Kamaru Usman
Lutas UFC

Kamaru Usman se vê capaz de superar Makhachev e explica por que venceria o russo; entenda

Kamaru Usman continua acreditando que seria capaz de derrotar Islam Makhachev caso recebesse uma oportunidade pelo cinturão dos meio-médios do UFC. Mesmo depois de deixar a divisão para enfrentar Dricus Du Plessis no peso-médio, o ex-campeão considera que seu estilo seria um problema enorme para o atual dono do título.

No último sábado (16), no UFC 330, realizado na Xfinity Mobile Arena, na Filadélfia, Makhachev ampliou ainda mais seu legado no UFC ao derrotou Ian Machado Garry na luta principal e estabeleceu o recorde de maior sequência de vitórias da história da organização. O resultado também reforçou sua posição como um dos lutadores mais dominantes da atualidade.

Enquanto Makhachev segue acumulando marcas importantes, Kamaru Usman observa a situação de fora e mantém uma opinião bastante clara: entre os nomes disponíveis na divisão dos meio-médios, poucos ou nenhum, seriam um teste tão complicado para o campeão quanto ele próprio. E o nigeriano não parece disposto a esconder essa confiança.

Usman ainda acredita que seria capaz de vencer Makhachev

Durante o podcast Pound 4 Pound, Usman voltou a falar sobre a possibilidade de enfrentar Makhachev e explicou por que acredita que teria as ferramentas necessárias para superar o campeão. Para o ex-dono do cinturão dos meio-médios, o principal argumento está justamente no casamento de estilos.

“Estilos fazem lutas” é uma velha máxima das artes marciais mistas, mas Usman acredita que ela se aplica perfeitamente a um eventual confronto com Makhachev. O nigeriano reconhece que existem atletas muito talentosos surgindo na categoria, mas entende que, olhando para o cenário atual, seu jogo poderia apresentar problemas específicos para o russo.

Usman foi direto ao dizer que acredita que conseguiria vencer. A declaração pode parecer ousada, especialmente depois de sua derrota para Du Plessis, mas não chega a ser uma novidade para quem acompanha sua trajetória. Durante boa parte de sua carreira, o ex-campeão construiu sua reputação justamente em cima de um estilo físico, forte na luta agarrada e extremamente difícil de controlar.

“Estou dizendo a vocês que posso fazer isso”, afirmou Usman ao defender sua tese.

A confiança também vem acompanhada de uma dose de realismo. O lutador sabe que sua situação não é simples. Depois de perder para Du Plessis em sua passagem pelo peso-médio, ele reconhece que não está exatamente na posição mais confortável para exigir uma disputa de cinturão.

Corrida pelo cinturão mudou completamente

Quando Usman começou a pressionar publicamente por uma luta contra Makhachev, sua situação era diferente. O ex-campeão vinha tentando convencer o UFC de que era o adversário ideal para o russo, mas a organização acabou escolhendo Ian Machado Garry para o confronto.

Usman, então, tomou uma decisão importante: subiu para o peso-médio e aceitou enfrentar Dricus Du Plessis no UFC Fight Night 281. A estratégia, porém, não saiu como planejado. A derrota fez com que sua reivindicação por uma disputa de título nos meio-médios perdesse força, justamente quando Makhachev começava a consolidar ainda mais seu domínio na categoria.

O cenário atual, portanto, é complicado para Usman. Ele tem um currículo respeitável, foi campeão do UFC e enfrentou alguns dos melhores lutadores de sua geração, mas sua sequência recente não lhe dá exatamente os argumentos necessários para furar a fila.

O próprio nigeriano sabe disso. Ele admitiu que deu um passo para trás e que decidiu se afastar por um período antes de aceitar novos desafios. O problema é que a tentativa de voltar ao topo acabou passando pelo peso-médio e terminou em derrota.

Agora, voltar para os meio-médios e imediatamente conseguir uma luta contra Makhachev seria uma missão bastante difícil.

Usman nunca viu Ian Garry como o desafiante número 1

Outro ponto interessante das declarações de Usman foi sua avaliação sobre Ian Machado Garry. O nigeriano nunca pareceu convencido de que o irlandês fosse o nome certo para receber a oportunidade contra Makhachev.

