Pedrinho, Shakhtar, Ucrânia
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Ex-Corinthians e Atlético, Pedrinho expõe vida na Ucrânia em meio a guerra e afirma: “Espero que termine”

Há mais de dois anos numa guerra violenta contra a Rússia, a Ucrânia sente de todas as maneiras possíveis os impactos, e no futebol não vem sendo diferente, incluindo jogadores brasileiros entre os prejudicados. Um deles vem sendo Pedrinho, meia do Shakhtar Donetsk, que voltou ao país neste ano, depois de um período no Atlético-MG, fazendo um caminho contrário ao daqueles que abandonaram a Ucrânia em meio a batalha.

Ex-jogador do Corinthians, Pedrinho esteve no Galo até julho, e ainda em fevereiro, acertou uma renovação de cinco anos com o Shakhtar. Apesar de saber dos terríveis problemas que a guerra tem trazido ao cotidiano na Ucrânia, o jogador afirmou, durante entrevista exclusiva ao ge, que tinha vontade de retornar para a equipe de Donetsk, com quem tem vínculo até junho de 2029:

– Os brasileiros do clube falaram que estavam vivendo um pouco mais afastados da situação da guerra. O diretor também me deu toda a segurança e suporte, mas claro que a gente nunca fica satisfeito por completo porque a gente sabe que a Ucrânia está vivendo uma situação bem complicada. Mas foram inúmeros fatores que eu achei que poderia ser importante para poder voltar, e poder atuar em alto nível afirmou o jogador.

Apesar da guerra com os russos, o Shakhtar Donetsk disputa pela terceira temporada seguida a Uefa Champions League. E a principal competição de clubes do futebol mundial, foi um dos grandes motivos que inspiraram Pedrinho a voltar e renovar contrato com o futebol ucraniano, mesmo existindo desafios maiores.

Desde o retorno para a Ucrânia, o meia vive sozinho, assim como os outros seis brasileiros do time. Por conta da guerra, os familiares dos atletas permaneceram no Brasil por segurança. Sobre a volta para o leste europeu, Pedrinho afirmou que ele não sabia o que iria encontrar e, por isso, manteve a família afastada, apesar do sacrifício de estar longe dos entes queridos.

Acredito que o maior sacrifício que a gente tem é estar longe da nossa família. O dia a dia aqui é tranquilo. Estamos vivendo hoje em Lviv, na fronteira com a Polônia, onde a gente pode sair normalmente. Acho que só aconteceu duas situações quando a gente estava ainda na capital que causou um pouco de tensão, mas esses últimos meses que fomos para Lviv acabou ficando mais tranquilo. A gente acaba correndo o risco para o bem de todos os nossos familiares, mas sabendo que é complicado a família viver aqui realmente – contou Pedrinho.

Pedrinho expõe outras dificuldades em meio a Guerra da Ucrânia

Além da dificuldade de estar longe da família em meio a guerra, Pedrinho relatou ao ge também ter enfrentado dificuldades dentro de campo. Mesmo que a volta a Ucrânia tenha sido uma escolha própria, o jogador não escondeu os medos que possui da batalha. Quando voltou, nos primeiros treinos e jogos pelo Shakhtar, o meio-campista não se sentia bem e, com isso, não demonstrava um bom futebol. Agora, segundo ele, a situação está mais tranquila.

– O meu retorno vem sendo gradual, porque acredito que os primeiros meses não foram normais. Vim para uma situação que sabia o que estava acontecendo, mas até mesmo em muitos momentos eu acaba não dormindo bem, preocupado, longe da família. Eu via que isso acaba refletindo dentro de campo. Às vezes ia dormir cinco horas da manhã para treinar oito. Então, é como a gente fala, aqui não é só o futebol, é o extracampo também. A gente tem muitas viagens longas, de ônibus, porque até mesmo aeroporto não está funcionando. No início acho que isso acabou prejudicando um pouco – disse o atleta.

Pedrinho é apenas um dos sete brasileiros no time do Shakhtar Donetsk. Tendo retornado ao time no segundo semestre, o meio-campista possui contrato até 2029, mas leva em conta o final da guerra para se manter na Ucrânia. Segundo ele, a expectativa é alta para que os dias voltem ao normal no país brevemente, através da intervenção de outros países na situação.

– Tenho contrato de cinco anos aqui. O meu desejo quando escolhi voltar era que a guerra acabasse o quanto antes. Tenho em mente ficar aqui o máximo de tempo possível, tenho certeza que o Shakhtar é uma grande equipe, e que possa fazer com que eu evolua cada vez mais. Tudo depende de como vai ficar a situação da guerra. É bastante difícil ficar longe da família. É torcer para que a guerra acabe logo para que eles possam estar junto comigo. O meu desejo é ficar aqui bastante tempo.

Na Liga dos Campeões, o Shakhtar Donetsk é o 28º colocado da tabela, com quatro pontos ganhos. Até o momento, os ucranianos em quatro partidas somam uma vitória, um empate e duas derrotas, estando fora da zona de classificação para os playoffs das oitavas de final.

Pedrinho, Shakhtar, Ucrânia
Pedrinho voltou ao Shakhtar Donetsk com a intenção de jogar a Champions League — Foto: GettyImages