Em sua primeira temporada na Fórmula 1, a Cadillac apostou nas unidades de potência da Ferrari para alimentar o MAC-26. No entanto, o plano da marca americana, que faz parte do grupo General Motors (GM), é competir com motores produzidos internamente a partir de 2029. Segundo indicou o CEO da equipe, Tom Towriss, o projeto está adiantado em relação ao cronograma inicialmente previsto.
Com os experientes Sergio Pérez e Valtteri Bottas, que juntos acumulam 16 vitórias e três vice-campeonatos mundiais, a Cadillac teve um início de ano fraco, porém consistente. Já era esperado que o time ocupasse as últimas posições do grid, mas um salto de desempenho foi observado no GP do Japão, quando a dupla superou Fernando Alonso e Lance Stroll, da Aston Martin, na classificação.
Os próximos passos para 2026 visam consolidar o conjunto e avançar no pelotão intermediário. Mario Andretti – que faz parte da gestão interna da equipe –, inclusive, fala em pontuar, mas a Cadillac também olha para o longo prazo com ambição e já direciona esforços para o desenvolvimento de sua própria unidade de potência.
Projeto em fase adiantada anima Cadillac diante do futuro

Embora ainda não haja confirmação oficial, Towriss e a Cadillac trabalham com 2029 como o ano-alvo para a introdução do motor próprio. O CEO ressalta que, apesar da parceria técnica com a Ferrari, o projeto é totalmente independente.
“Serão iniciativas completamente distintas. Seremos uma equipe cliente da Ferrari enquanto desenvolvemos nossas unidades de potência, e esse trabalho ficará a cargo da GM”, explicou Towriss.
Diante do investimento expressivo feito pela Cadillac para sua entrada na Fórmula 1, que incluiu ações promocionais na Times Square durante o Super Bowl e uma parceria com a Apple, além da relevância da GM no mercado global, as expectativas são elevadas quanto ao potencial de crescimento da equipe e à possibilidade de se tornar uma das protagonistas da categoria.
Desenvolver um motor de forma independente é um desafio considerável. Para 2026, por exemplo, a Alpine deixou de produzir suas próprias unidades e passou a ser cliente da Mercedes. Outro caso relevante é o da Red Bull, que utiliza motores batizados como RBPT (Red Bull Powertrains), mas conta com o suporte da Ford e, anteriormente, da Honda.
Cadillac de olho em mudanças de regulamento

As novas regras de 2026 têm sido um tema polêmico na Fórmula 1. O principal alvo de críticas, que incluem pilotos e chefes de equipe, é a unidade de potência. A forma como a bateria fornece 50% da potência do carro gerou, nas três corridas iniciais, dificuldades até mesmo para a FIA (Federação Internacional de Automobilismo).
Sob pressão para revisar o regulamento, diante de preocupações com a segurança e com o impacto negativo na competitividade, já que os pilotos não conseguem explorar plenamente o limite dos carros, é provável que a entidade promova ajustes nas diretrizes de motores a partir de 2027.
As normas atuais sobre unidades de potência estão previstas para vigorar até 2030. Isso significa que o motor da Cadillac poderia estrear quando os concorrentes já estariam próximos de seu auge técnico.
Ainda assim, Towriss mantém o otimismo em relação ao projeto. “É possível que as regras mudem antes de 2031, assim como também é possível que permaneçam inalteradas. Independentemente do cenário, considero importante vermos uma unidade de potência da Cadillac no grid o quanto antes. Se houver formas de acelerar esse processo, nós iremos explorá-las. Por enquanto, porém, o foco segue em 2029”, declarou.
Na prática, o objetivo da Cadillac vai além do desempenho esportivo. Desenvolver um motor próprio na principal categoria do automobilismo também representa uma mensagem estratégica para a indústria, especialmente se a unidade de potência se mostrar competitiva.
(Foto principal: Reprodução/Cadillac)



