Mirassol se resumirá a brigar contra o rebaixamento?
Futebol Brasileirão

O ano do Mirassol se resumirá a brigar contra o rebaixamento?

O Mirassol vive um 2026 bem diferente do sonho de permanência confortável na Série A. Após o histórico quarto lugar em 2025, o clube sofreu um desmanche significativo, perdeu 14 jogadores importantes e, até o momento, ocupa a 19ª posição no Brasileirão com apenas 6 pontos em 8 jogos. 

A pergunta que surge é inevitável: o ano do Leão se resumirá apenas a uma luta desesperada contra o rebaixamento?

O desmanche planejado que saiu do controle

Internamente, a diretoria do Mirassol encara as 14 saídas como parte natural do planejamento. Jogadores como Jemmes, Danielzinho, Roni, Matheus Sales, Gabriel e outros deixaram o clube após o bom ano de 2025. A ideia era renovar o elenco com nomes mais experientes na Série A, como Lucas Mugni, Galeano, Eduardo, André Luís e Yuri Lara.

No entanto, o que parecia um processo controlado virou um desmanche que afetou profundamente o rendimento. A perda de peças-chave como Danielzinho (meia criativo) e Jemmes (zagueiro titular) comprometeu a identidade do time. O meio-campo perdeu organização e a defesa ficou mais vulnerável. O resultado foi imediato: no Campeonato Paulista, o Mirassol ficou entre os últimos colocados e não se classificou para o mata-mata.

No Brasileirão, a situação é ainda mais preocupante. Com apenas uma vitória, três empates e quatro derrotas, o time acumula 6 pontos e aparece na zona de rebaixamento. A equipe mostra dificuldade para criar chances claras e sofre com a falta de entrosamento.

Por que o rendimento caiu tanto?

Mesmo com contratações de nível razoável para a Série A, o Mirassol perdeu o principal ativo de 2025: a coesão coletiva. O time que surpreendeu o ano passado tinha uma identidade clara, com transições rápidas, boa pressão e jogadores que se conheciam bem. Agora, com tantas mudanças, o entrosamento ainda não foi recuperado.

A saída de Danielzinho enfraqueceu a criação no meio-campo, enquanto a perda de Jemmes deixou a defesa mais exposta. As novas peças ainda não conseguiram compensar essas ausências. O time tem mostrado fragilidade defensiva (13 gols sofridos em 8 jogos) e pouca efetividade ofensiva.

Mirassol na Libertadores 2026

O Mirassol foi sorteado no Grupo G da Copa Libertadores 2026 e terá pela frente um caminho bastante complicado. O Leão vai enfrentar o Lanús (atual campeão da Sul-Americana), o LDU Quito (semifinalista da Libertadores 2025) e o Always Ready, da Bolívia.

O Lanús chega como atual campeão da Sul-Americana e com moral elevada, enquanto o LDU Quito é um time tradicionalmente forte em casa e que vem de boa campanha na Libertadores anterior. O Always Ready, embora seja o mais acessível do grupo, oferece o perigo clássico da altitude boliviana.

Para o Mirassol, que vive momento delicado no Brasileirão (atualmente na zona de rebaixamento), a Libertadores representa tanto uma oportunidade de projeção internacional quanto um risco de sobrecarga física e emocional. O desafio será equilibrar as duas competições e obter pontos suficientes para avançar às oitavas de final.

O que o Mirassol precisa fazer para não afundar

Para evitar o rebaixamento, o Mirassol precisa agir rápido em três frentes. A equipe precisa recuperar a compactação defensiva, já que vem cedendo muitos espaços e sofrendo com erros individuais, tornando urgente melhorar a organização da linha de defesa e a proteção ao goleiro. 

Além disso, é necessário aumentar a intensidade coletiva, pois o time tem se mostrado lento e desorganizado, precisando voltar a pressionar mais alto e ser mais agressivo nas transições. Outro ponto fundamental é integrar rapidamente os reforços, como Lucas Mugni, Galeano, Eduardo, Tiquinho Soares e André Luís, que precisam se adaptar ao estilo do clube o quanto antes, evitando que a equipe dependa apenas de individualidades.

A boa notícia é que o campeonato ainda está no início e, com 30 rodadas pela frente, há tempo para corrigir o rumo. No entanto, se o Mirassol continuar apresentando o mesmo futebol das primeiras rodadas, a briga contra o rebaixamento será inevitável.

Um ano de transição ou de sobrevivência?

O Rafael Guanaes planejava o 2026 do Mirassol como um ano de consolidação na Série A. Em vez disso, o clube se vê obrigado a lutar pela permanência. O desmanche foi planejado, mas o impacto no rendimento foi maior do que o esperado.

A diretoria apostou em renovação, mas a perda de peças importantes como Danielzinho e Jemmes deixou um vazio que ainda não foi preenchido. Agora, o desafio é transformar essa transição em algo positivo antes que seja tarde.

O ano do Mirassol pode se resumir a uma batalha contra o rebaixamento. Para evitar esse destino, o time precisa recuperar urgentemente a organização coletiva e a intensidade que marcaram sua campanha histórica em 2025. Caso contrário, o sonho de se estabelecer na elite pode virar um pesadelo já no primeiro ano pós-surpresa.

Foto: Marco Miatelo/AGIF