O Botafogo parecia ter encontrado algum nível possível de estabilidade na reta final de 2025 depois que Davide Ancelotti conseguiu dez jogos de invencibilidade e levou o alvinegro para a fase prévia da Copa Libertadores. Além disso, John Textor conseguiu importante vitória parcial nos bastidores e os “ventos” estavam mudando a favor para que o empresário norte-americano siga no controle da gestão do clube, mas as últimas semanas (e principalmente horas) modificaram tudo e deixaram o alvinegro carioca mais uma vez em meio à um mar de incertezas antes do final de 2025.
Davide aproveitou saída de auxiliar para deixar Botafogo
Depois de ter prometido em derradeira entrevista coletiva de que gostaria de permanecer no Botafogo até o fim do contrato em dezembro de 2026, Davide Ancelotti se revoltou com a saída do auxiliar físico Luca Guerra e pediu demissão do alvinegro em uma decisão que surpreendeu à todos internamente. O profissional estava batendo de frente com o Núcleo de Performance e Saúde e também com parte considerável do atual elenco segundo informações levantadas por setoristas, além dos métodos terem sido alvo de críticas constantes, principalmente por causa de lesões frequentes que atrapalharam os planos de Davide na reta final da temporada.
Existiam muitas reclamações de que a altíssima intensidade dos treinos do Botafogo estavam levando às lesões e que o profissional não conseguiu dosar o ritmo das atividades em meio ao calendário sempre movimentado do futebol brasileiro. No entanto, as informações adicionais apontam que o treinador italiano estava ficando insatisfeito com os rumos que o 2026 se desenha para o alvinegro carioca, em meio á incerteza envolvendo a permanência de John Textor ou a transferência do controle para a empresa “Ares”, sem contar a tentativa de interferência do Botafogo Social no trabalho exercido pela SAF.
A falta de um planejamento mais definido e uma sinalização de que grandes reforços não serão contratados foram considerados um “estopim” para que Davide Ancelotti pedisse a saída do Botafogo, sendo muito sintomático que a decisão tenha ocorrido poucas horas depois que o Flamengo (seu principal rival) estava conquistando o vice-campeonato mundial no Intercontinental diante do PSG.
Davide também entendeu (corretamente) que não estava assegurado no cargo técnico com muita segurança e que uma eventual eliminação na fase prévia da Libertadores seria suficiente para determinar o encerramento dos trabalhos por parte de John Textor devido à cobrança incisiva de parte considerável da torcida (sobretudo nas redes sociais). Por outro lado, a diretoria não achava que o pouco menos de 55% de aproveitamento justificava a “revolta” do técnico italiano, que está dividido entre permanecer no Rio de Janeiro ou tentar uma vaga em algum dos campeonatos europeus de elite, vide que esteve na mira de Como (Itália) e Rangers (Escócia) antes de optar por iniciar sua carreira de treinador no Botafogo.
Botafogo já começa a preocupar para 2026
Sem nenhum treinador definido e com uma política de contratações bem questionável, o Botafogo já está vendo o mesmo filme de 2025 se repetir para o início da temporada 2026; uma incerteza que será prejudicial à longo prazo e deixará o alvinegro ainda mais longe do Flamengo. A única diferença é que este prejuízo poderá ser muito maior, considerando que o Fogão terá a fase prévia da Copa Libertadores e jogos do Brasileirão já a partir de janeiro.
Imagem: Gazeta Press