O Grêmio chegou à reta final sem margem para escolher adversários
O Grêmio entra nas últimas 10 rodadas do Campeonato Brasileiro precisando fazer uma campanha de recuperação que não permite escolher onde os pontos virão.
O Tricolor ocupa a 17ª colocação, com 29 pontos, dois atrás do Vasco, primeiro time fora da zona de rebaixamento. O Internacional aparece logo abaixo, com 28, enquanto o Remo é o 19º, com 23.
A tabela mostra um cenário em que poucos pontos separam diferentes equipes na parte de baixo. O problema é que o calendário gremista não oferece uma sequência simples para transformar essa proximidade em reação.
Nas próximas rodadas, o time terá quatro confrontos contra adversários diretamente envolvidos na luta contra o rebaixamento. Ao mesmo tempo, precisará enfrentar Athletico-PR, Flamengo e Bahia, além de Cruzeiro, Coritiba e Santos.
E há ainda o Gre-Nal.
O Grêmio não terá apenas de somar pontos. Terá de encontrar diferentes maneiras de competir contra adversários com níveis e objetivos completamente distintos.
Remo e Internacional são as primeiras oportunidades para mudar o cenário
A sequência começa com dois jogos que podem alterar rapidamente a situação do Grêmio. Em 7 de outubro, o Tricolor enfrenta o Remo, no Mangueirão. O adversário ocupa a 19ª posição, com 23 pontos.
Quatro dias depois, no dia 11, acontece o Gre-Nal na Arena do Grêmio. O Internacional tem 28 pontos e está em 18º.
São dois confrontos em que a tabela transforma os três pontos em algo ainda mais valioso.
Vencer o Remo não significa apenas somar pontos contra um concorrente. Também impede que um adversário direto se aproxime e cria a possibilidade de reduzir a distância para quem está fora do Z-4.
Depois, vem o clássico.
O Gre-Nal terá, naturalmente, uma dimensão própria, mas desta vez existe um componente adicional: Grêmio e Internacional estão separados por apenas uma posição e um ponto.
É difícil imaginar uma sequência mais importante para o Tricolor começar sua reação.
O problema é que a sequência não termina nos adversários diretos
Depois dos dois primeiros compromissos, o calendário muda completamente. Na semana de 18 de outubro, o Grêmio recebe o Cruzeiro, sexto colocado, com 45 pontos. Na rodada seguinte, visita o Coritiba, que ocupa a nona posição, com 38.
Depois, encara o Athletico-PR, terceiro colocado, com 49 pontos. E, na semana seguinte, terá pela frente o líder Flamengo, fora de casa, atualmente com 60 pontos.
É uma sequência que exige muito mais do que organização defensiva.
Contra equipes que brigam na parte de cima, o Grêmio provavelmente precisará aceitar momentos sem a bola, mas também terá de encontrar maneiras de aproveitar os espaços que surgirem.
Para quem está no Z-4, até um empate fora de casa pode ganhar valor.
O Grêmio não pode entrar nessas partidas pensando que precisa vencer todos os adversários que estão acima na tabela. Precisa entender onde pode pontuar e, principalmente, evitar que uma sequência difícil se transforme em uma série de derrotas.
Athletico, Flamengo e Bahia serão testes de competitividade
A parte mais pesada da sequência aparece entre o fim de outubro e novembro. O Athletico-PR é o terceiro colocado e tem 49 pontos. O Flamengo lidera com 60. Depois, já em novembro, o Bahia aparece como quinto colocado, com 46.
São três equipes que estão disputando objetivos completamente diferentes do Grêmio.
Mas existe uma característica em comum entre elas: todas chegam a esses confrontos com campanhas superiores.
Isso não significa que o Tricolor não possa pontuar.
Pelo contrário. Em uma luta contra o rebaixamento, são justamente esses jogos que podem oferecer os pontos que faltam quando os confrontos diretos não produzem tudo aquilo que se esperava.
O problema é que o Grêmio precisará competir em um nível muito maior do que aquele apresentado em boa parte da temporada.
Contra equipes que têm mais qualidade individual, pequenos erros costumam custar caro.
