Mikel Arteta, Arsenal. Foto: Glyn Kirk/AFP via Getty Images
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Arsenal inicia defesa do título com cinco desafios que podem definir 2026/27; entenda

O Arsenal inicia a defesa do título com cinco desafios que podem definir a temporadacomeça a temporada 2026/27 em uma situação que parecia distante até pouco tempo atrás. Depois de encerrar um jejum que durou mais de duas décadas, os Gunners entram em campo como os atuais campeões da Premier League e carregam a responsabilidade de provar que a conquista da última temporada não foi apenas um momento isolado.

O desafio da equipe comandada por Mikel Arteta é manter o mesmo nível de desempenho em um campeonato conhecido pelo equilíbrio e pela dificuldade de defender um título. A missão não será simples, principalmente porque a história da competição mostra que conquistar a taça em anos consecutivos está longe de ser algo comum.

Ao mesmo tempo, o cenário parece bastante favorável para o clube londrino. Enquanto vários adversários iniciam novos projetos, trocam treinadores e reformulam os elencos, o Arsenal aposta justamente no caminho oposto.

A goleada por 3 a 0 sobre o Manchester City, na Supercopa da Inglaterra, serviu como um cartão de visitas bastante animador. É verdade que o torneio não costuma ser um indicativo definitivo sobre o restante da temporada, mas a superioridade apresentada diante da equipe de Enzo Maresca deixou claro que os atuais campeões chegam preparados para defender a coroa.

A continuidade do trabalho, os ajustes pontuais realizados durante a janela de transferências e a manutenção da base campeã fazem do Arsenal o principal favorito ao título. Ainda assim, existem algumas perguntas que podem definir o rumo da equipe ao longo da temporada.

Continuidade pode ser a grande vantagem do Arsenal

Se existe uma palavra capaz de definir o Arsenal neste momento, essa palavra é estabilidade. Em um campeonato marcado por mudanças importantes, os Gunners mantiveram praticamente toda a estrutura responsável pela conquista da temporada passada.

A edição 2026/27 da Premier League representa o início de uma nova era. Pela primeira vez desde a criação do torneio, nomes históricos como Alex Ferguson, Arsène Wenger, José Mourinho, Jürgen Klopp e Pep Guardiola não fazem parte da competição.

Além disso, nove equipes começarão a temporada com novos treinadores. Trata-se do maior número desde 1946, quando o futebol inglês foi retomado após a Segunda Guerra Mundial.

Enquanto os concorrentes procuram construir uma identidade, o Arsenal já possui um modelo de jogo completamente estabelecido. Mikel Arteta é o treinador mais antigo da Premier League e conhece o elenco como poucos.

O espanhol precisou de seis anos para transformar a equipe em uma candidata real ao título. O processo exigiu investimentos, mudanças e muita paciência. Agora, os resultados começam a aparecer.

A atuação diante do Manchester City reforçou essa percepção. O Arsenal apresentou intensidade, organização e um nível de entrosamento que poucas equipes conseguiram alcançar durante a pré-temporada.

Existe outro detalhe importante. Grande parte do elenco está na faixa etária considerada ideal para um jogador de futebol. Isso significa que a equipe ainda possui margem para crescer, o que torna o projeto ainda mais promissor.

História mostra que defender o título é muito mais difícil do que parece

Os números recentes da Premier League podem enganar. O domínio exercido pelo Manchester City durante a era Guardiola criou a impressão de que defender um título é algo relativamente comum.

A realidade, entretanto, é completamente diferente. Entre 2017 e 2024, o City conquistou seis títulos e conseguiu manter a taça em quatro oportunidades. Antes desse período, o campeonato viveu oito temporadas consecutivas com campeões diferentes.

Antes da chegada de Guardiola, apenas Alex Ferguson e José Mourinho haviam conseguido defender o título da Premier League.

O próprio Arsenal conhece muito bem essa dificuldade. A última vez que o clube conquistou dois campeonatos consecutivos aconteceu em 1935.

A boa notícia é que a pressão relacionada ao longo período sem títulos desapareceu. Os jogadores não precisam mais conviver com a ansiedade de encerrar um jejum histórico.

Por outro lado, uma nova cobrança surgiu. Agora, a expectativa é transformar uma conquista importante em uma dinastia capaz de dominar o futebol inglês durante os próximos anos.

Para Arteta, a oportunidade é gigantesca. Um novo título colocaria o treinador em um grupo extremamente seleto da história da competição.

Defesa conseguirá manter o mesmo nível sem Saliba e Timber?

O sistema defensivo foi o principal responsável pelo sucesso da temporada passada. O Arsenal sofreu apenas 27 gols na Premier League, oito a menos do que qualquer outro adversário.

