oferecer ao piloto uma plataforma mais competitiva e previsível, permitindo que Norris explorasse melhor seus limites. Na classificação, isso ficou evidente: a McLaren colocou Norris na pole e Piastri ao lado dele na primeira fila.

E, na corrida, o ritmo de Norris foi suficiente para manter Verstappen sob controle mesmo depois de a estratégia e a ordem da prova mudarem.

A vitória também mostrou que a McLaren recuperou capacidade de desenvolvimento

Existe outro elemento importante nessa transformação: a velocidade com que a McLaren está conseguindo desenvolver o carro. A equipe não está apenas produzindo atualizações; está conseguindo fazê-las funcionar.

Isso é especialmente relevante em 2026 porque as equipes ainda estão aprendendo sobre o novo regulamento. A cada corrida, surgem novas possibilidades aerodinâmicas, novas interpretações e novas maneiras de extrair desempenho da combinação entre carro e unidade de potência.

A McLaren, portanto, precisava fazer duas coisas simultaneamente: recuperar o déficit que havia acumulado no início da temporada e continuar aprendendo sobre uma plataforma que ainda está longe de ter sido completamente compreendida.

A atualização de Montreal já havia acrescentado componentes em diversas áreas do carro. Na Hungria, a equipe deu outro passo significativo e confirmou que a linha de desenvolvimento estava correta.

O que mudou, afinal?

A transformação da McLaren pode ser resumida em três pontos. Primeiro, o entendimento do carro melhorou. A equipe passou a compreender melhor quais características do conceito de 2026 realmente geravam desempenho.

Segundo, o desenvolvimento ganhou eficiência. As atualizações introduzidas em Miami, Montreal e Hungria não foram mudanças isoladas, mas parte de uma sequência de evolução do MCL40. Terceiro, o carro finalmente passou a permitir que seus pilotos explorassem esse desempenho. A pole e a vitória de Norris em Budapeste são a consequência mais evidente disso.

E existe uma diferença importante entre a McLaren do começo do ano e a atual: antes, a equipe tentava descobrir como entrar na disputa; agora, já sabe que tem um carro capaz de vencer.

A vitória não encerra o trabalho

Apesar do salto, a própria McLaren não trata a Hungria como ponto final. Stella destacou que a equipe ainda precisa melhorar a confiabilidade e continuar levando atualizações ao carro. A intenção é manter o desenvolvimento durante a segunda metade da temporada, inclusive porque os aprendizados de 2026 serão úteis para o projeto de 2027.

Isso muda também a perspectiva para o restante do campeonato. A McLaren começou 2026 tentando recuperar terreno. Chega à pausa de verão sabendo que encontrou uma direção técnica capaz de colocá-la novamente na frente.

A grande pergunta agora não é mais se a McLaren consegue voltar a vencer. Ela já respondeu isso na Hungria. A questão é se o salto de desempenho do MCL40 foi suficiente para transformar uma recuperação tardia em uma ameaça real para Mercedes, Ferrari e Red Bull na segunda metade do campeonato. E, pela primeira vez em 2026, a resposta parece estar muito mais próxima de “sim” do que de “talvez”.

Foto: (Reprodução/ Motor Sport)