Luka Modric
Futebol Copa do Mundo

A experiência virará um fardo para a Croácia na Copa 2026?

A Croácia chega à Copa do Mundo de 2026 com um currículo recente invejável: vice-campeã em 2018 e semifinalista em 2022. No entanto, a seleção comandada por Zlatko Dalić vive um momento delicado de transição. 

 Após a eliminação na fase de grupos da Euro 2024, aumentam os questionamentos sobre até que ponto a dependência de uma geração dourada está limitando o potencial da equipe. Com Luka Modrić e Mateo Kovačić ainda como pilares, mas já envelhecendo, a Vatreni precisa encontrar o equilíbrio ideal entre experiência e juventude para evitar mais uma decepção no Mundial.

A Croácia sempre se destacou por um estilo baseado em posse de bola controlada, inteligência tática e garra coletiva. Em 2018, chegou à final contra a França com um meio-campo criativo e uma defesa extremamente sólida. Quatro anos depois, repetiu o feito de chegar à semifinal no Qatar. Mas o futebol evoluiu. 

O jogo moderno exige intensidade alta, pressão coordenada e transições rápidas. A Croácia, por sua vez, continua apostando em um modelo mais posicional e experiente, o que tem gerado resultados cada vez mais limitados.

Mudanças de formação e dilemas táticos

Nos últimos amistosos e eliminatórias, Dalić alternou entre o 3-4-3 e o 4-2-3-1. A formação com três zagueiros trouxe mais compactação defensiva, mas expôs fragilidades nas laterais, especialmente contra equipes com alas velozes. Contra a Colômbia, um erro de marcação na direita resultou em gol precoce. Já contra a Bélgica, o sistema permitiu melhor controle, mas a Croácia seguiu com dificuldades para transformar posse em chances reais de gol.

O problema não é apenas tático, mas ideológico. A Croácia confia excessivamente na experiência. Nos últimos ciclos, mais de 50% dos minutos foram destinados a jogadores acima de 28 anos, um dos maiores índices entre as seleções do top 10 do ranking da FIFA

Enquanto Bélgica, Alemanha e Espanha conseguem equilibrar juventude e veteranos, a Croácia segue apostando fortemente em Modrić (que terá 41 anos em 2026) e Kovačić, mesmo com o croata se recuperando de lesão longa.

Os jovens que precisam de oportunidade

Petar Sučić e Martin Baturina representam o futuro imediato. Sučić, com sua intensidade, chegadas à área e capacidade defensiva, e Baturina, com criatividade entre as linhas e visão de jogo, mostraram grande qualidade no futebol italiano (Inter e Como). No entanto, ainda não são titulares absolutos. Igor Matanović também merece mais oportunidades no ataque. O grande desafio de Dalić é integrar esses talentos sem perder a estabilidade que Modrić proporciona.

A dependência excessiva da posse de bola (frequentemente acima de 60%) tem sido um problema crônico. A Croácia controla o jogo, mas gera poucas chances claras. Nos últimos ciclos, o time apresentou o pior xG (expected goals) entre seleções com alta posse. A transição defensiva também ficou mais vulnerável, já que o meio-campo recuou demais, deixando espaços para contra-ataques.

Grupo difícil e pressão por resultados

No Grupo C da Copa 2026, a Croácia estreia contra a Inglaterra, um confronto duríssimo. Depois virão outros adversários que exigirão intensidade máxima. As chances são razoáveis de avanço para a fase de 16 avos (devido ao formato expandido), mas o time precisa evoluir urgentemente. A torcida espera que a seleção tenha um bom desempenho assim como teve em 2018 e 2022.

O legado e o futuro imediato

Modrić vive, muito provavelmente, sua última Copa do Mundo. Ele merece uma despedida à altura, mas a seleção não pode depender exclusivamente dele. A Croácia tem talento suficiente para sonhar novamente com quartas de final ou semifinal, mas precisa confiar mais nos jovens. Dalić enfrenta o dilema clássico: a segurança da experiência versus a ousadia da juventude.

A geração de 2018 foi mágica e entrou para a história. Agora é hora de construir a próxima. Se a Croácia conseguir equilibrar os dois mundos, pode surpreender o mundo novamente. Caso contrário, corre sério risco de mais uma eliminação precoce e de ver seu futebol estagnar em um patamar abaixo do seu potencial.

A Copa 2026 será decisiva para o futuro da seleção croata. A experiência ainda é um trunfo valioso, mas está se transformando rapidamente em um fardo. O momento de transição chegou. Resta saber se Dalić e seus jogadores terão coragem para abraçá-lo de verdade.

A Tartan Army croata (a torcida) sonha com mais uma campanha histórica. Mas para isso, é preciso olhar para frente sem esquecer o passado. A mistura certa entre juventude e experiência pode ser a chave para finalmente quebrar a barreira das quartas de final e voltar a brilhar no cenário mundial.