A Ferrari começou o fim de semana do Grande Prêmio da Hungria em grande estilo. Charles Leclerc e Lewis Hamilton lideraram as duas sessões de treinos de sexta-feira em Budapeste, confirmando as expectativas de que o traçado estreito e sinuoso do Hungaroring poderia favorecer o carro da equipe italiana.
Enquanto a Ferrari controlava o ritmo na frente, a Mercedes, atual líder dos campeonatos de pilotos e construtores, teve dificuldades para mostrar desempenho competitivo em uma volta rápida. George Russell terminou as duas sessões na quinta posição, enquanto Kimi Antonelli teve um dia ainda mais complicado e fechou o segundo treino livre apenas em 13º.
O cenário chamou a atenção justamente porque a Mercedes tem sido uma das equipes mais competitivas da temporada. Mesmo assim, na sexta-feira, a Ferrari pareceu estar um passo à frente. “Foi um dia bastante estranho lá fora, acho que para todos”, afirmou Russell.
O piloto destacou que o Hungaroring continua sendo um circuito incrível para pilotar, mas as condições da pista tornaram o trabalho mais complicado. “É uma pista incrível para pilotar, mas metade dela foi recapeada e está muito ondulada.” A principal preocupação da Mercedes, no entanto, esteve relacionada ao ritmo em uma única volta. “Nosso ritmo de uma volta não pareceu muito bom. O ritmo de long run foi mais competitivo, mas aquilo que temíamos em relação à Ferrari parece ter acontecido. Eles parecem muito fortes.”
Russell admite que a Ferrari está um passo à frente da Mercedes
A avaliação de Russell foi direta. Embora a Mercedes tenha mostrado um desempenho mais competitivo em simulações de corrida, o ritmo de classificação apresentado na sexta-feira não foi suficiente para acompanhar a Ferrari.
O britânico também comentou a situação enfrentada na etapa anterior, na Bélgica, quando um problema de software impediu que ele tivesse acesso à potência máxima. Russell afirmou que confiou na equipe para resolver o problema, mas reconheceu que a Mercedes ainda tem trabalho pela frente.
“Confiei na equipe de que tudo foi resolvido”, afirmou. Ainda assim, o piloto admitiu que a equipe precisa reagir. “De forma geral, temos trabalho a fazer como equipe. A Ferrari está um bom passo à frente de todos neste momento.”
A declaração mostra que a Mercedes não está necessariamente descartada da disputa. O ritmo de long run apresentado pela equipe foi mais encorajador, e o desempenho em uma volta pode mudar significativamente quando os pilotos encontrarem a janela ideal de funcionamento dos pneus. O problema é que, no momento, a Ferrari parece ter encontrado uma combinação mais eficiente para as características do Hungaroring.
Antonelli teve uma sexta-feira ainda mais complicada
Kimi Antonelli também teve dificuldades para mostrar o verdadeiro potencial da Mercedes. O italiano começou o dia sem participar do primeiro treino livre, já que o terceiro piloto da equipe, Fred Vesti, assumiu seu carro na sessão.
Quando finalmente entrou na pista para o segundo treino, Antonelli teve pouco tempo para construir seu ritmo. Sua primeira tentativa de volta rápida foi interrompida por uma bandeira vermelha provocada pelo acidente de Franco Colapinto. Na segunda tentativa, um momento de sobresterço também prejudicou sua volta rápida.
Como consequência, Antonelli não conseguiu completar uma simulação de classificação representativa e terminou a sessão na 13ª posição. Apesar das dificuldades, a Mercedes ainda acredita que poderá lutar pela pole position no sábado. Bradley Lord, vice-chefe da equipe, afirmou que o desempenho apresentado ao longo da temporada permite manter a confiança. “Esperamos poder lutar pela pole. Temos sido competitivos em todos os tipos de circuito neste ano”, afirmou.
Segundo Lord, existe uma narrativa de que determinados circuitos favorecem a Mercedes enquanto outros beneficiam os rivais. No entanto, ele acredita que a equipe tem conseguido manter uma presença constante na parte da frente do grid. “Vimos geralmente outras equipes oscilarem bastante, mas acho que temos sido bastante consistentes na luta lá na frente e capazes de competir pela pole em todas as corridas. Esse precisa ser nosso objetivo amanhã.”
Acompanhe a evolução da Ferrari: de ameaça cada vez maior a referência na Hungria
A sexta-feira no Hungaroring mostra uma Ferrari que chega a este fim de semana em uma posição de força. A equipe italiana não apenas liderou as duas sessões de treinos, como também colocou seus dois pilotos no centro da disputa pelo melhor ritmo do dia.
A trajetória pode ser entendida em uma sequência clara. Primeiro, a Ferrari aparece como uma equipe que a Mercedes já esperava que fosse forte nas características específicas do circuito húngaro. Depois, durante os treinos, essa expectativa se confirma: Charles Leclerc e Lewis Hamilton assumem as duas primeiras posições nas sessões.
Ao mesmo tempo, a Mercedes, mesmo liderando os campeonatos de pilotos e construtores, não consegue responder no ritmo de uma volta. George Russell termina as duas sessões em quinto, enquanto Kimi Antonelli enfrenta problemas para completar uma simulação de classificação.
O resultado é uma mudança importante no equilíbrio do fim de semana. A Ferrari deixa de ser apenas uma ameaça teórica baseada nas características do circuito e passa a apresentar, na prática, o ritmo mais forte da sexta-feira.
É exatamente essa evolução de competitividade que preocupa Russell. Para o piloto da Mercedes, a Ferrari parece ter chegado à Hungria com um carro capaz de explorar melhor o traçado sinuoso e as condições da pista, enquanto sua própria equipe ainda precisa encontrar desempenho adicional.
A Mercedes acredita que o ritmo de corrida pode oferecer uma esperança de reação. Porém, antes de pensar na vitória, a equipe precisa recuperar o desempenho em uma volta, especialmente porque a Ferrari já mostrou que está pronta para aproveitar qualquer oportunidade.
Agora, a qualificação será difícil. A Mercedes ainda confia em sua capacidade de lutar pela pole position, mas a Ferrari terminou a sexta-feira com a vantagem psicológica e técnica. Para Russell e Antonelli, o desafio será transformar o potencial demonstrado nos long runs em velocidade real de classificação antes que a equipe italiana transforme seu domínio de sexta-feira em uma ameaça ainda maior para o restante do fim de semana.
Foto: (MotorSport Images)



