A Copa do Mundo de 2026 alcançou números históricos nos Estados Unidos e no Canadá, deixando claro que o futebol ganhou um espaço ainda maior nos dois países. Mais de 50 milhões de pessoas acompanharam a última partida da seleção norte-americana, contra a Bélgica, nas oitavas de final, enquanto 69% dos canadenses assistiram a algum momento do torneio.
Porém, após o fim da competição, surge uma questão importante: como manter esse público ligado ao futebol durante o restante do ano? Neste cenário, a MLS pode cumprir um papel fundamental, oferecendo aos novos torcedores uma competição local para acompanhar de perto, sem depender apenas da chegada de outra Copa do Mundo.
MLS pode manter Estados Unidos e Canadá ligados ao futebol após a Copa do Mundo
A Copa do Mundo teve força suficiente para colocar o futebol no centro das atenções na América do Norte. Além dos grandes públicos nos estádios, os números de audiência mostram que norte-americanos e canadenses acompanharam o torneio em grande escala, principalmente nos jogos de suas seleções. No entanto, transformar esse interesse em algo duradouro exige mais do que uma grande competição disputada a cada quatro anos.
Neste cenário, para que o futebol realmente dê outro salto nos Estados Unidos e no Canadá, é necessário que parte desse público encontre motivos para continuar acompanhando o esporte ao longo das temporadas.
É justamente neste ponto que a MLS pode aparecer como um caminho natural. A liga conta com 30 equipes, está presente nos dois países e retorna no dia 17 de julho, antes de entrar na segunda metade da temporada e seguir até os playoffs da MLS Cup, que terão sua conclusão em dezembro.
Desta forma, quem se empolgou com a Copa não precisa esperar pelo Mundial feminino do próximo ano ou pela edição masculina de 2030 para voltar a acompanhar grandes jogos. A MLS oferece uma competição próxima, com clubes locais, estádios acessíveis e horários pensados para o público da própria região.
A possibilidade de assistir aos jogos presencialmente também pode fazer diferença. Os preços dos ingressos da Copa ficaram fora do alcance de muitos torcedores, enquanto a MLS oferece uma alternativa mais barata para acompanhar futebol nos Estados Unidos e no Canadá. Alguns clubes, inclusive, disponibilizam entradas gratuitas para pessoas que vão pela primeira vez a uma partida da equipe.
Além disso, a liga conta com torcidas que misturam características do futebol europeu e sul-americano. Clubes como Seattle Sounders, Portland Timbers, LAFC, Nashville SC e FC Cincinnati costumam apresentar bons ambientes nos estádios. Vancouver Whitecaps, Toronto FC e Atlanta United também ganham força nas arquibancadas quando vivem fases positivas.
Neste cenário, Copa do Mundo e MLS podem formar um combo importante para o crescimento do futebol na região. O Mundial atraiu um público enorme e colocou o esporte em evidência, enquanto a liga local agora tem a oportunidade de transformar parte dessa curiosidade em interesse constante.
O equilíbrio da competição também pode ajudar. Diferentemente das principais ligas europeias, a MLS define seu campeão por meio de playoffs. Sendo assim, a melhor campanha da temporada regular não garante o título, o que aumenta o peso dos confrontos decisivos no fim do ano.
Além disso, a presença de um teto salarial também deixa os clubes em condições financeiras mais próximas, apesar das exceções para Jogadores Designados e outros mecanismos. Desta forma, a competição costuma apresentar mudanças rápidas de uma temporada para outra.
O Vancouver Whitecaps, por exemplo, chegou à final da MLS Cup na última temporada depois de passar mais de uma década sem grandes resultados. Enquanto isso, o Philadelphia Union, dono da melhor campanha da temporada regular anterior, caiu para a última colocação neste ano. Já o San Jose Earthquakes, que terminou apenas em 20º em 2025, aparece atualmente na segunda posição.
Para um público que gostou das surpresas e dos jogos eliminatórios da Copa do Mundo, este formato pode ser interessante. A MLS entrega zebras, mudanças constantes e uma reta final em que diferentes equipes podem sonhar com o título.
