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Copeiro: Atlético-MG mostra garra para não perder pontos, e isso pode ser um trunfo na reta final da temporada

O Atlético-MG saiu da Arena da Baixada com um empate por 2 a 2 diante do Athletico-PR, pela 29ª rodada do Brasileirão, mas o resultado precisa ser analisado para além dos pontos que cada equipe conquistou. Em uma partida marcada por mudanças de cenário, falhas individuais, expulsão e um gol decisivo nos acréscimos, o Galo demonstrou uma característica que pode ser determinante na reta final da temporada: a capacidade de continuar competindo mesmo quando as circunstâncias parecem empurrá-lo para a derrota.

A equipe de Domínguez esteve atrás no placar em dois momentos, viu suas oportunidades de virada serem desperdiçadas e precisou reorganizar a estrutura defensiva depois de ficar com um jogador a menos. Quando o Athletico-PR parecia ter encaminhado a vitória, Lyanco, que havia cometido uma falha importante minutos antes, apareceu na área adversária para marcar o gol que garantiu o empate. O desfecho resumiu uma noite de altos e baixos para o zagueiro, mas também reforçou a principal mensagem deixada pelo Atlético: o time não pretende entregar pontos sem lutar até o último instante.

O empate pode parecer frustrante em uma análise mais superficial, especialmente porque o Galo sofreu o segundo gol quando já demonstrava dificuldades para suportar a pressão dos mandantes. No entanto, o contexto torna o resultado valioso para uma equipe que ainda disputa duas copas e mantém o objetivo de conquistar uma vaga na Libertadores de 2027. Em vez de abandonar o Campeonato Brasileiro para concentrar suas energias nas competições eliminatórias, como aconteceu nas últimas temporadas, o Atlético segue tratando a liga nacional como uma prioridade e demonstra disposição para permanecer na briga até o fim.

O Atlético encontrou dificuldades, mas não perdeu a capacidade de reagir

O início da partida mostrou que o Athletico-PR estava disposto a aproveitar o fator casa para pressionar o Atlético. A equipe paranaense começou melhor, ocupou o campo ofensivo e conseguiu transformar a superioridade inicial em vantagem aos oito minutos, quando Vargas finalizou de fora da área. A bola desviou em Lyanco e enganou o goleiro Delfim, deixando o Galo em uma situação complicada logo no começo do confronto.

O gol evidenciou um problema que acompanharia o Atlético durante parte da noite: a dificuldade para controlar as ações do adversário e impedir que as jogadas se desenvolvessem em regiões perigosas. Enquanto o Furacão encontrava caminhos para avançar, o time mineiro tinha problemas para construir ataques e demorava a transformar a posse em oportunidades claras.

A resposta veio em uma cobrança de falta de Bernard. A bola desviou em Viveros, que acabou marcando contra e devolveu o Atlético à partida. O lance teve uma parcela de acaso, mas seu efeito foi importante para a equipe de Domínguez, que conseguiu recuperar parte da confiança e passou a encontrar mais espaços para atacar.

A partir do empate, o Galo cresceu e terminou o primeiro tempo com oportunidades suficientes para assumir a dianteira. Reinier desperdiçou duas chances, Cuello também tentou levar perigo e o time demonstrou maior presença ofensiva. Do outro lado, Delfim voltou a ser importante para evitar que o Athletico-PR retomasse a vantagem antes do intervalo.

Esse contraste ajuda a explicar por que o empate final não pode ser interpretado apenas como um ponto conquistado com sofrimento. O Atlético teve momentos de superioridade, criou oportunidades e poderia ter construído uma situação mais confortável se tivesse sido eficiente nas finalizações. Ao mesmo tempo, não conseguiu manter o controle durante toda a partida e permitiu que o adversário recuperasse o protagonismo em diferentes momentos.

O problema, portanto, não foi a ausência de soluções ofensivas, mas a incapacidade de transformar as oportunidades em gols. Em uma reta final na qual cada ponto pode influenciar a disputa por uma vaga continental, esse desperdício precisa ser observado com atenção. A capacidade de reação é uma qualidade importante, mas o Atlético não pode depender constantemente de gols nos minutos finais para evitar resultados negativos.

