Como durante toda a temporada, o calendário da ATP e WTA é assunto entre os tenistas. Dessa vez, Novak Djokovic deu a sua opinião e rebateu outros atletas. Para o 24 vezes campeão de Grand Slams, não adianta reclamar em público e não trabalhar por mudanças nos bastidores:
“Reclamamos, mas não investimos o tempo e o esforço necessários para mudar as coisas. É preciso o melhor do mundo para se organizar, entender como tudo funciona e fazer mais do que apenas falar em coletivas de imprensa. Sei disso por experiência própria.”
Para o sérvio, é necessária uma união, que não está acontecendo, entre os próprios tenistas: “Há um forte monopólio na tomada de decisões no tênis, construído ao longo de décadas, e muitas pessoas não querem mudar isso. Os tenistas não estão unidos o suficiente.”
Só que Nole não parou por aí.

Novak Djokovic expõe contradições de tenistas
Todas essas falas vieram em coletiva no Masters 1000 de Xangai, que não conta com a participação de Carlos Alcaraz. Há alguns dias, o espanhol faz reclamações públicas sobre o calendário, afirmando: “Acho que o calendário está muito apertado. Temos que fazer algo com ele. Acho que temos muitos torneios obrigatórios, muito próximos uns dos outros.”
No entanto, ao continuar expondo sua opinião sobre o calendário e os atletas, Novak Djokovic acabou fazendo outra exposição: “Vejo muitos jogadores falando sobre obrigações em relação aos torneios que disputam, mas elas são apenas por bônus financeiros. Há muitas exibições para as quais eles se inscrevem, então é tudo um pouco contraditório.”
Essa é a situação de Alcaraz, que esteve presente na Laver Cup há algumas semanas. No ATP 500 de Tóquio, o n.º 1 sofreu uma lesão, mas conseguiu continuar e ser o campeão do torneio. Mesmo assim decidiu por desistir da competição em Xangai.
É importante lembrar: Laver Cup não é uma obrigação. Assim como o Six Kings Slam, que começa dia 15 de outubro. Carlos esteve presente no primeiro e também estará no segundo. Djokovic e Jannik Sinner também estarão na Arábia Saudita. Se trata apenas de um torneio de exibição, mas com um grande prêmio e cachê para cada.
Ou seja, apesar da reclamação (válida) de Alcaraz, o tenista ainda escolher participar de outros eventos. Irá desgastar seu corpo em competições que não dão pontos para a ATP e não estão relacionadas ao calendário oficial. O que acaba fazendo com que sua fala perca um pouco de força.

Então, tenistas estão errados em reclamar?
Respondendo de forma direta: não. O calendário do tênis é, de fato, péssimo e mudanças são necessárias para o bem dos atletas. Só que os tenistas do topo do ranking também não se ajudam. Há os torneios mandatórios, a depender de seu ranking, e os atletas são obrigados a participar de Masters 1000 e Grand Slams.
Já para disputas de ATP e WTA 500, há uma quantidade que precisam estar presentes. Caso não cumpram, há penalizações, com pontos ou em dinheiro. Só que isso afeta mais os tenistas ‘operários’ no circuito, que dependem exclusivamente de participações e resultados para se manter no profissional.
Todos os atletas do topo, principalmente top 10 e até mesmo top 20, podem lidar melhor com isso. Novak Djokovic, por exemplo, há anos pula torneios, de forma a se preservar fisicamente. Jannik Sinner também tem feito o mesmo nas últimas temporadas.
João Fonseca e seu calendário geram muita polêmica entre os brasileiros. No entanto, suas escolhas são pensadas em não se desgastar tanto. E com as datas loucas da ATP, isso vem se provando uma decisão cada vez mais correta.
No entanto, esse controle de alguns tenistas não apaga a necessidade de mudar o calendário. Quando os grandes nomes atuais falam, como Alcaraz e Iga Swiatek (que também reclamou recentemente), o assunto volta à tona. Só que Nole volta a ter razão ao falar que “reclamamos, mas não investimos o tempo e o esforço necessários para mudar as coisas”.
Sem agir nos bastidores, o calendário continuará sendo muito ruim por muitos anos.
Foto: Hu Chengwei/Getty Images