Mesmo que tenha ficado fora do mercado por tempo considerável, o técnico Tite seguiu bastante valorizado no futebol brasileiro. O experiente treinador que comandou a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo anunciou a retomada das atividades profissionais e logo despertou o interesse de dois clubes gigantes do Brasileirão, mas com propostas e metas diferentes. Por um lado, retornar ao Internacional seria justamente garantir o apoio da torcida à curto/médio prazo e maior liberdade para tomar as decisões com um elenco qualificado, mas que terminou o campeonato de 2025 precisando de um milagre para se manter na primeira divisão.
No entanto, Tite aceitou uma proposta forte para substituir Leonardo Jardim no comando do Cruzeiro, clube que recebeu forte investimento de sua nova gestão em 2025 e brigou na maior parte do tempo pelos títulos nacionais de Brasileirão (com a 3ª colocação) e Copa do Brasil (chegando até às semifinais), em um ano que terá calendário pesado com a disputa da fase de grupos da Conmebol Libertadores.
A retomada de Tite na busca por uma vaga na Europa
O fruto deste forte interesse mostra que Tite ainda possui forte apelo em meio aos dirigentes e empresários que comandam clubes no futebol brasileiro. Neste ano de 2025, o Botafogo teve negociações fortes com o treinador enquanto estava em sua saga para fechar com um técnico no início da temporada, precisando recorrer à Renato Paiva depois que as negociações falharam.
Outro interessado foi o Santos, que pensou no treinador durante a temporada em andamento, mas que acabou não convencendo o experiente técnico à aceitar o desafio de tentar livrar o Peixe do Z-4 na época, fazendo com que o clube recorresse à Cléber Xavier e toda sua comissão técnica (em um trabalho fracassado).
Tite é mais notabilizado pelas campanhas que ficaram abaixo do esperado nos mundiais com a Seleção Brasileira, mas o treinador possui um vasto currículo de títulos importantes conquistados enquanto esteve no comando do time da CBF (Copa América 2019) e principalmente no Corinthians, responsável pelos títulos históricos de Libertadores e Mundial de Clubes em 2012.
Depois de ter sido eliminado pela Croácia na Copa do Mundo, Tite buscou uma carreira um futebol europeu e não recebeu nenhuma proposta dos chamados “grandes”, recorrendo ao Flamengo para tentar catapultar sua carreira no clube de maior investimento. No entanto, o trabalho acabou sendo marcado por muitas frustrações e a eliminação para o Peñarol na Libertadores foi o estopim para a demissão com a temporada em andamento (iniciando o projeto histórico de Filipe Luís).
O dilema que Tite refletiu entre Cruzeiro e Internacional
As duas opções que existiam para o técnico Tite possuíam alguns pontos positivos e negativos em ambos os cenários. Ao escolher assumir o o Cruzeiro, o treinador terá um elenco qualificado e um clube estável em termos financeiros para conduzir o trabalho, além de ter maior exposição para o exterior com a Libertadores, mas o calendário cheio e exigente podem atrapalhar muito o desenvolvimento à longo prazo das mecânicas de jogo diferentes de Leonardo Jardim, tendo em mente que o Brasileirão será iniciado em janeiro. Além disso, o treinador precisará lidar com a pressão da torcida, ansiosa pela conquista de um título novamente.
Por outro lado, deixar de assumir o Inter impede que o técnico tenha maior tempo de estabilidade e tranquilidade à médio prazo. O Colorado também entregaria maior adaptabilidade do elenco considerando que nenhum trabalho de longo prazo esteve massificado no clube, mas vale destacar que os gaúchos não disputarão nenhum torneio internacional no calendário e isso diminuiria o alcance/impacto de um eventual sucesso.
Imagem: AGIF