O Vitória pode olhar para a campanha na Copa do Brasil com orgulho, mas também precisa enxergar a eliminação para o Vasco como um retrato bastante fiel dos limites que o elenco apresenta.
Chegar às quartas de final foi um resultado importante. O time conseguiu competir acima das expectativas e levou o clube a uma fase em que as diferenças de qualidade começam a pesar ainda mais. Mas, quando precisou reverter uma desvantagem e assumir o protagonismo no Barradão, as deficiências que estavam escondidas pela competitividade apareceram.
Contra o Vasco, não faltou apenas resultado. Faltaram alternativas.
O Vitória chegou mais longe do que seu elenco permitia
A campanha na Copa do Brasil não deve ser diminuída pela eliminação.
Em um torneio de mata-mata, organização, ambiente e capacidade de sobreviver a determinados momentos podem levar uma equipe além do que sua qualidade individual indicaria. O Vitória conseguiu fazer isso durante boa parte da competição.
O problema é que existe uma diferença entre chegar longe e estar preparado para dar o passo seguinte. Diante do Vasco, o Vitória precisava vencer depois de perder o primeiro jogo por 1 a 0. A obrigação de propor o jogo era maior, e foi justamente nesse cenário que as limitações ficaram mais evidentes.
O time precisava encontrar soluções para furar uma defesa organizada, mas não conseguiu produzir o suficiente para transformar a pressão em reação.
Quando precisou criar, faltaram soluções
O Vitória teve o Barradão ao seu lado, tentou pressionar e chegou a marcar com Cacá, mas o gol foi anulado por impedimento. Depois disso, a equipe não conseguiu transformar a necessidade de buscar o resultado em chances claras e constantes.
O Vasco soube esperar. Andrés Gómez marcou aos 35 minutos do segundo tempo e Puma Rodríguez ampliou nos acréscimos. O 2 a 0 confirmou uma classificação construída pelo time carioca com inteligência, mas também expôs a dificuldade do Vitória para mudar o rumo da partida quando o plano inicial não funcionou.
Essa é uma diferença importante entre um elenco competitivo e um elenco preparado para disputar as fases finais de uma competição.
Quando a estratégia funciona, a organização coletiva consegue esconder algumas carências. Quando é necessário mudar o roteiro, porém, entram em cena os jogadores capazes de alterar uma partida.
O Vitória não encontrou essas respostas.
O problema vai além de Jair Ventura
É natural que uma eliminação coloque o treinador no centro das discussões. Jair Ventura chegou ao confronto, inclusive, pressionado por resultados recentes. Mas responsabilizar apenas o técnico seria simplificar demais o problema.
O treinador pode mudar o desenho da equipe, fazer substituições e tentar encontrar soluções durante a partida. Não consegue, porém, criar do nada um nível de qualidade que o elenco não possui.
A dificuldade do Vitória contra o Vasco foi justamente essa: quando precisava aumentar a produção ofensiva, as alternativas disponíveis não foram suficientes para mudar o cenário. Isso faz com que a eliminação pareça menos um acidente e mais uma consequência dos limites atuais do time.
O Barradão não poderia resolver tudo
O fator casa foi uma das armas importantes do Vitória, mas até o ambiente mais favorável encontra um limite. A torcida pode aumentar a intensidade, pressionar o adversário e empurrar a equipe para frente. Não pode, sozinha, criar oportunidades, melhorar a tomada de decisão ou transformar uma equipe pouco produtiva em um ataque dominante.
Contra o Vasco, isso ficou evidente.
O Vitória precisava marcar para levar a decisão ao limite, mas não conseguiu sustentar uma pressão capaz de produzir o gol. Conforme o relógio avançou, a necessidade de buscar o resultado também aumentou a ansiedade.
E o Vasco aproveitou. A classificação adversária mostrou que o Vitória ainda precisa de mais recursos para transformar pressão em resultado quando enfrenta uma equipe capaz de se defender bem.
A eliminação aumenta a pressão no Brasileirão
Agora, o Vitória volta todas as suas atenções para o campeonato que representa a principal preocupação do clube. A equipe ocupa a 13ª colocação, com 29 pontos, mas está apenas quatro acima do Mirassol, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. A posição na tabela, portanto, transmite uma tranquilidade que os números não permitem.
Os resultados recentes fizeram o Vitória perder posições e se aproximar novamente da zona perigosa. Isso muda o peso do próximo compromisso.
Na segunda-feira, às 20h, o time recebe o Grêmio, no Barradão. Será a primeira oportunidade de resposta depois da eliminação e, ao mesmo tempo, uma partida importante para evitar que a campanha no Brasileirão volte a ficar ainda mais preocupante.
O cenário exige uma reação rápida.
A Copa do Brasil mostrou o caminho, mas também o teto
O Vitória não deveria sair da competição apenas lamentando a oportunidade perdida. A campanha mostrou que existe uma base competitiva. O time conseguiu chegar às quartas de final e enfrentar um adversário tradicional em condições de disputar a classificação.
Ao mesmo tempo, a queda mostrou que ainda existe uma distância entre ser competitivo e estar pronto para chegar constantemente às fases finais. Essa diferença passa pelo elenco.
Se o Vitória quiser transformar boas campanhas pontuais em presença frequente nas decisões, precisará aumentar a quantidade de jogadores capazes de decidir partidas e oferecer alternativas quando o plano principal não funcionar.
A eliminação para o Vasco, portanto, não apaga o que foi feito até aqui. Ela apenas deixa mais claro o próximo passo que o clube precisa dar.
O Vitória provou que consegue chegar longe. Agora precisa construir um elenco capaz de ir ainda mais longe — e, principalmente, capaz de sustentar a competitividade quando a Copa do Brasil dá lugar à dura realidade do Brasileirão.
Porque, neste momento, o maior desafio não é chegar novamente às quartas de final. É garantir que uma boa campanha no mata-mata não seja seguida por uma temporada de sofrimento na luta contra o rebaixamento.
Foto: Victor Ferreira/ECV/Divulgação