Domínguez mexeu no meio-campo, mas a expulsão mudou o cenário

A movimentação de Domínguez durante o confronto mostrou uma tentativa de equilibrar as necessidades ofensivas e defensivas da equipe. O treinador acionou Castaño e Tomás Pérez para fortalecer o meio-campo, buscando aumentar a capacidade de marcação e bloquear os espaços que o Athletico-PR vinha encontrando. A mudança ajudou o Galo a disputar melhor determinadas zonas do campo e ofereceu mais proteção à defesa.

Com o meio-campo reforçado, o Atlético conseguiu encontrar oportunidades pelos lados e manteve a possibilidade de buscar a virada. O problema é que a partida ganhou uma nova dimensão quando Tomás Pérez foi expulso após cometer falta em Viveros, que avançava em direção ao gol. A falha de Vitão na marcação contribuiu para a situação, mas o lance obrigou a equipe mineira a reorganizar rapidamente sua estrutura.

Com um jogador a menos, o Atlético precisou abandonar parte da ambição ofensiva e concentrar esforços na proteção da própria área. As linhas recuaram, Igor Gomes entrou para ajudar na composição do meio-campo e a equipe passou a depender ainda mais da capacidade de resistir à pressão dos mandantes.

Esse tipo de situação exige mais do que esforço físico. Uma equipe em inferioridade numérica precisa ajustar distâncias entre os setores, evitar que os adversários encontrem espaços entre as linhas e escolher com cuidado os momentos em que pode avançar. Qualquer erro de posicionamento aumenta a possibilidade de o rival criar uma situação de superioridade e chegar à área com menos oposição.

O Atlético conseguiu sustentar o empate durante parte desse período, e Delfim voltou a aparecer para evitar que a pressão se transformasse em uma vantagem mais confortável para o Furacão. Entretanto, a equipe passou a ter menos condições de controlar a partida com a bola e encontrou dificuldades para afastar o adversário de sua área.

A expulsão alterou o equilíbrio do confronto e tornou a missão atleticana mais complicada. O empate passou a depender cada vez mais da resistência defensiva, e a equipe precisou demonstrar capacidade de adaptação em um cenário que já não permitia manter o plano inicial da mesma maneira.

Lyanco vive uma noite de extremos e encontra a redenção no fim

Se houve um personagem capaz de resumir as contradições da partida, esse jogador foi Lyanco. O zagueiro participou involuntariamente do primeiro gol do Athletico-PR ao desviar a finalização de Vargas, dificultando a defesa de Delfim. Mais tarde, quando o Atlético tentava proteger o empate em inferioridade numérica, voltou a cometer um erro que teve consequências diretas no placar.

O segundo gol do Furacão nasceu de uma rebatida ruim do defensor. Viveros aproveitou a falha e colocou os mandantes novamente em vantagem, justamente quando o Atlético parecia perto de concluir sua missão defensiva. O lance foi especialmente doloroso porque aconteceu depois de um período em que a equipe havia resistido à pressão e parecia ter condições de sair de Curitiba com um ponto.

A falha também reforçou as críticas que Lyanco já vinha recebendo de parte da torcida. Em uma partida na qual o sistema defensivo precisava funcionar com precisão, o zagueiro cometeu erros que dificultaram o trabalho dos companheiros e colocaram o Galo em uma posição ainda mais delicada.

Mas o futebol raramente permite que uma atuação seja resumida a um único momento, e Lyanco encontrou uma oportunidade de mudar a narrativa nos minutos finais. Depois de sofrer o segundo gol, o Atlético não desistiu de buscar o empate. Já nos acréscimos, Borbas encontrou o defensor na área, e o zagueiro finalizou com força para deixar tudo igual novamente.

A sequência foi impressionante pela rapidez com que transformou o personagem da noite. Em poucos minutos, Lyanco passou de responsável por uma falha decisiva a autor de um gol que evitou a derrota. A redenção não apaga os erros anteriores, mas mostra como a capacidade de continuar participando do jogo pode oferecer uma segunda oportunidade até mesmo a quem teve uma atuação irregular.

Para o Atlético, o significado do lance ultrapassa a história individual do defensor. O gol mostrou que a equipe continuou procurando uma saída mesmo depois de sofrer um golpe que poderia ter encerrado sua reação. Em vez de aceitar a derrota como consequência inevitável da expulsão e da pressão adversária, o time encontrou forças para atacar novamente e aproveitou uma das últimas oportunidades que teve.

O empate também precisa ser entendido a partir da contribuição de Gabriel Delfim. O goleiro voltou a ser exigido em uma partida na qual o Atlético encontrou dificuldades para proteger sua área, especialmente depois de ficar com dez jogadores. Suas intervenções foram importantes para impedir que o Athletico-PR ampliasse a vantagem e tornasse ainda mais difícil a missão dos visitantes.

