O Fluminense deu um passo importante rumo à semifinal da Libertadores ao vencer o Platense por 2 a 0 no Maracanã. Mais do que o resultado, a partida deixou duas impressões bastante claras: o time de Marcão mostrou um nível de futebol interessante durante boa parte do primeiro tempo, mas também voltou a apresentar uma tendência que merece atenção, a de recuar demais quando tem a vantagem nas mãos.
É justamente por isso que o placar pode ser interpretado de duas maneiras. Para o Fluminense, vencer por dois gols de diferença em uma partida de quartas de final é um excelente negócio. Ao mesmo tempo, considerando o que aconteceu nos primeiros 45 minutos, ficou a sensação de que a equipe poderia ter encaminhado a classificação com uma vantagem ainda maior.
Ganso foi a chave para o melhor momento do Fluminense
O Platense começou a partida deixando claro o que pretendia fazer. A equipe argentina fechou os espaços, encurtou as linhas e tentou dificultar a construção tricolor. Durante os primeiros minutos, o Fluminense teve posse, mas não encontrava facilidade para transformar essa circulação em oportunidades.
A solução apareceu quando o time começou a acelerar pelos lados e, principalmente, a explorar as costas da defesa argentina.
Ganso teve papel central nisso. O meia não apenas participou da construção das jogadas, como também foi decisivo nos dois gols. No primeiro, recuperou a bola no meio-campo e iniciou a transição que terminou com Nonato recebendo em velocidade e ficando cara a cara com o goleiro.
No segundo, apareceu novamente na origem da jogada, encontrando Hulk dentro da área para o atacante finalizar de esquerda.
A atuação do Fluminense nesse período foi interessante porque não dependeu apenas de uma jogada individual. Houve movimentação, circulação de bola e capacidade de reconhecer o espaço que o Platense oferecia quando adiantava sua linha defensiva.
Serna e Soteldo também foram importantes para abrir o campo, enquanto Martinelli ajudou bastante no equilíbrio entre defesa e ataque. Atrás, Thiago Silva e Millán fizeram um primeiro tempo seguro, evitando que o Platense transformasse suas tentativas em chances realmente perigosas.
O 2 a 0, portanto, foi consequência de um Fluminense mais organizado e eficiente.
E poderia ter sido mais.
Segundo tempo expõe outro Fluminense
A grande questão da partida está na mudança de comportamento depois do intervalo.
O Platense voltou mais agressivo, passou a pressionar mais alto e ocupou com maior frequência o campo de ataque. Não significa que a equipe argentina tenha passado a dominar completamente o jogo, mas conseguiu tirar o Fluminense da zona de conforto.
Marcão, por sua vez, optou por administrar a vantagem. O Tricolor baixou suas linhas, reduziu a intensidade e passou a trabalhar a bola de maneira mais cautelosa. A estratégia funcionou em um aspecto: o Platense teve dificuldade para transformar sua maior presença ofensiva em chances claras.
Mas também teve um custo.
O Fluminense perdeu capacidade de pressionar a saída adversária, errou mais passes e teve dificuldades para conectar os contra-ataques. As substituições também não devolveram à equipe o mesmo funcionamento apresentado na primeira etapa.
Lucho Acosta, por exemplo, entrou no lugar de Ganso, mas não conseguiu oferecer a mesma influência na construção. Depois, Cano, Savarino e Hércules também foram acionados, enquanto Guilherme Arana entrou nos minutos finais.
O problema não foi necessariamente trocar jogadores, mas a equipe como um todo ter perdido organização.
O Platense percebeu isso e cresceu territorialmente. Teve uma sequência de escanteios e chegou a criar uma chance muito perigosa com Sepúlveda, que finalizou na pequena área. Millán apareceu de maneira providencial para bloquear a finalização.
Esse lance resume bem o segundo tempo: o Platense conseguiu chegar mais perto da área, mas continuou limitado na hora de transformar posse e presença ofensiva em oportunidades de gol.
A vantagem é boa, mas a sensação poderia ser ainda melhor
O 2 a 0 coloca o Fluminense em uma situação bastante confortável para a partida de volta. A equipe poderá trabalhar com uma margem importante na Argentina e terá a possibilidade de explorar espaços caso o Platense precise se lançar ao ataque.
Por outro lado, a partida mostrou que administrar uma vantagem por longos períodos pode ser perigoso.
Nos acréscimos, Cano teve uma oportunidade excelente para fazer o terceiro. Recebeu lançamento em contra-ataque, mas adiantou demais a bola, perdeu a passada e acabou finalizando praticamente em cima do goleiro. Ainda sentiu a perna no lance.
Era exatamente o tipo de oportunidade que poderia transformar uma boa vitória em uma vitória praticamente definitiva.
O Fluminense, então, sai do Maracanã com uma vantagem importante, mas não com a sensação de missão cumprida. O primeiro tempo mostrou um time capaz de controlar o Platense, encontrar espaços e ser eficiente. O segundo revelou uma equipe menos intensa, mais passiva e dependente da dificuldade técnica do adversário para não sofrer.
Para uma equipe que pretende avançar na Libertadores, essa diferença de comportamento entre os tempos merece atenção.
O resultado, porém, não deve ser diminuído. O Fluminense fez 2 a 0, não sofreu gol em casa e agora terá 90 minutos para administrar a vantagem. O Platense precisará mudar bastante sua postura na volta se quiser buscar a classificação.
E esse talvez seja o principal mérito tricolor nesta noite: mesmo sem repetir o futebol do primeiro tempo até o fim, conseguiu construir uma margem suficientemente relevante para chegar à Argentina em uma posição privilegiada.
A partida de volta será na próxima terça-feira (15), às 19h, no Estádio Ciudad de Vicente López. O Fluminense poderá até perder por um gol de diferença para avançar à semifinal.
Foto: MARINA GARCIA / Fluminense FC / Divulgação



