O UFC Vegas 122 deixou Brendan Allen em uma posição favorável para voltar a mirar os principais nomes da divisão dos médios. Ao finalizar Christian Leroy Duncan com um mata-leão no quinto round, o norte-americano chegou à quarta vitória consecutiva e reforçou sua candidatura a um confronto capaz de aproximá-lo novamente da disputa pelo cinturão. Para Duncan, o resultado teve o efeito contrário: a derrota encerrou uma sequência de cinco triunfos, mas não apaga a evolução que o britânico vinha apresentando dentro da organização.
Os dois saem do evento diante de desafios diferentes. Allen precisa transformar a boa fase em uma oportunidade contra alguém que esteja próximo da elite da categoria, enquanto Duncan deve encontrar um adversário que permita testar sua capacidade de reação sem exigir que recomece toda a trajetória. Por isso, o matchmaking ideal precisa levar em consideração não apenas o resultado mais recente, mas também o momento de carreira de cada lutador.
Brendan Allen precisa enfrentar alguém da elite do UFC
A vitória sobre Duncan foi importante não apenas pela finalização, mas também pela maneira como Allen conseguiu resolver uma luta que chegou ao quinto round. O norte-americano demonstrou capacidade de manter a pressão e aproveitar a oportunidade quando o combate entrou em uma situação favorável ao seu jogo de grappling. A sequência de quatro vitórias consecutivas fortalece sua posição e aumenta a necessidade de um próximo adversário que represente um avanço real na carreira.
Nesse estágio, enfrentar outro prospecto ou alguém que esteja abaixo dele na hierarquia da divisão poderia oferecer pouco retorno esportivo. Allen já demonstrou que consegue superar adversários competitivos e precisa de um teste que responda a uma pergunta mais importante: ele tem condições de vencer um integrante da elite dos médios e se aproximar de uma disputa pelo título?
É nesse contexto que Dricus du Plessis surge como a melhor opção. O sul-africano oferece uma combinação de experiência, força física e capacidade de competir em alto nível que tornaria o confronto um teste significativo para Allen. Além disso, uma vitória teria peso suficiente para fortalecer a posição do norte-americano entre os principais candidatos a uma futura oportunidade pelo cinturão.
O duelo também teria interesse esportivo por causa do contraste entre os estilos. Allen possui recursos importantes no grappling e sabe aproveitar oportunidades para levar a luta ao chão, enquanto du Plessis costuma impor um ritmo físico intenso e consegue ameaçar tanto em pé quanto nas transições. O resultado dependeria da capacidade de cada um de impor sua estratégia sem permitir que o adversário transformasse o combate em seu terreno preferido.
Para Allen, essa seria uma oportunidade de demonstrar que sua sequência positiva não está limitada a confrontos nos quais consegue encontrar vantagens técnicas específicas. Vencer um ex-campeão ou um lutador estabelecido no topo da categoria poderia mudar a percepção sobre seu lugar na divisão e colocá-lo em uma discussão mais concreta sobre o próximo desafiante ao título.
Existe, naturalmente, uma condição importante: a disponibilidade de du Plessis e os compromissos que o UFC já tenha planejado para ele. Caso o sul-africano esteja destinado a outro confronto, Allen deveria continuar mirando um adversário do mesmo patamar, em vez de aceitar uma luta que pouco altere sua posição competitiva.
A prioridade precisa ser clara: Allen já fez o suficiente para justificar um salto de nível.
Christian Leroy Duncan precisa provar que continua evoluindo no UFC
A situação de Christian Leroy Duncan no UFC exige uma análise diferente. A derrota para Allen encerrou sua sequência de cinco vitórias, mas o resultado não deveria ser interpretado como uma razão para retirá-lo imediatamente da disputa contra adversários de bom nível. O britânico vinha construindo uma trajetória positiva e encontrou pela frente um oponente capaz de explorar justamente uma das áreas mais importantes do MMA: a transição entre a luta em pé e o combate no chão.
Duncan possui recursos técnicos para competir na divisão dos médios do UFC, especialmente quando consegue manter a luta em pé e utilizar sua movimentação para criar oportunidades de ataque. O problema é que, diante de um adversário com o repertório de Allen, não basta apresentar boas ferramentas ofensivas. Também é necessário defender as entradas de queda, controlar as posições desfavoráveis e encontrar maneiras de voltar à distância em que seu striking funciona melhor.
A finalização sofrida no quinto round torna essa questão ainda mais relevante. Depois de cinco rounds de combate, resistência física e tomada de decisão passam a ter um peso enorme. Duncan precisa mostrar que consegue corrigir as dificuldades expostas por Allen e voltar a competir contra adversários capazes de testar seu jogo em diferentes áreas.
Anthony Hernandez seria uma escolha interessante para esse próximo passo no UFC. O norte-americano possui experiência relevante na divisão e oferece um confronto exigente, principalmente pela pressão que consegue exercer e pela capacidade de transformar trocas em oportunidades de grappling. Para Duncan, seria uma chance de provar que consegue lidar com um adversário que não depende exclusivamente da trocação.
O duelo também teria valor para Hernandez, que precisa reconstruir seu caminho em direção ao topo depois de resultados negativos. Em vez de colocar Duncan imediatamente contra outro integrante do grupo mais restrito de candidatos ao cinturão, o UFC poderia organizar um confronto entre dois lutadores que ainda possuem ambições importantes, mas precisam apresentar uma resposta dentro do octógono.
A luta exigiria bastante do britânico. Ele precisaria demonstrar evolução defensiva, melhorar a maneira como reage à pressão e encontrar soluções para impedir que o adversário controle os momentos decisivos. Ao mesmo tempo, teria a oportunidade de mostrar que sua sequência anterior não foi circunstancial e que ainda pode crescer dentro de uma categoria competitiva.
Se Hernandez não estiver disponível, Roman Kopylov seria uma alternativa interessante. Nesse cenário, o combate teria uma ênfase maior na trocação e permitiria avaliar como Duncan se comporta diante de um adversário perigoso em pé. Seria um caminho diferente, mas ainda relevante para reconstruir sua posição na divisão.
(Foto: Divulgação/UFC)