Após a Copa do Mundo, MLS também pode ser interessante para outros países
Embora a MLS tenha um papel ainda mais importante para manter norte-americanos e canadenses ligados ao esporte, a competição também pode despertar o interesse de quem vive em países onde o futebol já faz parte da cultura.
É verdade que para brasileiros, argentinos, europeus e outros públicos acostumados a acompanhar as principais ligas do mundo, a MLS talvez não apresente o mesmo nível técnico das competições mais fortes. Porém, isso não significa que a liga não tenha atrativos suficientes para ganhar espaço durante a temporada.
Neste cenário, o principal deles continua sendo Lionel Messi. Mesmo aos 39 anos, o argentino mostrou na Copa do Mundo que ainda pode atuar entre os grandes nomes do futebol. Jogar pelo Inter Miami ajudou o jogador a chegar preparado ao torneio, no qual alcançou sua melhor marca de gols em uma única edição.
Na última temporada, Messi registrou 29 gols e 19 assistências em 28 partidas, conduzindo o Inter Miami ao título da MLS Cup de 2025 e conquistando seu segundo prêmio consecutivo de melhor jogador da liga. Já em 2026, o camisa 10 soma 12 gols e oito assistências em 14 jogos.
Enquanto o argentino entra na reta final da carreira, cada atuação ganha um peso diferente. Para quem acompanhou Messi durante anos no futebol europeu e nas Copas do Mundo, a MLS oferece a oportunidade de seguir assistindo a um dos maiores jogadores da história em atividade. Porém, a presença de grandes nomes não se resume ao argentino.
A liga conta com outros 46 jogadores que disputaram a Copa do Mundo, aparecendo como a competição mais representada no torneio fora das principais ligas de Inglaterra, Alemanha, França, Espanha e Itália.
Entre os atletas da MLS, estão nove jogadores dos Estados Unidos e outros nove do Canadá. Além disso, cinco campeões mundiais atuam atualmente na competição: Messi e Rodrigo De Paul, no Inter Miami, Thomas Müller, no Vancouver Whitecaps, Hugo Lloris, no LAFC, e Antoine Griezmann, no Orlando City.
Além disso, Son Heung-min também aparece entre os veteranos de destaque presentes na liga. Sendo assim, a MLS já não pode ser vista apenas como uma competição distante dos grandes nomes do futebol mundial.
Ao mesmo tempo, a liga conta com jovens jogadores que podem ganhar espaço no futebol europeu nos próximos anos. Cavan Sullivan, de apenas 16 anos, soma três gols e quatro assistências em 772 minutos disputados e irá para o Manchester City quando completar 18 anos.
Julian Hall, de 18 anos, marcou nove gols em 15 partidas, enquanto Zavier Gozo, de 19, registra seis gols e cinco assistências em 14 jogos. O atleta chegou a disputar uma vaga na seleção dos Estados Unidos para a Copa do Mundo.
Outros nomes como Adri Mehmeti, de 17 anos, e Tate Johnson, de 21, também aparecem entre os jovens promissores da competição. Inclusive, recentemente, a MLS já viu jogadores como Obed Vargas e Alex Freeman deixarem a liga para defender Atlético de Madrid e Villarreal, respectivamente.
Por fim, a imprevisibilidade também pode tornar os jogos interessantes para quem busca algo diferente. Devido às restrições salariais, muitos clubes contam com ataques mais qualificados do que suas defesas e seus goleiros. Com isso, a competição costuma apresentar partidas abertas, muitos gols, erros inesperados e lances pouco comuns nas principais ligas europeias.
Neste cenário, após uma Copa do Mundo histórica na América do Norte, a MLS tem uma oportunidade importante nas mãos. Para Estados Unidos e Canadá, a liga pode manter aceso o interesse criado pelo torneio. Já para quem acompanha futebol em outras partes do mundo, a presença de craques, jovens promessas, playoffs e jogos imprevisíveis pode ser suficiente para transformar a competição em uma opção interessante no calendário.
Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.