Acosta Fluminense x Vasco
Futebol Brasileirão

Fluminense sofre, reage e castiga o Vasco no clássico: vitória que mostra maturidade no Brasileirão

O Fluminense venceu o Vasco por 1 a 0, neste sábado (5), no Maracanã, e conquistou uma vitória que vale pela tabela, mas também pelo contexto. O time de Marcão esteve longe de dominar o clássico durante os 90 minutos, sofreu bastante no primeiro tempo e precisou mudar o comportamento depois do intervalo para encontrar o gol. Quando teve a vantagem, ainda precisou suportar a pressão vascaína até o último lance.

Não foi uma atuação brilhante. Foi uma atuação competitiva, eficiente e, sobretudo, madura nos momentos em que a partida exigiu mais do que futebol bem jogado.

Vasco teve o controle do primeiro tempo, mas não soube transformar pressão em gol

O Vasco começou melhor e deixou isso evidente desde os primeiros minutos. A pressão sobre a saída do Fluminense funcionou, os laterais encontraram espaço para avançar e Paulo Henrique, principalmente ao lado de Andrés Gómez, criou muitos problemas pela direita.

Sosa também foi importante para organizar a equipe por dentro. O Vasco recuperava rapidamente a bola, ganhava a maioria das segundas bolas e mantinha o Fluminense longe do campo ofensivo. Não foi apenas uma questão de o time tricolor jogar mal: a estratégia vascaína funcionou.

Martinelli teve muito trabalho defensivamente e foi responsável por diversos cortes, enquanto Nonato ficou mais preso à missão de fechar os espaços. O problema é que o Fluminense praticamente perdeu sua capacidade de construir.

Ganso participou pouco, Hulk precisou abandonar a referência para procurar jogo e Canobbio e Soteldo ficaram isolados. Quando conseguia recuperar a bola, o Fluminense ainda cometia erros simples de passe e não conseguia aproveitar os espaços que surgiam nas transições.

Mesmo assim, o Vasco não conseguiu fazer o placar refletir sua superioridade.

A equipe chegou algumas vezes em boas condições, mas pecou no último passe e abusou de cruzamentos que não encontraram seus atacantes. Fábio e a defesa tricolor também tiveram mérito, principalmente Ignácio, que apareceu bem nos cortes e evitou que algumas jogadas terminassem em finalizações mais perigosas.

O 0 a 0 no intervalo, portanto, era melhor para o Fluminense do que para o Vasco.

Para um time que luta contra o rebaixamento, dominar um adversário que briga na parte de cima e chegar ao intervalo sem vantagem é uma oportunidade perdida.

Fluminense reage no segundo tempo e Lucho Acosta muda o clássico

Marcão corrigiu a equipe no intervalo, e a mudança foi clara. O Fluminense passou a ocupar melhor o campo ofensivo, avançou mais os laterais e conseguiu dar maior liberdade para Martinelli participar das transições.

A primeira grande oportunidade da etapa final já mostrou um time diferente: Ganso encontrou Hulk nas costas da defesa, e Léo Jardim precisou defender. Na sequência, o Fluminense acumulou escanteios e passou a incomodar o Vasco.

A entrada de Lucho Acosta, aos 12 minutos, foi o golpe decisivo. Apenas três minutos depois, o meia apareceu na pequena área para completar o cruzamento de Soteldo e fazer 1 a 0.

Foi uma resposta direta à dificuldade apresentada antes do intervalo: menos dependência de construção longa, mais agressividade para atacar a área e, principalmente, aproveitamento da oportunidade quando ela apareceu.

Depois do gol, o Vasco precisou assumir riscos, mas não conseguiu recuperar a intensidade do primeiro tempo. O Fluminense passou a defender em bloco mais baixo e Marcão reforçou essa escolha com as substituições.

Renê praticamente virou um terceiro zagueiro, fechando por dentro ao lado de Ignácio e Millán. Serna entrou para oferecer velocidade nas transições, enquanto Arana e Julio Fidelis ajudaram a renovar o fôlego nos minutos finais.

O Vasco teve território, mas encontrou dificuldade para transformar isso em chances claras. A equipe insistiu pelos lados e nos cruzamentos, porém a defesa tricolor levou vantagem na maior parte deles.

Ignácio foi novamente importante, enquanto Millán também mostrou segurança pelo alto, embora tenha sido um pouco mais afoito em determinados momentos. Fábio, quando exigido, passou tranquilidade.

Ainda assim, o Fluminense não saiu ileso.

Aos 48 minutos, Hinestroza ganhou de Renê e encontrou Andrés Gómez na pequena área. O atacante finalizou, mas Ignácio desviou e tirou força da bola antes de ela chegar a Fábio. No último lance, Sosa teve uma chance ainda mais clara, mas tomou uma decisão ruim e praticamente recuou para o goleiro tricolor. Esses lances resumem a partida.

O Vasco teve capacidade para criar problemas, especialmente no primeiro tempo, mas faltou qualidade para concluir o trabalho. O Fluminense, por sua vez, soube aproveitar seu melhor momento e depois teve competência para proteger a vantagem.

Isso não significa que os problemas tricolores desapareceram. A dificuldade para sair da pressão e a pouca participação ofensiva durante o primeiro tempo são sinais de alerta. Contra adversários mais eficientes, o time pode não ter a mesma margem para sobreviver.

Mas há um mérito que não pode ser ignorado. O Fluminense segue envolvido na briga pelas primeiras posições e na Libertadores, e partidas como essa fazem parte de uma temporada longa. Nem sempre será possível controlar o adversário ou jogar bem durante 90 minutos. Saber mudar a dinâmica de uma partida e sustentar um resultado também é uma característica de equipes competitivas.

O Vasco, por outro lado, sai com a sensação de que deixou escapar uma oportunidade importante. A atuação inicial mostrou que existe um caminho para competir, mas a falta de eficiência continua sendo um problema sério para uma equipe que precisa desesperadamente de pontos.

No fim, o clássico foi decidido menos pelo domínio e mais pela capacidade de aproveitar o momento.

O Vasco jogou o suficiente para sonhar com a vitória e o alívio no Brasileirão. O Fluminense fez o suficiente para conquistá-la.

FOTO: MARINA GARCIA / FLUMINENSE F.C. / DIVULGAÇÃO