Carlos Sainz Jr. tem sido bastante vocal ao criticar as novas regras da Fórmula 1, implementadas a partir da temporada 2026. O espanhol da Williams afirmou temer que a aerodinâmica ativa provoque acidentes de grandes proporções.
Segundo o piloto do nº 55, a abertura das asas dianteira e traseira a cerca de 340 km/h em trechos conhecidos como retas-curvas — termo cunhado pelo narrador Galvão Bueno — oferece risco significativo à integridade dos pilotos.
Sainz destaca pistas de maior perigo

À imprensa, Sainz criticou o Straight Mode (modo reta) e o classificou como “remendo sobre remendo”. Ele destacou que alguns circuitos têm características que ampliam o risco de acidentes graves, agora que a aerodinâmica ativa dos carros engloba também a asa dianteira e foi flexibilizada para uso contínuo durante a prova, incluindo trechos de curvas sutis de alta velocidade.
Sainz citou as pistas de Jeddah — que não deve ser utilizada em 2026, já que o GP da Arábia Saudita foi cancelado por razões de segurança — e Melbourne, na Austrália. “Não gosto de ter que andar no limite a 340 km/h, sem carga aerodinâmica no carro e com as asas abertas, especialmente nesse tipo de pista. [Na China], em linha reta, tudo bem. Mas em outros tipos de circuito, não é bom”, afirmou.
Os novos modos de reta e curva substituem o DRS, sistema que facilita ultrapassagens por meio da abertura de um flap na asa traseira. Em 2026, a aerodinâmica ativa deixa de ter foco nas disputas por posição e passa a priorizar a eficiência energética das baterias.
Suzuka, palco do GP do Japão deste fim de semana, é um caso que merece atenção. No ano passado, Jack Doohan, então na Alpine, tentou contornar a curva 1 do circuito sem desligar manualmente o DRS após testar a possibilidade no simulador. O sistema se desativa automaticamente quando o piloto toca o pedal de freio, mas, nesse trecho, os competidores costumam desligá-lo por um botão no volante, já que a frenagem ocorre apenas na curva 2.

O resultado da tentativa do australiano de ganhar tempo foi uma batida fortíssima a 257 km/h, que poderia ter tido consequências ainda mais graves. Poucas corridas depois, Doohan perdeu o assento para Franco Colapinto.
A preocupação de Sainz é que a flexibilidade no uso das asas, somada à busca por performance máxima, gere situações tão perigosas quanto a enfrentada pelo piloto de 23 anos.
FIA admite possibilidade de mudanças
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) tem adotado postura conservadora em relação à implementação das novas regras. Apesar de satisfeita com o regulamento, a entidade admite que, se necessário, fará ajustes conforme a temporada avança.
Para o GP do Japão, o órgão já estuda potencializar o superclipping, ou seja, a recarga da bateria por meio do motor a combustão. Em teoria, isso beneficiaria a Mercedes — fornecedora de motores para a Williams, de Sainz — em detrimento das rivais, com destaque para a Aston Martin, cliente da Honda.
Uma mudança nesse sentido deve provocar protestos das adversárias, já que as Flechas de Prata são, neste início de campeonato, a equipe a ser batida, sobretudo no quesito potência de motor. Além da própria Mercedes e da Williams, Alpine e McLaren também poderiam se beneficiar esportivamente.
O objetivo da FIA é evitar outro problema de segurança, também criticado por Sainz: a perda de potência no meio das retas em decorrência do descarregamento da bateria. O espanhol acusou a categoria de omitir a situação nos gráficos da transmissão, que supostamente congelariam ao atingir determinada velocidade final.
A segurança segue, portanto, como um ponto sensível da nova era da Fórmula 1. A dificuldade nas largadas, a perda de velocidade final em trechos de alta e a aerodinâmica ativa estão entre os principais tópicos de debate entre os pilotos.
Também chama atenção o fato de que apenas equipes com dificuldades de performance têm pressionado por mudanças. À exceção de Mercedes e Ferrari — líder e vice-líder do Mundial de Construtores —, a maioria do grid demonstra insatisfação.
(Foto principal: Reprodução / Fórmula 1 / Carlos Sainz)