Garry chegou ao UFC 330 com um cartel impressionante e uma posição privilegiada na divisão. O confronto contra Makhachev, no entanto, terminou com uma vitória do campeão, que mais uma vez mostrou sua capacidade de controlar uma luta contra um adversário tecnicamente preparado.

Para Usman, o fato de Garry ter recebido a oportunidade não significava necessariamente que ele fosse o melhor teste disponível.

O ex-campeão afirmou que Garry poderia dizer que estava pronto e acreditar genuinamente nisso, mas que sua própria análise da divisão apontava para outro caminho. Na visão de Usman, confiança é importante, mas não substitui a análise de estilos quando se trata de montar uma luta desse tamanho.

E é justamente nesse ponto que ele coloca seu próprio nome.

Problema chamado Islam Makhachev

Makhachev construiu uma reputação particularmente assustadora por causa da maneira como consegue transformar sua luta agarrada em uma verdadeira armadilha para os adversários. O russo não depende apenas de quedas para vencer. Ele utiliza controle de posição, pressão e ataques no chão para limitar drasticamente as opções de quem está à sua frente.

Isso explica por que Usman acredita que um eventual confronto poderia ser diferente.

O nigeriano também possui uma longa experiência com wrestling de alto nível e passou anos utilizando força física, controle e pressão para dominar adversários. Durante seu reinado nos meio-médios, sua capacidade de manter os oponentes contra a grade e desgastá-los foi uma das principais características de seu jogo.

Uma luta entre os dois, portanto, poderia se transformar em um verdadeiro duelo de especialistas no grappling, com cada atleta tentando impor sua própria versão do combate físico.

Mas existe uma diferença importante: Makhachev está atualmente em uma fase de sua carreira na qual parece ter poucas respostas desconhecidas. O russo já mostrou capacidade de lutar em diferentes ritmos e contra diferentes estilos, e sua sequência de vitórias transformou qualquer eventual desafiante em um grande ponto de interrogação.

Makhachev já estabeleceu um novo padrão

A vitória sobre Garry no UFC 330 teve um peso ainda maior porque permitiu que Makhachev quebrasse o recorde de maior sequência de vitórias da história do UFC. Aos 29 triunfos no MMA profissional e 18 no UFC antes do confronto, o russo já carregava números impressionantes, e o novo resultado ampliou ainda mais sua distância em relação aos principais concorrentes.

Isso coloca uma pressão enorme sobre qualquer atleta que queira enfrentá-lo.

Usman, entretanto, parece enxergar justamente aí uma oportunidade. Em vez de acreditar que Makhachev é simplesmente bom demais para ser derrotado, ele parte da ideia de que uma luta não é decidida apenas pelo histórico de vitórias. Para ele, o encaixe entre os estilos pode ser determinante.

É uma aposta arriscada, sem dúvida. Mas também é o tipo de confiança que costuma aparecer quando um lutador acredita que encontrou uma maneira específica de incomodar um campeão.

Ainda existe caminho para Usman?

A grande questão agora é saber se Usman conseguirá transformar essa confiança em uma nova oportunidade dentro do UFC. Aos 21-5 no MMA profissional e 16-4 na organização, ele possui currículo suficiente para ser levado a sério, mas precisará reconstruir sua posição na divisão.

Depois da derrota para Du Plessis, provavelmente será necessário voltar aos meio-médios, conseguir uma vitória relevante e, principalmente, convencer o UFC de que ainda existe uma versão de Kamaru Usman capaz de competir com a elite.

Makhachev, por outro lado, não parece ter pressa. O russo continua vencendo, quebrando recordes e aumentando o tamanho do desafio para quem quiser tomar seu cinturão.

Por enquanto, portanto, o confronto existe mais na cabeça de Usman do que no calendário do UFC. Mas o ex-campeão deixou seu recado bem claro: se a organização quiser colocar à prova a teoria de que estilos fazem lutas, ele continua acreditando que é o homem certo para tentar parar Islam Makhachev.

E, considerando o nível de confiança demonstrado pelo nigeriano, pelo menos vontade de entrar nessa briga não vai faltar.

(Foto: Brett Davis-Imagn Images)