Quando uma equipe joga em inferioridade numérica, a tendência é que o goleiro passe a ter participação mais frequente. O adversário encontra mais espaço para circular a bola, consegue ocupar regiões próximas à área e aumenta o número de situações em que pode finalizar. Nessas circunstâncias, o desempenho do jogador responsável por defender a meta pode determinar se o time continuará vivo na partida.

Delfim cumpriu esse papel ao sustentar o Atlético durante os momentos de maior pressão. Sua atuação não elimina os problemas defensivos apresentados pela equipe, mas reforça a importância de contar com um goleiro capaz de responder quando a estrutura coletiva perde estabilidade.

Ao mesmo tempo, o confronto mostrou que a resistência não pode ser confundida com controle. O Atlético conseguiu suportar boa parte da pressão, mas sofreu dois gols e teve dificuldades para impedir que o adversário chegasse em condições favoráveis de finalização. Se o objetivo é permanecer na disputa por uma vaga na Libertadores, será necessário reduzir a quantidade de erros que obrigam a equipe a depender de intervenções individuais.

A partida também evidenciou que o Galo possui recursos para competir em situações adversas, mas precisa transformar essa capacidade de sobrevivência em um funcionamento mais consistente. Não basta demonstrar coragem quando o placar está desfavorável; é necessário encontrar maneiras de controlar melhor os jogos para que a equipe não seja obrigada a buscar reações tão dramáticas com frequência.

O Galo mantém o G-5 no horizonte e reforça o compromisso com o Brasileirão

O aspecto mais importante do empate talvez esteja relacionado à postura que o Atlético vem demonstrando ao longo da temporada. A equipe continua viva nas duas copas, mas não parece disposta a utilizar as competições eliminatórias como justificativa para deixar o Campeonato Brasileiro em segundo plano. A diretoria havia prometido uma abordagem diferente daquela observada nas últimas temporadas, quando o rendimento na liga nacional perdeu força diante de outros objetivos.

O confronto em Curitiba reforçou essa intenção. Mesmo diante de uma partida complicada, com erros individuais e uma expulsão que alterou o plano de jogo, o Atlético continuou buscando um resultado que o mantivesse próximo do G-5. O gol de Lyanco nos acréscimos não representou apenas a recuperação de um ponto, mas também a confirmação de que o time pretende competir até o fim, independentemente das dificuldades encontradas pelo caminho.

Essa postura é especialmente relevante porque a disputa por uma vaga na Libertadores exige regularidade. Em um campeonato de pontos corridos, não basta conquistar resultados expressivos contra adversários diretos ou apresentar grandes atuações em determinadas rodadas. É necessário evitar que partidas complicadas se transformem em derrotas e aproveitar oportunidades para somar pontos mesmo quando o desempenho não é ideal.

O Atlético ainda precisa melhorar em aspectos importantes. A falta de precisão nas finalizações impediu que a equipe aproveitasse os momentos em que esteve melhor, enquanto as falhas defensivas e a expulsão aumentaram o risco de derrota. São problemas que Domínguez precisará trabalhar para que a resistência demonstrada contra o Athletico-PR não se torne uma necessidade constante.

Ainda assim, existe uma diferença significativa entre uma equipe que perde o controle e desiste de reagir e outra que continua procurando soluções até o último instante. O Galo mostrou que pode sofrer, cometer erros e enfrentar um cenário desfavorável sem abandonar completamente a possibilidade de pontuar.

O empate por 2 a 2 não resolve a disputa pela vaga na Libertadores e tampouco transforma a atuação em uma exibição sem falhas. Seu valor está em outro lugar: na demonstração de que o Atlético mantém o compromisso com o Campeonato Brasileiro e possui disposição para lutar por cada ponto disponível.

Na reta final, essa característica pode ser tão importante quanto a qualidade técnica. O Galo ainda terá de corrigir suas falhas, melhorar a eficiência ofensiva e encontrar maior equilíbrio defensivo, mas a partida na Arena da Baixada deixou uma mensagem clara. O Atlético não pretende abrir mão de seus objetivos sem resistência. O G-5 continua no horizonte, e, se depender da postura apresentada em Curitiba, qualquer adversário que queira tirar pontos da equipe terá de trabalhar até o último minuto.

(Foto: Pedro Souza/Atletico)