E a reta final não oferece espaço para repetir os mesmos erros durante várias rodadas.
Os últimos quatro jogos podem definir a luta pela permanência
Depois do confronto com o Bahia, o Grêmio ainda terá Santos, Corinthians e Mirassol.
O Santos aparece atualmente em oitavo, com 38 pontos. O Corinthians é o 14º, com 32. O Mirassol está em 15º, também com 32.
Isso faz com que os últimos compromissos voltem a ganhar características diferentes.
O duelo contra o Santos será fora de casa e exigirá uma atuação de resistência. Depois, contra o Corinthians, o Grêmio terá novamente um adversário mais próximo da parte de baixo da tabela.
A última rodada será diante do Mirassol, na Arena.
Esses dois últimos jogos podem ter peso enorme porque Corinthians e Mirassol estão próximos do grupo ameaçado pelo rebaixamento. A posição atual das duas equipes também mostra como a tabela pode mudar até dezembro.
Um time que hoje está relativamente distante do Z-4 pode chegar às rodadas finais ainda envolvido na disputa.
Por isso, o Grêmio precisa chegar a esse trecho vivo e competitivo.
Os quatro duelos diretos são o centro da missão
Remo, Internacional, Corinthians e Mirassol formam o núcleo mais importante dessa reta final. São quatro partidas contra equipes que estão diretamente relacionadas à luta do Grêmio pela permanência.
Isso não significa que sejam os únicos jogos em que o Tricolor poderá pontuar. Mas são partidas em que o resultado tem potencial para produzir um efeito duplo.
O Grêmio pode ganhar três pontos e, ao mesmo tempo, impedir que um concorrente direto faça o mesmo.
Essa matemática precisa estar presente no planejamento.
Uma vitória contra o Remo, por exemplo, não vale apenas pela pontuação gremista. Também representa três pontos que deixam de ir para um adversário que tenta escapar da mesma situação.
É por isso que esses confrontos exigem máxima concentração.
O Grêmio precisa chegar diferente às últimas rodadas
A dificuldade da missão não está apenas na quantidade de jogos complicados. Está na necessidade de melhorar enquanto o campeonato continua.
O Grêmio não pode esperar que o calendário fique mais fácil. Não vai ficar.
Terá adversários da parte de cima, terá concorrentes diretos, terá um clássico e terá o líder do campeonato.
A solução precisa estar dentro do próprio time.
O Tricolor terá de melhorar defensivamente, encontrar mais consistência com a bola e, principalmente, reduzir os períodos em que deixa de competir dentro das partidas.
Uma equipe que luta contra o rebaixamento não precisa dominar todos os adversários. Mas precisa ser capaz de permanecer no jogo mesmo quando não consegue controlar a partida.
Esse talvez seja o principal passo para transformar uma sequência tão pesada em uma oportunidade de recuperação.
O Grêmio não precisa ganhar todos os jogos, mas não pode desperdiçar os certos
A tabela mostra que a recuperação será construída em diferentes tipos de partidas.
Há jogos em que o Grêmio terá de buscar os três pontos. Há confrontos em que um empate poderá ser importante. E existem partidas contra adversários mais fortes nas quais o objetivo será permanecer competitivo e aproveitar qualquer oportunidade de pontuar.
Os quatro duelos diretos serão fundamentais.
O Gre-Nal terá peso próprio. E os jogos contra Athletico-PR, Flamengo e Bahia poderão representar a diferença entre uma recuperação apenas suficiente e uma reação mais consistente.
O Grêmio chega às últimas 10 rodadas em 17º lugar, com 29 pontos e dois atrás do Vasco.
Ainda há caminho para sair do Z-4.
Mas esse caminho passa por uma sequência em que praticamente cada rodada terá uma história diferente.
O Tricolor terá de sobreviver ao clássico, enfrentar o líder, medir forças com equipes do G-4 e, principalmente, não desperdiçar os confrontos contra quem está lutando pela mesma coisa.
Porque, a partir de agora, o Grêmio não precisa apenas jogar melhor.
Precisa fazer a tabela trabalhar a seu favor.
FOTO: LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA/DIVULGAÇÃO