Os números avançados mostram que esse desempenho não aconteceu por acaso. A equipe apresentou os melhores índices defensivos entre os cinco principais campeonatos da Europa.

Repetir esses números, no entanto, parece uma tarefa quase impossível. William Saliba deverá perder boa parte da temporada por causa de uma lesão nas costas. O defensor francês apresentou problemas físicos durante a Copa do Mundo e precisará passar por um longo período de recuperação.

Jurriën Timber também não estará disponível no início da campanha. O jogador foi submetido a uma cirurgia após sofrer uma lesão na região da virilha.

As ausências dos dois atletas obrigarão Arteta a buscar alternativas. Ben White e Cristhian Mosquera aparecem como as principais opções, mas ambos possuem características diferentes.

Saliba oferece velocidade, força física e excelente capacidade de cobertura. Timber, por sua vez, acrescenta qualidade na construção das jogadas e maior versatilidade tática.

A tendência é que o Arsenal apresente uma pequena regressão defensiva. A grande questão é descobrir se o restante da equipe conseguirá compensar essa possível queda de rendimento.

Bolas paradas continuarão sendo uma arma decisiva?

Se existe um aspecto do jogo que simbolizou o Arsenal campeão, esse aspecto foi a eficiência nas jogadas de bola parada.

Os Gunners marcaram 19 gols em cobranças de escanteio durante a última temporada, estabelecendo um novo recorde da Premier League.

Somando faltas, pênaltis e arremessos laterais, a equipe terminou o campeonato com 29 gols originados em jogadas desse tipo.

A superioridade foi tão grande que nenhum adversário conseguiu se aproximar dos números apresentados pelos londrinos.

A chegada de Christos Tzolis pode aumentar ainda mais esse potencial. O atacante grego se destacou no futebol belga justamente pela qualidade das cobranças de bola parada e pela capacidade de criar oportunidades para os companheiros.

Apesar disso, uma mudança no regulamento pode alterar completamente esse cenário.

A arbitragem inglesa adotará uma postura mais rígida em relação aos contatos físicos dentro da área. Agarrões, empurrões e bloqueios serão analisados com muito mais atenção.

Até mesmo o VAR recebeu novas atribuições e poderá revisar situações ocorridas antes da cobrança de uma bola parada, desde que a jogada termine em gol, pênalti ou cartão.

Será interessante observar como o Arsenal reagirá a essas mudanças. Afinal, poucas equipes exploraram esse recurso com tanta eficiência nos últimos anos.

Ataque foi reforçado o suficiente para manter o Arsenal no topo?

Curiosamente, o setor ofensivo foi uma das principais limitações da equipe campeã.

O Arsenal marcou apenas 71 gols na temporada passada. O número não é necessariamente ruim, mas está abaixo do padrão normalmente apresentado pelos campeões da Premier League.

Boa parte da produção ofensiva continua concentrada em Bukayo Saka. Quando o atacante está em campo, o time se torna mais imprevisível, mais agressivo e muito mais perigoso.

O problema é a dependência excessiva do lado direito. Mais de 40% das oportunidades criadas pelo Arsenal aconteceram pelo setor ocupado pelo camisa 7. Isso demonstra como a equipe ainda precisa encontrar soluções para equilibrar o ataque.

Leandro Trossard e Gabriel Martinelli tiveram momentos importantes, mas não conseguiram manter um desempenho consistente durante toda a temporada.

A diretoria tentou buscar nomes mais impactantes no mercado, como Morgan Rogers e Vinícius Júnior, mas acabou apostando em uma solução mais econômica com a contratação de Christos Tzolis.

O grego começou a pré-temporada em grande nível e participou diretamente de vários gols. Ainda assim, adaptar-se à Premier League é um desafio completamente diferente.

Outro fator importante será a recuperação física dos principais jogadores. Martin Ødegaard participou de pouco mais de um terço dos minutos disponíveis no último campeonato. Saka também conviveu com problemas físicos e esteve longe da melhor condição durante boa parte da temporada.

Manter os principais jogadores saudáveis pode representar um reforço ainda mais importante do que qualquer contratação realizada durante a janela.

No fim das contas, o Arsenal continua sendo o time mais organizado da Premier League. O elenco está consolidado, o treinador conhece profundamente o grupo e a identidade da equipe está completamente definida.

Nada disso garante o bicampeonato. O futebol inglês continua sendo extremamente competitivo e qualquer detalhe pode alterar o rumo da temporada.

Mesmo assim, é difícil encontrar um concorrente que chegue ao início do campeonato transmitindo tanta confiança. Depois de esperar 22 anos para voltar ao topo, os torcedores dos Gunners sonham com a possibilidade de transformar uma conquista histórica no início de uma nova era.

Foto: Glyn Kirk/AFP via Getty Images